<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258</id><updated>2011-10-14T20:19:21.077-07:00</updated><category term='Sociologia'/><category term='Pragmatismo'/><category term='Saúde Mental'/><category term='Amoladores de Facas'/><category term='Neurodiversidade'/><category term='Personalidade'/><category term='Ecologia'/><category term='Reforma Psiquiátrica'/><category term='Polêmica'/><category term='Amolações'/><category term='Vídeos'/><category term='Psicologia Positiva'/><category term='início'/><category term='Educação'/><category term='Biologia'/><category term='Política'/><category term='Idéias de Experimento'/><category term='Notícias'/><category term='Naturalismo'/><category term='Religião'/><category term='Discussão'/><category term='Tecnologia'/><category term='Citações'/><category term='Filosofia'/><category term='ciência'/><category term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category term='Epistemologia'/><category term='Neurociências'/><category term='Palpite'/><title type='text'>Os Amoladores de Facas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sócrates</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07413339441909889483</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>46</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-5857172088063028544</id><published>2009-06-28T11:32:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T11:37:49.120-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Discussão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Saúde Mental'/><title type='text'>Postura Terapêutica em Situações Complicadas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esse post é baseado em uma conversa que eu e meu colega Bruno tivemos no Google Talk. É curta, mas aborda assuntos que todos que trabalham na área da saúde eventualmente terão que confrontar, especialmente profissionais da saúde mental. Corrigi erros de português e coloquei umas palavras a mais para deixar o texto mais claro, mas não mudei sua essência. Aqui vai ele:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Cara, mudando de assunto, qual tua opinião a respeito de dizer o diagnóstico para o paciente? Por exemplo, dizer para uma paciente que ela é borderline? Tu acha que é terapêutico ou iatrogênico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; depende de cada caso, e do teu plano sobre o que fazer ao informá-lo. No caso, digamos, de uma adolescente identificada como borderline, primeiro, é preciso testar rigorosamente essa hipótese. Também é preciso avaliar a gravidade. Se ela tem muitas tendências suicidas, e já tentou matar ex-namorados algumas vezes é bom informar a ela e aos seus familiares o que é isso e como proceder, e porque é importante ela se manter em tratamento. Por que a pergunta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Interesse acadêmico. Meu supervisor local falou sobre isso esses tempos lá no Morada, e depois eu ouvi alguém no congresso falar exatamente o oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; Hummmmm... teu supervisor local se posicionou contra a devolução do diagnostico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Sim – disse que era iatrogênico dizer para alguém que ele era neurótico, por que ela se identificaria com isso. Ou algo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; hummmmm... No caso do diagnostico estrutural psicanalítico, eu acho que sim. E de transtornos de personalidade também... com exceção de borderline, talvez. Tipo, não me parece que ajuda dizer pro paciente que ele é histriônico ou narcisista, mas dizer que ele tem Transtorno de Humor Bipolar, personalidade borderline, epilepsia ou esquizofrenia parece muito benéfico, porque ajuda ele a se entender, e entender que aquilo vai continuar pra sempre mesmo, e vai ter que seguir em tratamento psicológico e farmacológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Então, na tua opinião, depende do transtorno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; Depende do beneficio que for trazer. Tem transtornos que parecem não trazer beneficio nenhum, enquanto outros sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; É contextual, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; Aham, e depende muito da conduta do terapeuta. Tipo, só mostrar o diagnostico vai deixar o paciente muito confuso. É importante explicar como funciona e, principalmente, o que fazer. Isso tem que ajudar ele a se entender, ser compreendido por familiares e colegas, e fornecer o instrumental para ele viver uma vida mais feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; E, mais importante, o terapeuta deve deixar claro que tem tratamento, por que se não, daí sim é iatrogênico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; Bah, muito boa. Isso se aplica pra diagnosticos psi. Lembra da Síndrome de Huntington? Ou da Síndrome de Hatch? São doenças neurodegenerativas muito graves e sem cura, e é um baita dilema sobre dizer ou não que a pessoa pode demenciar e morrer logo. Mas acho que aí que ta o tentar oferecer uma vida de menos sofrimento. Tipo, dizer isso pra um adulto, que ele vai demenciar e morrer dentro de dez anos, tem que ser acompanhado de um baita trabalho para estimulá-lo a aproveitar a sua vida plenamente, se não ele vai acreditar que não vale a pena viver. E dar a certeza de que, quando ele demenciar, sua família vai acolhe-lo com cobertores quentinhos, comida boa e deixá-lo vendo desenho e levando-o para a praça ou para ver o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Essa certeza é meio complicada de dar, considerando que não depende da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; Sim, sim. Mas a gente tem que fazer esse acordo com a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; E torcer para que eles cumpram com a palavra deles (ou que o paciente demencie logo e não lembre nada a respeito disso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; XDDDDDDDDD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu:&lt;/strong&gt; Em todo caso, a gente cai na velha discussão de "quem cuida dos cuidadores?" - por que, por um lado, cuidar de um familiar demenciado não é fácil, mas por outro, cumprir a promessa de dar cuidado para ele pode dar uma sensação de sentido para os cuidadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bruno:&lt;/strong&gt; por isso a importância do acompanhamento. Os familiares também sofrem, e precisam desse amparo e de orientação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-5857172088063028544?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/5857172088063028544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=5857172088063028544' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5857172088063028544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5857172088063028544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2009/06/postura-terapeutica-em-situacoes.html' title='Postura Terapêutica em Situações Complicadas'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-358769160321309654</id><published>2009-04-19T20:08:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T21:54:00.859-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Epistemologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Palpite'/><title type='text'>Ciência e Psicologia (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inspirado na postagem do Andarilho, resolvi também expressar minha opinião quanto a esse delicado assunto. Perdoem se for dificil de entender o que pretendo dizer, mas tenho sérios problemas com linguagem escrita e organização de pensamentos (vocês verão que o que digo é trazido por muitos autores diferentes, mas que se misturam na minha cabeça e não consigo distingüir as idéias de cada um).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, e por muitas pessoas, já fui chamado de "religioso da ciência", "amante de Darwin", e assim vai. Gostaria de esclarecer um pouco desse pouco conhecimento que as pessoas tem sobre mim e sobre meu pensamento, de maneira que, antes de me criticarem, saibam como eu penso no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no curso de graduação em Psicologia com o intuito de estudar Psicanálise e seguir trabalhando nessa área; após algum tempinho de estudo sobre o assunto, percebi a circularidade da teoria Freudiana e os perigos isso poderia causar (os tais Mecanismos de Defesa colocam qualquer paciente na mão do analista). Passei a me interessar então pelo Behaviorismo Radical de B.F. Skinner, o que não durou mais que alguns livros (quando percebi que o próprio conceito de Contra-controle acabava também por dar circularidade à teoria).&lt;br /&gt;É importante dizer também que durante um ano trabalhei seguindo a idéia da Psicologia Social contemporânea, com seu ético-estético (que, no entanto, pelo que a própria teoria diz, não tem a finalidade de criar uma ciência da mente humana). Me empenhei em pesquisa e estudo dentro da biologia (neurofisiologia e bioquímica) acreditando que o conhecimento do cérebro levaria à compreensão da espécie humana; é como pensar que olhar os chips de um computador nos indicarão o que está na tela, ou olhar um CD nos indicará como é a música que tem nele.&lt;br /&gt;As neurociências não foram suficientes para estudar o humano...&lt;br /&gt;No momento atual, tento juntar a Psicologia Cognitiva (o que temos de menos pior até agora) com as Neurociências, para termos alguma compreensão sobre o homem, tentando separar suas implicações filogenéticas, ontogenéticas, e culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se consegues ver essas quebras de paradigma dentro da minha própria história, podes ver que de religioso não tenho nada... O que leva as pessoas a pensarem que sou um "apaixonado" é que, enquanto não tenho conhecimento de evidências contra a teoria a qual defendo, visto a camiseta e levanto a bandeira (o que não vejo mal nenhum em fazer, contanto que não se feche à aparição de novos fatos científicos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas divagações atuais sobre ciência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos ver em vários filmes recentes (Sombras de Goya é um bom exemplo), historicamente ocorreram inúmeros erros em favor de teorias que se julgavam certas. O Darwinismo Social, a Religião, o Comunismo, etc, condenaram milhões de pessoas à morte por causa de um ideal de verdade contextual.&lt;br /&gt;É exatamente o ponto onde tanto a ciência indutiva quando a dedutiva parecem falhar. Se somos puramente descritivos, nunca poderemos julgar nada sem um imeeeeeeenso número de observações; se adotamos um método explicativo, corremos o risco de deixar os fatos passarem despercebidos e fazemos julgamentos precipitados.&lt;br /&gt;A resposta que uma grande parcela de psicólogos tem dado para essa questão é "não vamos julgar, então", que, convenhamos, não resolve o problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente quando me perguntam sobre o que acho das teorias que estudamos na faculdade, freqüentemente respondo algo do tipo: "A Psicologia Social atual até que tem serventia, a Psicanálise que caia fora".&lt;br /&gt;O que tenho visto como interessante na contrução do conhecimento científico entra aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu modelo atual é que o conhecimento ocorre em uma espiral tridimensional, como uma mola, no entanto sua base é larga e seu topo é estreito. Pode-se pensar que é uma alegoria à dialética, mas com um novo eixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento se melhora quando existe uma junção entre uma teoria com base em fatos científicos e um conhecimento sem teoria alguma, que chuta pra todos os lados, totalmente &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pulverizado&lt;/span&gt;. Conforme vão ocorrendo interações entre a teoria e a anti-teoria, vão ocorrendo novas experiências, e a espiral vai crescendo verticalmente (eixo vertical representa o número de fatos explicados).&lt;br /&gt;Desse modo, podemos pensar no paradigma ético-estético como coadjuvante para o melhoramento da ciência, pois será o cara chato que estará sempre cutucando o cientista onde julgar que há equívoco (para que não matemos milhares de pessoas em nome de uma teoria falha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o paradigma ético-estético passa a ser uma teoria, perde sua serventia, pois aí entramos num novo dilema; precisaremos de uma outra teoria para 'controlar' a teoria que deveria 'controlar' a teoria científica. A anti-teoria da nossa espiral obrigatoriamente deve ser uma anti-teoria, e não uma teoria concorrente (o que manda a psicanálise para longe, pois ela também não se encaixa com os critérios da teoria científica do outro eixo do gráfico).&lt;br /&gt;Assim, uma das coisas que também penso é que a Psicologia Social atual não deveria ser ensinada como uma teoria no meio acadêmico, mas a ciência em si deveria ser acessível para a população, de forma que se evitem erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO ESTOU DEFENDENDO UM ANTI-TEORICISMO, COMO VEM OCORRENDO DENTRO DO CAMPO DA PSICOLOGIA. O PERSONAGEM PRINCIPAL DESSA HISTÓRIA TODA SEGUE SENDO O CONHECIMENTO CIENTÍFICO, ESSA É SOMENTE UMA PROPOSTA PARA DEIXAR A CIÊNCIA PSICOLÓGICA MAIS DEMOCRÁTICA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, talvez tudo isso que eu disse signifique alguma coisa para mais alguém...&lt;br /&gt;Espero que alguém possa opinar e apontar pontos fracos, pois eu mesmo já encontrei vários.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-358769160321309654?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/358769160321309654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=358769160321309654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/358769160321309654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/358769160321309654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2009/04/ciencia-e-psicologia-2.html' title='Ciência e Psicologia (2)'/><author><name>R.S. Kreitchmann</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00013664270477555989</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-685865185861796640</id><published>2009-04-18T13:09:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T13:11:08.997-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Epistemologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pragmatismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Ciência e Psicologia</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Originalmente, quando instalei um contador no &lt;a href="http://espadachimcego.blogspot.com/"&gt;meu blog&lt;/a&gt;, pensava em usá-lo apenas para isto – contar quantos visitantes o Espadachim Cego recebia. E, de fato, o &lt;a href="http://counter22.bravenet.com/index.php?id=393594&amp;amp;usernum=1818965550&amp;amp;type=overview"&gt;Bravenet Counter&lt;/a&gt; faz isso, como vocês bem podem atestar, mas ele também vem com alguns outros recursos que, talvez por irem um pouco além da mera quantificação, permitem inferências muito mais interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destes recursos, o que eu considero mais rico é Visitor Analys (Análise de Visitantes), que permite ver de onde são os leitores das minhas bobagens e o que os trouxe até este blog. Como eu sou mão fechada, uso a versão gratuita do contador, que só disponibiliza as informações dos dez últimos visitantes. Ainda assim, posso atestar que, na maioria dos casos, as pessoas que vêm até o Espadachim Cego são interessadas em Ciências Humanas, especialmente Psicologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Análise de Visitantes não me permite saber se estas pessoas são em sua maioria psicólogos, estudantes de Psicologia ou apenas leigos interessados levemente no assunto. Posso, porém, dar um conselho para todos os que pretendem fazer a graduação em Psicologia um dia ou que entraram este ano na faculdade: preparem-se para estudar uma disciplina cuja cientificidade é altamente contestada, apesar de sua relevância. Que quero dizer com isto? Quero dizer que, por mais que nosso campo de atuação seja amplo e nosso trabalho como psicólogos seja requisitado e importante para a sociedade, sempre haverá um grupo considerável de pessoas que questionará os fundamentos teóricos e a validade do que fazemos. Estes céticos encontram-se em contextos muito diferentes – são filósofos, cientistas da área das exatas (Física e Matemática), e mesmo cientistas sociais e psicólogos – mas que compartilham a dúvida (muitas vezes a certeza) a respeito de um projeto de ciência psicológica. A principal questão que eles levantam é: pode a Psicologia ser considerada uma ciência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras perguntas surgem desta: tal questionamento é positivo, quero dizer, traz algum benefício para a Psicologia ou a sociedade? Pessoalmente, acredito que a resposta para esta questão é afirmativa. Primeiro, por que trabalhamos com um assunto realmente delicado, onde qualquer certeza dogmática a respeito de nossas capacidades e limitações seria potencialmente fatal, seja para nosso projeto científico quanto para as pessoas que atendemos, e um questionamento saudável a este respeito, seja ele incitado por nós próprios ou por outros campos de conhecimento, nos ajuda a mantermos a humildade e o foco. Segundo, a discussão sempre atual da cientificidade da Psicologia, mesmo que não traga nenhum outro benefício concreto, nos proporciona uma oportunidade impar de exercitar nossas capacidades cognitivas e conhecer outros pontos de vista, o que é sempre necessário (e bem vindo) para a criação de novas redes neurais e o fortalecimento de nosso intelecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda questão é mais relevante: que argumentos são utilizados por aqueles que consideram que a Psicologia não pode ser considerada uma ciência? Não creio ser capaz de fazer uma lista exaustiva de argumentos, mas o principal (e que mais aparece em discussões) é que a Psicologia, mesmo passados mais de 100 anos desde sua fundação oficial e muitos progressos tecnológicos, ainda não atingiu o objetivo da ciência clássica: a descrição, previsão e controle dos fenômenos estudados – em outras palavras, dar respostas certas e garantidas a respeito de seu objeto de estudo. É inegável que, se comparada com ciências mais tradicionais, em especial a Física, a Psicologia não progrediu muito neste sentido, pois, apesar da maioria dos processos psicológicos estarem descritos em muitos livros de forma satisfatória, tanto nossa capacidade de previsão quanto de controle de comportamentos futuros é parco, mesmo em suas correntes mais experimentais. Como uma estudante de Filosofia deixou bem claro para mim em uma discussão há algum tempo atrás, isso se deve, principalmente, à subjetividade humana – pois cada ser humano é único e irrepetível, não havendo, portanto, parâmetros para compará-lo com outros e assim criar uma ciência do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São argumentos fortes e contundentes, que aparentemente desmontam todo o projeto da Psicologia científica, colocando-a no mesmo nível de rigor que a astrologia e a sabedoria popular. Isso poderia desanimar qualquer interessado em Psicologia, e com razão. Entretanto, se refletirmos com cuidado a respeito das posições teóricas acima apresentadas, perceberemos que elas não passam de opiniões. Não há nenhuma razão empírica, nenhuma experiência bruta que confirme ou refute a viabilidade de uma ciência do comportamento humano, apenas as pessoas interessadas tomam partido de uma ou de outra possibilidade. Os argumentos que aqui apresentei são argumentos racionalistas. Para esta escola, cujas origens podem ser traçadas até Platão, a verdade do mundo só pode ser compreendida através de seu conceito perfeito. Ou seja, só o que é perfeito, advindo daquele plano das idéias de que Platão falava, é verdadeiro, ao passo que o que temos aqui e agora é apenas uma cópia mal-feita, na melhor das hipóteses, ou uma grandíssima perda de tempo, na pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francamente, creio que tal atitude é prejudicial. Ao adotarmos um padrão epistemológico de verdade tão rígido e inalcançável, tudo o que conseguimos, na maioria das vezes, é desestimular qualquer esforço positivo na busca pela verdade, pois, afinal de contas, é impossível atingi-la e, assim, inútil. É uma forma patológica de ver a vida, e os milhares de homens e mulheres que desistem de encarar a vida por terem certeza de que errarão em algum momento e que isto será terrível só reforçam minha opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proponho uma forma diferente de encarar a ciência e a Psicologia. Não é uma forma nova ou original, pois foi proposta há muitos e muitos anos, pelo brilhante filósofo e psicólogo estadunidense William James: o pragmatismo. Nesta forma de pensar, qualquer idéia que nos ajude a lidar com a realidade de maneira efetiva é, pelo menos em parte, verdadeira, pelo menos no que tange a parte da realidade que afeta. Mesmo que este mundo seja uma ilusão, esta ilusão nos circunda e nos afeta, e não podemos simplesmente ignorá-la e apelar para conceitos mentais perfeitos, abstratos e distantes. Trabalha-se com um processo constante de descoberta e ampliação dos horizontes, pois se baseia na experiência, e não nos ideais, para fazer ciência. Na Antiguidade, era verdade que o mundo era um disco chato, pois era desta forma que os povos de então organizavam a informação que coletavam do universo, e tornavam-se capazes de navegar e desenhar rotas terrestres de comércio; na Idade Média, era verdade que o Sol girasse em torno da Terra redonda, pois com este modelo os navegantes e comerciantes ampliaram suas capacidades de orientação; hoje, a verdade é que a Terra gira em torno do Sol, e graças a essa informação somos mais capazes que nossos antepassados. Quem, destas três distintas épocas, está mais próximo da verdade em Astronomia? Obviamente, atualmente temos maiores conhecimentos sobre o funcionamento das galáxias, mas isto não teria sido possível se não fossem os astrônomos de eras passadas formularem hipóteses imperfeitas, porém melhores e mais verdadeiras que as anteriores. Da mesma forma, daqui a 100 ou 200 anos, se a humanidade continuar existindo de alguma forma, o conhecimento de que dispomos atualmente, seja sobre Astronomia, Medicina ou Psicologia parecerá irrisório, mas terá sido de crucial importância para as descobertas futuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, dentro do paradigma pragmático, é possível fazer da Psicologia uma ciência plena, pois é inegável que ela tem feito progressos, lentos mas seguros, na explicação dos comportamentos humanos. São as pessoas criaturas únicas e irrepetíveis? Sim, são, mas isto não quer dizer que cada um seja uma espécie em si mesma, pois todo homem e toda mulher, por mais diferentes que sejam entre si, compartilham da mesma natureza biológica – contando com estômago, pulmões, cérebro e demais órgãos – dos mesmos traços de personalidade – extroversão, socialização, neuroticismo, abertura à experiência e Realização – e buscando as mesmas coisas – justiça, beleza, bondade, perfeição. Estes pontos em comum são iguais em todas as pessoas de todas as culturas? Não, mas pelo o que se sabe até o momento, são iguais o suficiente para a criação de instrumentos de avaliação psicológica equivalentes, seja no Japão, Alemanha ou nas culturas esquimós do Canadá. De certa forma, somos tão semelhantes entre nós quanto são os cachorros ou os gatos entre si – as diferenças são muitas vezes gritantes, mas ninguém de bom senso diria que um Pastor Alemão e um São Bernardo são incomparáveis por serem tão diferentes. Se não fosse assim, o &lt;em&gt;Homo sapiens&lt;/em&gt; nunca teria povoado todo o globo terrestre, pois cada família ou clã que se distanciasse tornar-se-ia uma espécie diferente, e a comunicação entre diferentes povos seria tão impraticável quanto é entre humanos e chimpanzés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, acredito que a Psicologia não só pode tornar-se uma ciência como já é uma, pois está constantemente descobrindo coisas novas a respeito de nós mesmos. Contudo, os ideais de descrição, previsão e controle dos fenômenos, tão caros para os cientistas ortodoxos, precisam ser reformulados, ou encarados de outra forma. Um psicólogo não pode, por motivos práticos ou éticos, controlar outro ser humano da mesma forma que um químico controla reações entre substâncias, nem prever o comportamento de uma pessoa como um físico prevê o movimento de um corpo em movimento, pois precisa levar muitas variáveis em conta ao mesmo tempo, podendo desconsiderar várias por não conseguir computá-las. A Psicologia nunca será uma ciência como a Física ou a Química, que em seus campos de ação reinam supremas. Entretanto, isto não significa que devemos renunciar completamente ao status científico. Poderemos descrever fenômenos psíquicos de maneira incompleta, mas ainda conseguir prever quando um paciente caminha em direção à sua autodestruição, impedi-lo de prejudicar a si mesmo e guiá-lo rumo a uma vida melhor. Uso exemplos clínicos, por ser este meu campo de atuação e onde me situo melhor, mas o mesmo pode ser dito de muitos outros casos em muitos outros contextos onde a Psicologia se insere – cresceremos, de forma imperfeita, mas constante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;James, William (1943). &lt;em&gt;A Filosofia de William James&lt;/em&gt;. São Paulo: Companhia Editora Nacional.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-685865185861796640?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/685865185861796640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=685865185861796640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/685865185861796640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/685865185861796640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2009/04/ciencia-e-psicologia.html' title='Ciência e Psicologia'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-536366140633957942</id><published>2008-07-17T17:14:00.000-07:00</published><updated>2008-07-17T17:28:27.730-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>Darwin Awards 2008</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Prêmios Darwin são honrarias oferecidas já há anos para aqueles que levam as idéias do grande Charles Darwin um passo adiante: seleção natural na espécie humana. São agraciados com o prêmio não aqueles que promovem limpeza étnica ou genética de seus semelhantes, mas sim os que se propõe a melhorar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pool genético&lt;/span&gt; da população ao removerem a si mesmos e seus conjuntos de genes - acidentalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano temos alguém especial para nós entre os vencedores: &lt;a href="http://www.darwinawards.com/darwin/darwin2008-16.html"&gt;o padre dos balões&lt;/a&gt;! Não só ele optou por se remover do pool genético uma vez ao jurar celibato como o fez uma segunda vez ao empreender sua jornada derradeira rumo ao paraíso. Double Darwin, como o chamaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós que aqui ficamos, agradecemos a consideração.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-536366140633957942?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/536366140633957942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=536366140633957942' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/536366140633957942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/536366140633957942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/07/darwin-awards-2008.html' title='Darwin Awards 2008'/><author><name>Marcelo Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14328810238952961871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-4968742025242220059</id><published>2008-06-03T22:28:00.000-07:00</published><updated>2008-06-03T22:29:00.689-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Educação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Divulgação científica</title><content type='html'>Falando com uma amiga minha por MSN essa semana, acabei divulgando um certo &lt;a href="http://espadachimcego.blogspot.com/"&gt;blog&lt;/a&gt; que fala de ciência, filosofia e coisas do gênero, com a ressalva de que era legível. A resposta dela veio em forma de pergunta: dá para um leigo ler?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta pergunta representa bem o estado atual das ciências no mundo. Geralmente, idealiza-se que elas são domínio do cientista, e que pessoas não iniciadas em seus meios são incapazes de compreender a quantidade absurda de dados e teorias. Acho que isto é falha nossa, pois ajudamos a perpetuar este modelo elitista de conhecimento, onde os acadêmicos pesquisam e o resto da população acredita no que eles dizem. Não deveria ser assim, em nenhum aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper"&gt;Karl Popper&lt;/a&gt;, considerado o maior filósofo da ciência do século passado, postulou que, para que uma determinada disciplina ou campo de pesquisa possa ser considerada científica, é necessário que seus postulados teóricos sejam passiveis de teste e falseabilidade. Em outras palavras, que possam ser refutados em favor de postulados melhores. Eu acrescentaria outra característica das ciências sérias: elas podem ser explicadas para qualquer um, numa linguagem relativamente simples e pouco técnica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OK, admito que essa minha afirmação é bem contestável. Afinal, como poderíamos explicar Física Quântica Teórica para pessoas que nunca estudaram isso na vida, e que no máximo assistiram “O Segredo”, um filme que todo bom físico deseja ver banido da existência? Como não quero entrar em polêmica sobre o filme, e por que não sei lá muita coisa de Física, não sei como fazer isso. Entretanto, em se tratando de Psicologia, Psiquiatria e Neurociências, acredito que isto não é apenas possível de ser feito, mas necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento, toda boa teoria que li era inteligível – era possível de entender com apenas uma leitura atenta. Nem toda a teoria clara é boa, mas toda teoria boa é clara. Posso não gostar tanto assim de Freud, mas devo admitir que suas proposições são boas, que colaboraram com o progresso da ciência psicológica de muitas maneiras, e, principalmente, que estão expostas de forma a não deixar margem para dúvidas. E mesmo que a teoria seja um pouco indigesta, é possível eu pedir para alguém que entenda mais do assunto me explicar e me recomendar outras leituras para aprofundar meus conhecimentos. No caso das pseudociências, isto não acontece, por que geralmente os textos são truncados e mal escritos (eu diria até que de propósito), e mesmo que se peça ajuda para alguém que entenda da matéria, esta pessoa não irá explicar, por que: 1) o assunto é complexo demais para ser reduzido a poucos tópicos, e fazer isso seria mutilar a teoria; 2) ela também não sabe explicar, mas não quer perder a pose de entendido. Nas vezes que pedi explicações sobre pseudociências, ouvi a primeira alternativa, mas tenho fortes motivos para acreditar que a segunda é mais verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo isso que já falei, divulgação científica é legal! Se não fosse pelos caras que se prestam a transformar a ciência em uma complexidade mais compreensível como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Claude_L%C3%A9vi-Strauss"&gt;Lévi-Strauss&lt;/a&gt; fala, eu saberia muito pouco sobre câncer, física de partículas ou até mesmo minhas queridas Neurociências. São, sem dúvida, assuntos bem complexos, mas que dizem respeito a todos nós. Sou suspeito para falar, mas acredito que todos em nossa sociedade, não importa qual profissão decidam seguir, deveriam ter uma formação científica sólida, para poder entender o que se passa nos confins da pesquisa avançada, e compreender como isto pode afetar-nos. No Ensino Fundamental temos uma aula sobre bichinhos, plantinhas, átomos e tubos de Becker que se chama “Ciência”. No Ensino Médio, ela se desdobra em Biologia, Física e Química, e por mais interessantes que possam ser, são insuficientes, pois aprendemos apenas o que é tomado como certo – só vemos coisas as coisas velhas, e dificilmente abordam-se desdobramentos recentes nestas áreas (eu aprendi, por exemplo, que o número de neurônios mantém-se constante ao longo da vida, quando não é bem assim). Além disso, saí-se dessas aulas com a impressão de que a ciência é a portadora da verdade, que cientistas sabem tudo, quando é justamente o contrário: cientistas não sabem nada, e é por isso que pesquisam! Por que pesquisar o que já se sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A divulgação científica está aí para popularizar a pesquisa e a ciência entre as pessoas leigas, que não trabalham em áreas tão especializadas. Pode parecer um trabalho bobo, até mesmo simplório, ficar falando em termos simples para pessoas que não sabem muito do assunto. Entretanto, acredito isto ser fundamental, não só para tornar a ciência mais palatável e divulgada, mas para criar o tipo de sociedade democrática e crítica que desejamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-4968742025242220059?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/4968742025242220059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=4968742025242220059' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4968742025242220059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4968742025242220059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/06/divulgao-cientfica.html' title='Divulgação científica'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-5212637848385966264</id><published>2008-05-31T20:01:00.001-07:00</published><updated>2008-05-31T20:01:56.049-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reforma Psiquiátrica'/><title type='text'>A Liberdade é Terapêutica</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Famosa frase do psiquiatra Franco Basaglia, que se tornou o slogan do Movimento Antimanicomial, um movimento político da segunda metade do século XX que defende a proteção dos Direitos Humanos para os usuários do sistema de saúde mental. Como tradicionalmente o serviço de saúde mental se constitui como oferta exclusiva do hospital psiquiátrico, também chamado de manicômio, e como esse estabelecimento possui algumas características intrínsecas de funcionamento que violam por si só os Direitos Humanos (internação forçada, desapropriação de bens, contenção química, isolamento, impossibilidade de participar da vida civil e também formas de terapia pseudocientíficas extremamente bizarras, como a indução de febre, o eletro choque e a imersão em água fria), o Movimento Antimanicomial ganhou esse nome por defender a abolição dos manicômios, que tradicionalmente são o único estabelecimento responsabilizado pela saúde mental.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Essa idéia ainda hoje é escandalizante, pois a nossa cultura bastante fundamentada na neurose, na intolerância e na segregação, não consegue conceber como alguém pode querer que os loucos fiquem soltos na rua. Só que esse é um movimento fundamentado tanto na observação e crítica de práticas bastante opressivas quanto de longas reflexões teóricas entre intelectuais, então o mínimo que se poderia supor é que quem defende a abolição dos manicômios sabe do que está falando. Apesar da conduta romântica dos protagonistas, o corpo teórico e conceitual é racional e já se tem muita coisa planejada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;O primeiro esclarecimento a ser feito é que os loucos não ficam ‘na rua’, no sentido de desprovidos de assistência de saúde e condições materiais adequadas. Essa idéia confusa e preconceituosa acaba levando as pessoas a deduzirem que, ou os loucos vão sair por aí sem controle aprontando as maiores loucuras e instalando o caos na cidade, que foi justamente o argumento usado para a instituição dos manicômios, ou que eles vão virar mendigos bêbados e delirantes atirados pelo chão. Mas a condição de doença mental não tem o caos, o perigo e a insanidade absoluta que o senso-comum e algumas escolas de pensamento supõem, assim como leões, elefantes ou tubarões não são bestas impetuosas e que agem despropositadamente, como era o pensamento vigente até a metade do século XX, e servia de justificativa para caçadas esportivas e verdadeiros empreendimentos de extermínio que ainda hoje ameaçam a biodiversidade. Doentes mentais, num geral, são menos propensos a comportamento agressivo do que a população normal, e também não é a loucura a causa da pobreza: falta de condições materiais para satisfazer direitos básicos de existência é que pode gerar a loucura, muito embora outros tipos de loucura sejam evidentes com o acúmulo de riquezas. Assim como eles não são bestas perigosas, mas sim pessoas que portam um grave sofrimento psíquico em função de suas experiências de vida e condições de existência, ele também não vai ser deixado sem ajuda. O Movimento Antimanicomial se baseia na defesa dos Direitos Humanos, é no mínimo óbvio que a intenção é proteger e cuidar dessas pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Mas não é meramente uma intenção: o Movimento Antimanicomial surgiu com preocupações bem práticas, e juntamente com a fundamentação filosófica, foraa pensadas formas de estruturar os serviços de saúde mental e o sistema de saúde como um todo de modo a alcançar seus objetivos. Para isso, devem ser necessárias práticas de assistências que garantam o acesso à saúde, educação, moradia, liberdade, convívio social, dinheiro, trabalho, justiça e dignidade. Com exceção da saúde, e ainda com algumas ressalvas, nada disso jamais foi suprido pelo manicômio, e nunca poderá ser, pois ele funciona justamente pela internação e pelo controle autoritário dos profissionais da saúde. Então, os serviços de saúde mental estão se estruturando como estabelecimentos aos quais o paciente se dirige quando ele reconhece que necessita de ajuda, e ao qual retorna em função de seu interesse em aliviar seu próprio sofrimento, como acontece com qualquer outro doente. Esses estabelecimentos são hospitais gerais, hospitais-dia, residenciais terapêuticos, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e ambulatórios. Como todo o resto do sistema de saúde pública, ele ainda tem muitas limitações e sofre muitas críticas, principalmente em função da falta de financiamento estatal. Este pensamento prático sobre a reforma do sistema de saúde mental é chamada de Reforma Psiquiátrica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;Mesmo com todas as limitações da Reforma Psiquiátrica, existe um fato que se torna cada vez mais evidente: de fato, a liberdade é terapêutica. Usuários do sistema de saúde mental da Reforma apresentam maior autonomia e estabelecimento de redes sociais, que são fatores terapêuticos, e passam muito menos tempo no processo terapêutico. Essas evidências são basicamente ‘clínicas’, pois a ideologia pós-moderna que atravessa essa luta é um tanto afoita a estatísticas e experimentos. Na verdade, o reconhecimento do caráter terapêutico da liberdade não deriva de nenhuma observação ou teste, mas da simples dedução de seus pressupostos teóricos: os Direitos Humanos são quesitos a ser defendidos para as pessoas viverem melhor e terem vidas mais plenas e dignas, e quem vive melhor terá menos sofrimento, então, considerando que a doença mental é um grave sofrimento psíquico, as boas condições de vida propiciadas pelos Direitos Humanos fazem as pessoas sofrerem menos, ou seja, atuam de forma terapêutica.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-5212637848385966264?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/5212637848385966264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=5212637848385966264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5212637848385966264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5212637848385966264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/liberdade-teraputica_31.html' title='A Liberdade é Terapêutica'/><author><name>Bruno Graebin de Farias</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-3869901087535792633</id><published>2008-05-30T18:23:00.000-07:00</published><updated>2008-09-12T19:20:35.312-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ecologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tecnologia'/><title type='text'>Adolescente descobre como decompor plástico em três meses</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.onyabags.co.uk/images/plastic-bags-on-foreshore.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://www.onyabags.co.uk/images/plastic-bags-on-foreshore.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Notícia bombástica do &lt;a href="http://www.treehugger.com/files/2008/05/teen-decomposes-plastic-bag-in-three-months.php"&gt;TreeHugger&lt;/a&gt;, sobre um garoto da 11a série do Canadá, Daniel Burd, que descobriu uma tecnologia nova e absolutamente revolucionária para uma simples feira de ciências do colégio. Um dos maiores perigos para o nosso futuro é o acúmulo crescente de plásticos, o material mais utilizado no mundo e do qual a nossa civilização é absolutamente dependente. Então precisamos pensar em alternativas, já há um tempo defendidas pelos ecologistas e cada vez mais pela sociedade civil que tem um mínimo de preocupação com o futuro. O máximo que tínhamos até agora era a reciclagem, que apesar de necessária e muito benéfica e lucrativa, enfrenta alguns problemas de ordem econômica e também não dá conta da produção excessiva da indústria, além de problemas de ordem técnica e comportamental da região, como uma adequada separação do lixo. Mas como a reciclagem não dá conta, nós também precisamos de modificações políticas e institucionais, um novo sistema econômico, mudanças comportamentais drásticas na sociedade industrial, e, para ajudar, tecnologias inovadoras!&lt;br /&gt;Os ecologistas alertam, com razão, que não devemos ter fé simplesmente na tecnologia. Mas é inegável que ela ajuda muito. Também não é possível deixar de ter um certo otimismo ao ver que adolescentes têm idéias inovadoras em ciência juntamente com uma forte preocupação política e ambiental.&lt;br /&gt;O menino usou o nosso conhecido método científico (o que me faz pensar que as escolas no Canadá são realmente boas) e formulou  uma hipótese: sabe-se que a previsão de decomposição do plástico na Natureza é de cerca de mil anos, então isso quer dizer que existe algo que produz essa decomposição, provavelmente microorganismos. Esses microorganismos são bactérias aeróbias quimio-heterótrofas com metabolismos altamente versáteis, o que significa que pode usar muitos compostos naturais e até artificiais, podendo sobreviver em ambientes com poucos nutrientes, e se estuda a sua aplicação na biotecnologiam mais especificamente, Sphingomonas e Pseudomonas. A aplicação delas a nível industrial é fácil, basta adicionar fermento.&lt;br /&gt;Acho importante lembrar que isso não significa que agora podemos ser displiscentes quanto ao consumo e ao destino dos plásticos, imaginando que tudo vai se decompor no final e vai acabar bem. A aplicação desta tecnologia se limitará a ambientes específicos, como na fabricação ou em depósitos específicos de decomposição, em vez de batérias polimerófagas espalhadas por todo o mundo e quantidades massivas. Isso significa que a consciência ambiental, que prefiro chamar de modificação comportamental, e a modificação estrutural do nosso sistema econômico baseado em um número limitado de matérias-primas ainda se mostram necessários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-3869901087535792633?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/3869901087535792633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=3869901087535792633' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3869901087535792633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3869901087535792633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/adolescente-descobre-como-decompor.html' title='Adolescente descobre como decompor plástico em três meses'/><author><name>Bruno Graebin de Farias</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-8777707714582125372</id><published>2008-05-28T19:59:00.001-07:00</published><updated>2008-05-28T20:01:46.783-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Discussão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Personalidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>Psicanálise e (alguns dos) Seus Problemas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Agora eu estou fazendo um relatório sobre o seminário do Mr. Antivirus, Norton. E ele é lacaniano. Então estou estudando Lacan por tabela&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 9pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Sim, sim. Eu tenho aula com ele. Mas segunda feira eu me meti.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Fale-me mais a respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Eu dei umas encurraladas nele. O bom desse professor é que ele não é fanático, ele sabe das limitações da teoria. Tipo, eu questionei alguns dos fundamentos da teoria. A concepção estrutural do sujeito. Mas isso foi só dúvida. Eu critiquei mesmo quando ele falou da clínica porque, honestamente, a psicanálise como método acaba colocando todo mundo em análise, se puder. E ele meio que teve que admitir isso. E eu também critiquei uma outra coisa que ele colocou lá que era a incomunicabilidade existente entre as teorias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;É... se for comparar uma coisa tipo TCC ou ACP com Psicanálise lacaniana, realmente não tem diálogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Sim. E qual o motivo disso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Eu digo que é frescura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Cada teoria trata de um objeto diferente. E eu até acredito que o objeto Homem é um objeto construído, não está dado. Mas concomitantemente a isso, deveria haver um esforço de conciliação. Porque o objeto pode não ser exatamente o mesmo. Mas também não é inteiramente diferente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Mas daí tem que existir uma vontade (não quero usar "desejo" nessa conversa) de por as duas teorias no mesmo plano. Tipo, fazer um teste de eficácia, comparando clínica lacaniana e TCC no tratamento de esquizofrenia. Definir alguns pontos importantes da terapia, quanto tempo deve durar, elaborar manuais de conduta para as duas terapias. Enfim, fazer todas aquelas coisas empíricas que são altamente criticáveis por limitarem demais a terapia, mas que servem pra comparar duas técnicas e ver no que elas são eficazes. Só que eu duvido que exista algum lacaniano que vá fazer qualquer uma das coisas que eu listei. Pontos importantes da terapia? Transferência, e o Lacan escreveu um seminário inteiro sobre isso, que deve ser completamente enrolado e não dizer nada. Tempo de duração? Se possível, ad infinitum.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Sim, sim. Mas eu nem digo da terapia. Falo mais da concepção teórica do sujeito, que é anterior à terapia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Isso entraria no "manual" - que daria tipo um código de conduta para o terapeuta durante sessão. Teria que escrever essas coisas de forma simples, clara e direta. E da última vez que a gente pediu uma cadeira assim para o departamento de Psicanálise, a gente teve que ouvir que é impossível fazer uma introdução à Psicanálise - tem que aprender por transferência. Em outras palavras, tem que ser psicanalista pra entender psicanálise.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Sim. Mas isso aí é mentira. Hoje no meu estágio, já que tudo o que eu ia fazer foi cancelado, eu peguei o meu orientador para esclarecer algumas coisas que foram vistas &lt;st1:personname productid="em MEDEP. E" st="on"&gt;em  MEDEP. E&lt;/st1:PersonName&gt; ele basicamente desenhou para mim um diagrama sobre como é que as diferentes estruturas da personalidade se davam e porquê. Claro que ultrasimplificado. Mas foi bem didático.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Ele é psicanalista teu orientador?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Sim, é um lacaniano afu. Vai ver que como ele não é acadêmico, ele não está condicionado a ser tão enrolador quanto os professores. Só não é tão afu porque ele trabalha no posto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;É, eu pensei que como ele trabalha no mundo real ele não tem tanto tempo pra viajar como nossos professores. Ele deve ver na prática que a teoria lacaniana não funciona (exceto retroativamente), e abandona o que não serve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Humm... Não teria tanta certeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Quais as tuas hipóteses a respeito disso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Olha cara, tem uma hipótese que eu tenho que é a seguinte: A terapia psicanalítica funciona. Tipo,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;"tudo vai".&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Grande parte do que faz toda a questão terapêutica funcionar é a própria Terapia, entendida assim:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Existe Terapia Psicanalítica, Terapia Humanista, Terapia Cognitiva, etc.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Um dos componentes desse binômio é a Terapia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;O outro é a linha teórica. Me consta que uma terapia, só por ser Terapia, já tem funcionalidade por si só. Dá pra chamar isso de placebo. Ou não, também. Mas não importa. Quanto ao restante, a parte psicanalítica, ou mesmo a lacaniana, pode funcionar em alguns casos, em outros nem tanto. Mas mesmo no contexto da transferência, é muito difícil avaliar o quanto a terapia está funcionando ou não. Muitas vezes o paciente e o terapeuta discordam sobre essa questão. E eles são os que mais deveriam saber. E mesmo que pareça não funcionar é pouco provável que o psicanalista vá descartar partes de sua teoria baseado nisso. Muito mais fácil é encontrar outro culpado. E desconfio que esse seja o caso para terapeutas de outras linhas também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Hmmm... Cara, tu já leu o artigo do Seligman sobre eficiência de psicoterapia?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Aquele famoso que teve o estudo na inglaterra e concluiu que tudo meio que funcionava?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Esse mesmo, que concluiu que, no final das contas, todos os tipos de psicoterapia estudados eram igualmente eficientes, apesar de nem todos serem eficazes pra muita coisa. A partir disso e de outras coisas, o Seligman formulou uma hipótese (ou teoria, sei lá) muito parecida com a tua primeira: que todos os tipos de terapia (ou de terapeuta) compartilham um núcleo comum de práticas. Ele chamou isso de "Práticas Profundas", por que elas estão além da teoria empregada. O Rogers já falava disso. Ele dizia que um terapeuta precisa ser empático, aceitar positivamente e de forma incondicional o paciente e ser congruente (fazer o que fala; falar o que faz). Esses três pontos seriam essenciais e suficientes pra uma terapia "dar certo" (seja lá o que isso signifique). Acho que essa lista é bem completinha, mas pode faltar alguma coisa. E, partindo dessa listinha, qualquer relacionamento pode ser terapêutico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;O negócio do "incondicional" é controverso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Pois é. Por "incondicional" dá pra entender muita coisa. E dá pra argumentar que, a partir do momento que o terapeuta tenta mudar um comportamento do paciente, a aceitação dele não é mais incondicional. Mas enfim, tem que aceitar o paciente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Sim. Mas de qualquer forma, sejam esses os elementos ou não, o fato é que há algo em comum às terapias. E que faz a coisa andar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Sim. E talvez essas coisas em comum venham mais dos terapeutas em si do que da teoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Mas eu discordo quanto ao "suficiente". Eu acho que o segundo elemento do binômio, a linha teórica, também conta. Alguns tipos de problema simplesmente não vão ser resolvidos com um sorrisinho empático. Tem algumas coisas que são pontuais, que não dá pra resolver de qualquer jeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;É, não dá pra tratar TOC só com abraço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Exato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Concordo contigo. Mas a partir do que eu sei de Rogers, o que ele quis dizer por "suficiente" é proporcionar auto-atualização (crescimento pessoal). O que é uma coisa bem diferente de tratar TOC, ou anorexia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Ah, tá. Auto-atualização pode ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Por que um cara cuja maior preocupação é o crescimento pessoal não tem muita coisa com que se preocupar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Sim, sim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Talvez esses três pontos não sejam "suficientes", mas são necessários pra qualquer tipo de terapia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;É. Pensando generalísticamente, pode ser, com suas devidas exceções. Porque tem terapia que nem é tão empática mais vai igual. Sempre há exceções em termos de relações humanas. Mas certamente podemos dizer que são linhas gerais que têm sua importância ao constituir uma base terapêutica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Eu pensei no caso do psicanalista roots que se nega a apertar a mão do cliente pra não atrapalhar a análise, e que essa análise mesmo assim beneficia o cliente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Ou quando o cara tá deitado no divã olhando pro teto, não tá rolando muita empatia ali na mancha da pintura. Mas eu acho que um dos maiores problemas da terapia psicanalítica é ético, não ontológico ou metodológico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Que problema ético seria esse?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;O problema ético que eu vejo na verdade é mais de um. Começa pela prática de querer desenterrar problemas que antes não estavam manifestos. Procurar conflitos na pessoa. Não limitar o escopo de sua terapia e, por conseqüência, o poder de influência do terapeuta. Também não concordo com o lugar de saber não-compartilhado que o terapeuta assume. Tem muita coisa que vai rolar na contratransferência de um psicanalista que pode ser mais prejudicial do que benéfico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Pois é. Nesse artigo do Norton que eu li pra fazer o relatório, ele cita Lacan (viu que eu tava estudando por tabela?), que diz que a análise só vai adiante se o analisando se colocar num lugar de não-saber. Tu tem que colocar o analista numa posição divina pra daí se beneficiar do saber dele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Exato. E isso é uma das coisas que eu mais discordo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Sei lá, daí fica fácil pro analista, já que ele nunca vai ser questionado se funcionar assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-8777707714582125372?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/8777707714582125372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=8777707714582125372' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8777707714582125372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8777707714582125372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/psicanlise-e-alguns-dos-seus-roblemas.html' title='Psicanálise e (alguns dos) Seus Problemas'/><author><name>Marcelo Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14328810238952961871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-1248360183421926406</id><published>2008-05-20T19:38:00.000-07:00</published><updated>2008-05-20T19:42:26.718-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurodiversidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sociologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Personalidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Positiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reforma Psiquiátrica'/><title type='text'>Sociedade, Personalidade e Neurodiversidade</title><content type='html'>Para viver em sociedade é necessário ser bem ajustado de várias maneiras. A mais global destas maneiras é ter uma personalidade socialmente aceitável. Agrupamentos sociais selecionam pessoas com traços de personalidade mais bem vistos e vantajosos para o grupo. Não vejo nenhum problema nisto, até por que seria um contra-senso selecionar características que prejudicam a todos. Porém, isso acarreta alguns problemas. O primeiro é o processo de seleção. Em geral, seleciona-se as pessoas mais parecidas com a população em geral – em outras palavras, pessoas excêntricas, fora do centro comum, acabam excluídas socialmente. Por “centro comum” quero dizer qualquer coisa: brancos ou pretos, judeus ou arianos, introvertidos ou extrovertidos... ou qualquer outro parâmetro que se desejar. Hoje em dia isso não quer dizer grande coisa, já que dá para viver sozinho num apartamento comendo comida congelada e tele-entrega, mas há não muito tempo atrás, viver isolado de qualquer coletivo significava morte certa (e em algumas situações-limite ainda significa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo de seleção não é, contudo, um sistema meramente binário, tendo mais possibilidades do que DENTRO DO GRUPO e FORA DO GRUPO. Na verdade, a exclusão social é o último recurso, pelo menos na civilização atual. Antes disso, ocorre uma tentativa de moldar a personalidade do excêntrico. Isso por si só não é ruim, e acredito ser possível justificar tal prática numa isolada tribo da Nova Guiné, mas suas conseqüências podem ser nefastas. Acho que não é necessário explicar com muita profundidade no que consiste esse processo, pois acredito que todos que lêem este blog já passaram por alguma situação em que sentiram-se pressionados a mudarem seu jeito de agir para serem socialmente aceitos: tirar boas notas, pegar mulher na festa, beber até cair, não urinar em sala de aula... qualquer coisa. Como já disse, essa mudança não é necessariamente ruim (sinceramente, eu não gostaria que mijassem na sala aqui de casa). Acho que o buraco é mais embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, personalidades ditas ruins foram consideradas patológicas – a mais exemplar destas é a personalidade anti-social, mais conhecida como personalidade de psicopata. Não quero defender os crimes cometidos por psicopatas por aí, pois acho que qualquer ser humano que conscientemente (1) se torna um risco para outros e não sente remorso por isso, ou, se remorso for pedir demais, não ver vantagens em ser socialmente adaptado, ele deve ser mantido fora da sociedade. Deve ser tratado com dignidade e respeito, mas isolado para que não cause danos a ninguém. Entretanto, muitas pessoas são discriminadas por características comportamentais e personológicas que são mal-vistas por causa de crenças coletivas infundadas. Entre essas pessoas encontram-se psicóticos, Autistas (3), “portadores” (2) de Transtorno de Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade (TDA/H), e outros cujos comportamentos estão definidos no DSM ou na seção 7 da CID (4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que se enquadram em uma ou mais destas definições não são perigosos por causa de seus transtornos. Admito que um psicótico em surto pode ser bem perigoso, especialmente se ele achar que é Azrael o Anjo da Morte e que a hora de todos os seus vizinhos chegou (5), mas não é durante o surto que o preconceito acontece (até porque não dá tempo de fazer isso enquanto se tenta impedir que Azrael te decapite a pauladas), mas depois, com as rubricas sociais: “te cuida com aquele ali, ó, ele já foi pro São Pedro (6) quatro vezes. É louco de pedra!”; “é doido, coitado. Segura tua bolsa, querida.”; “lugar de louco é no hospício!” O sujeito pode ser a criatura mais mansa do universo, mas a mancha está lá, e ele está condenado ao limbo da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os autistas, a coisa é um pouco mais complicada. Em termos gerais, o distúrbio caracteriza-se por uma grande dificuldade de socialização, de empatizar com outras pessoas e tendência a ficar muito tempo em seu “mundo interior”. Há casos mais sérios, mas o núcleo comportamental comum a todos que se encaixam no espectro autista está aí (se estiver errado ou incompleto me corrijam). Isto não é necessariamente ruim, e não o é na maioria dos casos, mas como dificuldade de socialização é uma coisa socialmente mal-vista (DÃ!), e muitos pais de crianças autistas sentirem na pele como é duro seu filho não olhar em seus olhos, faz-se de tudo para desenvolver técnicas para que eles tornem-se mais capazes destas coisas e saiam de dentro de suas conchas. De novo, considerando as coisas positivas que socializar-se traz, não vejo nada errado com isso. Só que o processo é bem duro, e muitas vezes maltrata os autistas. Por exemplo, autistas que tomaram remédios para tornarem-se mais mansos relatam que sentiam-se mentalmente inertes. Em uma situação mais cruel, autistas têm os olhos muito sensíveis para luzes fluorescentes, e quando entram em recintos iluminados predominantemente por lâmpadas deste tipo começam a gritar, fazer escândalo, essas coisas que a gente não quer ver por aí, por que dói. Para que isto não aconteça (e para que os pais dos autistas sintam-se como pais normais), as crianças são condicionados via Análise Aplicada do Comportamento para não emitirem este comportamento. A dor nos olhos continua, mas pelo menos eles são bons meninos e boas meninas, e é isso que conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema dos “TDA/Hs” é diferente. Eles são perfeitamente capazes de socialização, mas tem maior dificuldade do que a média da população para concentrar-se em uma tarefa só e manter-se nela por um período considerável de tempo, e precisam estar em constante movimento, além de “viajarem” com muita facilidade (de forma similar aos autistas, TDA/Hs são bastante introspectivos). Trazendo para o plano concreto, é mais difícil para eles prestarem atenção em aulas (especialmente expositivas) e trabalharem, pois não conseguem prestar atenção direito e ficam “brincando” de alguma forma para manterem-se em movimento (por exemplo, malabarismos de uma mão só, com canetas, controles remotos e similares). Não é que não consigam – é só bem mais complicado. Sou um paciente com TDA/H típico, e sinto na pele estes problemas. Falando por experiência própria, quando preciso trabalhar, eu trabalho, e quando preciso estudar, eu estudo. A diferença entre eu e uma pessoa não-TDA/H é o tempo que eu levo para sair de um estado passivo de vadiagem para um estado ativo de estudo/trabalho. Em um panorama mais geral, são poucos portadores deste transtorno que não conseguem realmente trabalhar – se a preguiça é a mãe da necessidade, a necessidade é mãe do trabalho árduo. Adultos que dependem de seu salário sabem que, se vadiarem, vão para rua. Inclusive TDA/Hs. Quem mais sofre com este “problema” são as crianças em idade escolar. Não conseguir parar quieto em aula não só é um comportamento mal-visto, mas é encarado como desrespeito pelo professor e falta de interesse em aprender por parte do aluno. Não considero aulas expositivas o modelo de ensino ideal para ninguém, mas, como sinto na própria pele, é muito pior para quem têm déficit de atenção e/ou hiperatividade (7). Assuntos que em outro contexto seriam muito interessantes tornam-se francamente aversivos, como Física ou Química, e o aluno TDA/H sofre muito mais para estudar (esqueci de dizer que a tolerância à frustração para portadores deste distúrbio é menor do que a média da população). E daí, dá-lhe &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ritalina"&gt;ritalina&lt;/a&gt; pro guri parar quieto e obedecer o professor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade perfeita, a distância entre o socialmente aceitável e o existencialmente mais agradável seria a menor possível, permitindo que as pessoas convivessem em harmonia, mas não tolhessem seu crescimento pessoal e potencialidades para tanto. Não é assim onde nasci e me desenvolvo. Os remédios e técnicas utilizados para tornar estas pessoas mais socialmente aceitáveis funciona e trás benefícios claros – um surto psicótico causa danos irreparáveis no cérebro, e quanto mais puderem ser evitados, melhor, e não há via mais eficiente que o tratamento farmacológico (8). Posso dizer o mesmo para autistas e TDA/Hs, pois ambos se beneficiam de certos tratamentos. Entretanto, a personalidade destes, seu próprio modo de ser é mutilado, destruído até. E por que isso? Por causa de uma sociedade incapaz de acolher e aceitar as diferenças. Soa patético e piegas isso, eu sei. Mas é real. Não foram poucos os psicóticos, autistas e hiperativos que demonstraram aptidões artísticas e científicas excepcionais. O São Pedro está cheio de artistas; desconfia-se que Einstein era aspergher, e pode-se inferir com bastante certeza de que Jung era um TDA/H também (e eu, é claro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, um grupo de autistas e simpatizantes trocou idéias e uniu-se pela causa de garantir maior liberdade para os autistas poderem ser o que são – autistas. Como eles próprios afirmam, eles são cidadãos de pleno direito, mas com um funcionamento cerebral diferenciado. Chamam sua causa de Neurodiversidade. Acredito que o mesmo pode ser dito dos outros “transtornos” que citei aqui, e esta busca ampliada para incluí-los também. Por que não considerá-los formas de personalidade diferentes? O próprio Jung, segundo diz meu pai, identificara o TDA/H antes dos psiquiatras do DSM o classificarem. Mas ao contrário destes, Jung o definiu como sendo a personalidade intuitiva – cujo foco libidinal é mais voltado para o mundo interior. Bem diferente da doentificação psiquiátrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não defendo deixar os autistas viverem como estão, deixar os psicóticos em surto correndo por aí ou os TDA/Hs eternamente perdidos em suas divagações – isto não seria saudável. Em sua obra, Jung fala do processo de Individuação. Este processo de crescimento se dá através do desenvolvimento das funções pouco desenvolvidas em nós: introvertidos tornam-se mais extrovertidos, pessoas racionais tornam-se mais emotivas; o contrário também acontece (9). Acredito que, em uma sociedade ideal, nossas diferenças seriam respeitadas, mas nos seria permitido desenvolver aquilo que precisamos para nos tornarmos indivíduos únicos e saudáveis, e acredito que, se desejamos que tal sonho torne-se realidade, devemos primeiro criar uma sociedade mais neurotolerante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;1. A questão da consciência em psicopatas me soa complicada demais para poder dizer se eles possuem consciência ou não de seus atos, mas considerando que muitas pessoas com transtorno de personalidade anti-social são muito inteligentes e capazes de elaborar detalhadamente planos para longo prazo, vou assumir que eles têm consciência de que o que fazem é errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Palavra ruim, eu sei, mas não consigo pensar em nenhuma melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Por motivos práticos, considero autista todos os portadores de condições que se encaixam no espectro autista, como a síndrome de Asperger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. DSM = Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, atualmente na quarta edição revisada; CID = Classificação Internacional de Doenças, atualmente na décima edição. A seção 7 da CID é de transtornos mentais (se não me engano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Nesse caso, internação em uma ala psiquiátrica de hospital geral com vigilância faz MUITO sentido. No momento aqui no Brasil, e mais especificamente em Porto Alegre, os psicóticos surtados são internados em hospitais psiquiátricos, mas por motivos que não quero comentar aqui, não é a situação ideal. O Marcelo já falou sobre isso &lt;a href="http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/reforma-psiquitrica-uma-viso.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/reforma-psiquitrica-e-poltica-2-um.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Hospital Psiquiátrico São Pedro, também conhecido como “O Glorioso”. Pelo menos é assim que o diretor daquela joça chama o lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Nunca conversa informal esses dias, o Lobo da Estepe (outro TDA/H óbvio e assumido) disse que a escola ideal para um TDA/H seria um parque de diversões com livros em locais específicos e bem chamativos, para que as crianças pudessem movimentar-se e ler à vontade quando achassem melhor. Os professores ficariam por perto para tirar dúvidas e cuidar para que os moleques não se esfolem além da conta (por que infância sem joelho ralado não existe). Talvez isso não funcionasse em uma escola primária, mas eu certamente adoraria se a Psicologia da UFRGS funcionasse dessa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Claro que, para alguns, o melhor remédio é um “bom ambiente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Na tipologia jungiana, há quatro funções psíquicas diferentes, além dos pólos extroversão-introversão da direção da libido: sensação, pensamento, intuição e emoção. Simplificando bastante, intuição é a função oposta de sensação, e pensamento a oposta de emoção. Cada pessoa tem uma dessas como função primária, a mais importante e desenvolvida, outra como função secundária, auxiliar à primária e tão desenvolvida quanto, a terciária e a quaternária, que são muito pouco desenvolvidas se comparadas com as duas primeiras. No processo de individuação, busca-se harmonizar estas funções e torná-las igualmente desenvolvidas. Se dispostas em um círculo, as quatro funções ficariam cada uma em um ponto cardeal, sendo seu centro o Self (arquétipo do desenvolvimento humano máximo e ideal a perseguir). Para uma melhor explicação, clique &lt;a href="http://webspace.ship.edu/cgboer/jung.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; (em inglês).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-1248360183421926406?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/1248360183421926406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=1248360183421926406' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1248360183421926406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1248360183421926406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/sociedade-personalidade-e.html' title='Sociedade, Personalidade e Neurodiversidade'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-2390824472085203462</id><published>2008-05-18T19:57:00.000-07:00</published><updated>2008-05-18T20:01:37.843-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reforma Psiquiátrica'/><title type='text'>Reforma Psiquiátrica - Uma Visão</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" mce_style="text-align:justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;"Quem não se comunica, se trumbi&lt;/b&gt;&lt;b&gt;ca!"&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" mce_style="text-align:justify;"&gt;De quinta-feira pela manhã até sábado à tarde eu estive envolvido com a 4ª edição do &lt;a title="Mental Tchê" href="http://mentaltche.wordpress.com/" mce_href="http://mentaltche.wordpress.com/" target="_blank"&gt;&lt;b&gt;Mental Tchê&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;, o maior congresso do estado sobre Reforma Psiquiátrica, que ocorre todos os anos em São Lourenço do Sul.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" mce_style="text-align:justify;"&gt;A temática deste ano girava em torno da mídia e de como ela é extremamente enviesada no que diz respeito à veiculação de informações sobre a reforma psiquiátrica. De modo geral, não existe divulgação da grande imprensa sobre este evento, por exemplo, apesar de reunir mais de duas mil pessoas da área. Além disso, a reforma psiquiátrica e os serviços substitutivos do SUS costumam ser negligenciados pelas manchetes, aparecendo somente os furos do sistema.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" mce_style="text-align:justify;"&gt;A proposta do evento incluía fazer uso de redes alternativas de comunicação para espalhar a boa palavra da luta anti-manicomial. E eu, como blogueiro e mentaleiro, farei minha parte!&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" mce_style="text-align:justify;"&gt;São Lourenço do Sul é uma das cidades pioneiras e mais engajadas no Brasil no que diz respeito aos serviços substitutivos dos antigos manicômios. Estes últimos foram durante muito tempo o único recurso utilizado para as pessoas portadoras de sofrimento psíquico grave (nosso novo jargão para substituir a palavra &lt;i&gt;louco&lt;/i&gt;). A Reforma Psiquiátrica, no entanto, propõe o fechamento destes hospitais psiquiátricos e sua substituição por uma rede de serviços alternativos. São Lourenço, apesar de ter apenas 45 mil habitantes, possui três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e alguns leitos no hospital geral para a sua população. É uma proporção bastante elevada. Os CAPS são casas onde pessoas em crise podem passar o dia, engajando-se em atividades terapêuticas e recebendo atenção, contudo sem serem privados de sua liberdade e de um tratamento humano. Os hospitais gerais são a resposta da Reforma para aqueles casos em que a internação é absolutamente necessária. Um hospital geral é muito menos estigmatizante, excludente e opressivo que um manicômio.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" mce_style="text-align:justify;"&gt;Inspirada nas idéias e ações do psiquiatra italiano Franco Basaglia, esta luta anti-manicomial já está acontecendo aqui no Brasil há alguns anos, tendo em 2001 recebido &lt;a title="Lei Paulo Delgado" href="http://pt.wikisource.org/wiki/Lei_n%C2%BA_10.216_%286_de_abril_de_2001%29" mce_href="http://pt.wikisource.org/wiki/Lei_n%C2%BA_10.216_%286_de_abril_de_2001%29" target="_blank"&gt;diretrizes federais&lt;/a&gt; para a reformulação do modelo de atenção à saúde mental. Com isso criaram-se os CAPS e outros vários projetos visando a extinção gradativa dos manicômios e um tratamento mais humano aos ditos "loucos", além de uma concomitante intervenção cultural visando a ressignificação da loucura na nossa sociedade. Tirar os loucos de dentro dos hospícios e trazê-los de volta para as ruas implica mudar a primitiva e alienada concepção que o senso-comum tem dos loucos, vistos quase que invariavelmente como imprevisíveis, descontrolados e potencialmente violentos. A realidade da loucura não é bem assim, mas sobre este assunto poderei falar melhor em outra ocasião.&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" mce_style="text-align:justify;"&gt;O grande problema é que o movimento anti-manicomial encontra muitas resistências, incluindo falta de financiamento estatal, além de uma desconfiança e má vontade dos setores mais conservadores da sociedade e uma oposição de alguns segmentos da classe psiquiatra. Deste modo, os resultados da ainda jovem batalha em prol da Reforma Psiquiátrica são mostrados com muita parcialidade, enquanto os investimentos necessários para levar adiante os projetos não estão sendo efetivamente cumpridos, o que compromete também o andamento do processo. Algumas vezes a Reforma Psiquiátrica é retratada como um movimento na direção errada, que causará mais mal do que bem para os pacientes e para a sociedade. Isso é um equívoco. Os seus méritos são inúmeros. Eventos como o Mental Tchê permitem que isso tenha uma visibilidade gritante. Eu poderia falar muito mais sobre o valor desta causa, mas no momento o tempo não me permite. Basta dizer que é uma das poucas coisas na psicologia que eu realmente acho que valem a pena.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-2390824472085203462?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/2390824472085203462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=2390824472085203462' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/2390824472085203462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/2390824472085203462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/reforma-psiquitrica-uma-viso.html' title='Reforma Psiquiátrica - Uma Visão'/><author><name>Marcelo Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14328810238952961871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-8526161652448443543</id><published>2008-05-14T20:13:00.001-07:00</published><updated>2008-05-14T20:13:44.577-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Religião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Ciência e Religião</title><content type='html'>É inato no ser humano buscar a verdade – considero isso um fato universal a todas as pessoas de todos os tempos. Entretanto, o mesmo não pode ser dito dos meios utilizados para buscar essa verdade. Atualmente, existem dois caminhos majoritários, que apesar de não serem auto-excludentes, frequentemente são colocados como exatos opostos: ciência e religião. Ambos são meios válidos para apreender a realidade do mundo, entretanto, diferem radicalmente no modo de funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência trabalha com hipóteses, e seu princípio fundamental é a dúvida, pois um “cientista sem uma questão não é ninguém” diria Aristóteles. Com base no falseamento, o cientista busca alcançar um conhecimento mais sólido e válido, partindo do que já era previamente conhecido. Trocando em miúdos, o cientista formula uma hipótese, desenvolve uma metodologia para testá-la e então, baseado nos testes empíricos, confirma, refuta ou reformula sua hipótese original. A religião, por outro lado, é muito mais simples: um representante do poder divino é imbuído com o conhecimento eterno, e então ele o transmite para outras pessoas, que acreditam ou não no que lhe dizem. Digo mais uma vez que ambos os caminhos são maneiras válidas para compreender a realidade e que não são conflitantes entre si, pois a natureza que ambos tentam apreender é qualitativamente diversa. Enquanto a ciência enfoca o mundo material e seus fenômenos, a religião explica o mundo imaterial, transcendente, divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conflito que atualmente existe entre estas duas vias é o desejo político de alguns de, utilizando-se de seus métodos específicos, refutar os pressupostos do outro (1). Por exemplo, muitos cientistas de renome como Richard Dawkins tem efetuado o que se pode chamar de “cruzada” contra as igrejas evangélicas. Mas devo dizer que quem começou a briga foram os evangélicos, que querem a todo custo que seja ensinado nas aulas de ciências a Teoria do Design Inteligente – um nome bonito para Criacionismo – com status de igualdade com a Teoria da Evolução. Dawkins, um biólogo evolucionista, não poderia deixar barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de ter dito anteriormente que ciência e religião são caminhos igualmente válidos e que podem conviver pacificamente, acredito que não podemos confundi-los. Sendo mais específico, não podemos deixar a religião tomar o lugar da ciência, muito menos a ciência tornar-se uma religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grosseiramente falando, a ciência lida com incertezas, e assim progride, trazendo maior conforto e saber para a humanidade, enquanto a religião lida com certezas, permanece imutável e dá segurança e solidez para aqueles que a procuram. Para quem estuda alguma disciplina científica ou possui um apurado pensamento lógico, é evidente que cada vez mais a ciência se encarregará de responder questões que anteriormente pertenciam à alçada da religião. A astronomia hoje é considerada uma disciplina solidamente estabelecida como ciência, e ninguém (de bom senso) questiona se a terra é redonda ou se o sol é o centro do sistema solar. Existem sólidas evidências que corroboram para que a Teoria da Evolução seja considerada “verdadeira”: descobriram-se muitos fósseis de animais extintos que deram “origem” a espécies atuais, foi observada a seleção das populações melhor adaptadas para viver em determinados ambientes e a extinção de espécies e subespécies mal-adaptadas ao seu habitat. Por ser impossível criar um experimento que manipule diretamente a Evolução, não podemos considerá-la uma teoria absolutamente comprovada, mas temos muitos motivos para acreditar que é uma metateoria boa demais para ser refutada. Contudo, Darwin é mais polêmico que Copérnico por que na Bíblia não há um tratado de astronomia, mas há uma descrição bastante detalhada de como Deus criou todos os animais em um dia, o homem no outro e descansou no último. Por refutar a história bíblica do livro de Gênesis, que narra a criação do universo, o Evolucionismo é uma heresia, e põe em xeque a fé de bilhões (2) de pessoas de que um Deus todo poderoso existe. Pessoalmente, acredito que a Teoria da Evolução não é tão poderosa assim, e não consegue refutar a existência de Deus. Ainda assim, considerando que muitas pessoas religiosas apresentam pensamento “preto ou branco”, falsear um aspecto menor de sua crença é o suficiente para deixar milhões em pé de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizando-se do argumento de que a Evolução é “apenas uma” teoria dentre muitas, os criacionistas defendem que a Teoria do Design Inteligente (que um ser superior criara todos os seres vivos do planeta) deve ser ensinada como alternativa nas aulas de biologia. Já falei que a Evolução não é só “apenas uma” teoria, mas A Teoria biológica mais versátil e avançada de que dispomos, tanto que ela tem sido generalizada para muitos outros campos, entre eles a Psicologia. O Design Inteligente, por outro lado, é apenas a reformulação de um dogma milenar, que explicou e deu conforto para muitas pessoas no passado, mas que não possui nenhuma base científica sólida – apenas o desejo da parte de muitos para que seja verdade. Mas como disse &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Adams"&gt;John Adams&lt;/a&gt;, fatos são coisas teimosas, por que continuam sendo fatos apesar de nossa vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não concordo com tudo o que Dawkins e outros de sua classe dizem, mas acho perfeitamente razoável que eles armem um contra-ataque filosófico forte contra os crentes. Abandonar uma teoria versátil, dinâmica, flexível e que permite que inúmeras pesquisas novas se desenvolvam a partir dela, e substituí-la por outra engessada, rígida e tão conservadora que não permitiria nenhuma nova descoberta (3) seria uma catástrofe. Aplicar o rígido pensamento religioso para a ciência não pode trazer nada de positivo, justamente por impedir inovações, e estimular o comodismo intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar desta minha apaixonada defesa do pensamento científico, sinto-me no dever de apontar os riscos que ele encerra. Considero a verdadeira Ciência inatacável, pois um cientista verdadeiro, comprometido com a busca da verdade, honesto consigo mesmo e com os demais beneficiará o mundo muito mais do que o prejudicará, creia ele em Deus ou não, pois sua conduta o coloca acima de disputas políticas mesquinhas. Por outro lado, muitos centros de pesquisa científica fazem qualquer outra coisa, menos Ciência. De fato, é muito comum uma disciplina anteriormente científica transformar-se em um culto organizado em torno de suas “descobertas”. O exemplo mais bem-acabado disto é a Psicanálise. Esta disciplina, criada no fim do século XIX por Sigmund Freud, tinha originalmente o intuito de estudar os processos psicológicos profundos dos seres humanos. Freud considerava o método científico o melhor disponível para estudar qualquer coisa, e a Psicanálise foi estruturada de forma a ser uma ciência natural. Se isso tornou-se realidade, é outra história. Como disse antes, a ciência lida com hipóteses mutáveis, e a religião lida com certezas permanentes. Freud aparentemente esqueceu-se disso, e quem quisesse se tornar um psicanalista deveria aceitar incondicionalmente os pressupostos psicanalíticos. Quem discordava deixava de ser discípulo e era expulso do clubinho. Adler, Jung e Reich que o digam. As contribuições do velho Sigmund para a Psicologia são inestimáveis, pois os questionamentos feitos por ele permitiram que muitas e muitas pesquisas novas florescessem, e o conhecimento que possuímos sobre nós mesmos seria muito menor se não fossem os insights freudianos. Entretanto, Freud poderia ter feito uma colaboração muito maior para a humanidade se tivesse considerado a possibilidade de estar errado em algum ponto de sua teoria, e a mantivesse aberta para reformulações propostas por outros que não ele (4). Hoje, a Psicanálise Freudiana Ortodoxa é considerada uma mera pseudociência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pseudociências, de maneira geral, são cultos religiosos que se passam por ciências sérias, cujos pressupostos são rígidos, inflexíveis e absolutos, além de contarem com um embasamento empírico muito duvidoso (5). O processo para tornar-se membro de determinado grupo ou movimento pseudocientífico é muito similar ao processo para tornar-se membro de uma igreja. Para poder entender as teorias dele, é necessário primeiro estudá-lo. Não apenas ler os artigos e pensar a respeito, mas fazer cursos, participar de conferências e perder um bom tempo lendo e relendo os textos mais básicos até entender. Depois de tanto dinheiro investido (por que, acredite, esses cursos não são baratos, pelo menos no caso da Psicanálise) e tempo utilizado para melhor compreender as idéias propostas pelo grupo, elas passam a fazer sentido para você – e este conhecimento te difere dos demais mortais e te eleva perante eles. Você se torna um igual perante os demais membros do movimento. Isto se chama “iniciação”. Depois da iniciação, você poderá ler os textos mais avançados, e tornar-se ainda mais erudito e entendido na teoria. Quem não segue este processo não está adequadamente preparado para criticar a teoria, mas o engraçado é que quem faz tudo isso não critica nada! É compreensível, pois deve ser bem humilhante ter que admitir que tudo o que se gastou e investiu foi inútil. É cognitivamente mais econômico ter certeza de que o que lhe ensinaram é absolutamente verdadeiro, e é mais carinhoso ao ego. Karl Jaspers, em seu livro “Introdução ao Pensamento Científico” cita o exemplo de uma discussão que teve com um psicanalista, que alegava que, uma vez que ele, Jaspers, se submetesse à análise, toda a teoria psicanalítica faria sentido para ele. Ou seja, ele precisava colocar-se em posição inferior e receber o conhecimento de fora. O bom existencialista questionou isso na hora. Afinal, qual é a diferença deste processo todo da crisma católica? Começa-se estudando a Bíblia, vai-se crescendo, e no fim do processo, recebe-se a crisma e torna-se um adulto perante Deus. Trocando “Bíblia” por “livro-texto”, “crisma” por “diploma” e “Deus” por “Chefe da Teoria”, temos essencialmente a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer a crisma não é algo inerentemente negativo, pois é um rito religioso que reconhece-se como tal, e não tem nenhuma pretensão científica (geralmente). Mas com as pseudociências, o buraco é mais embaixo. Estes iniciados em obscuras artes não se contentam em aprender a teoria, mas querem pô-la em prática, geralmente cobrando uma boa grana por isso. Aqui em Porto Alegre existia (ou existe) uma clínica especializada em curar síndrome de down através de exercícios de respiração. Quantas e quais pesquisas comprovam a eficácia destes exercícios? Nenhuma. Quanto deve custar para receber este tratamento? Muito. Levando em conta a relação entre custos e benefícios, é vantajoso para uma mãe desesperada pela condição de sua criança fazer um tratamento assim? Nem financeiramente, muito menos emocionalmente. É bem provável que algum iniciado em Dianética (a pseudociência por trás da Cientologia) possa colocar em risco o emprego, o negócio ou até mesmo a vida de alguém ingênuo o suficiente para pagar por seus serviços. Todo cuidado é pouco em situações como estas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os casos que citei são extremos, pois envolvem sentimentos e vidas de seres humanos. Entretanto, há casos mais sutis, onde a única morte é do espírito crítico de estudantes de Ciências Humanas, como Psicologia. Começa-se exigindo que se leiam todos os textos de certa disciplina para então poder criticá-la, que se faça referência aos autores que o professor quer, e pronto! Temos mais alguns seguidores da teoria, que a aceitaram apenas por que ela é misteriosa, complexa, e por ter lido tanto que se passa a acreditar piamente nela (6).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, apesar de tudo que disse, acredito que seja possível que haja uma relação e uma intersecção saudável entre ciência e religião. Apesar de tentarem entender coisas diferentes de formas diferentes, ambas compartilham a busca pela verdade. A religião pode propor os desafios de pesquisa, enquanto que a ciência refuta suas hipóteses. Dogmas imutáveis trazem segurança, mas nos cegam para esta busca. Se as religiões forem capazes de tornarem-se mais flexíveis, autocríticas e questionadoras, provavelmente metade dos conflitos que enfrentamos no mundo hoje perderiam todo o sentido e acabariam. Seria bem melhor viver em um mundo onde as religiões são científicas, e as ciências não são religiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;1. Também ocorrem pesquisas muito interessantes sobre aspectos neurológicos das experiências religiosas, mas que considero muito diferentes dos conflitos abordados neste post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Talvez nem tanto, mas estou me baseando nas estatísticas de que 1,5 bilhão de pessoas são cristãos, e que todos acreditam em tudo o que a Bíblia diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Sério, alguém por favor me diz como eu posso fazer pesquisas utilizando os pressupostos teóricos da Teoria do Design Inteligente. Confirmações fuleiras da existência de Deus não contam como pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Dizer que Freud não reformulou sua teoria da psicodinâmica é ignorância. A questão é que só ele podia fazer isto – os seus seguidores deveriam meramente acatar sua decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Existem teorias que, apesar de não terem um bom embasamento empírico, seja por serem muito novas ou por não existir interesse em pesquisá-las, são boas e contribuem para o progresso científico. Para não ser injustos com estas teorias, os filósofos da ciência as chama de “protociências” – projetos de ciência. Frequentemente a Psicologia como um todo é considerada uma protociência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Juro que nunca tive aulas assim. É sério.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-8526161652448443543?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/8526161652448443543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=8526161652448443543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8526161652448443543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8526161652448443543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/cincia-e-religio.html' title='Ciência e Religião'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-435555570770507563</id><published>2008-05-13T19:35:00.000-07:00</published><updated>2008-05-13T19:36:45.901-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Biologia'/><title type='text'>Senso de Justiça em Primatas</title><content type='html'>Seguindo a série de descobertas científicas de capacidades “humanas” em animais “inferiores”, venho aqui neste blog falar de uma pesquisa conduzida pelo primatologista Frans de Waal (não, não é o cara dos átomos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande descoberta é &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/freakonomics/2008/05/13/ult3431u53.jhtm"&gt;que macacos preferem uvas a pepinos&lt;/a&gt;. OK, admito que dito desta maneira parece imbecil, mas é só explicar a metodologia do estudo para ver que há mais por trás desta afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No estudo, dois macacos recebiam um pedaço de pepino ou uma uva como reforçador de uma tarefa simples. Se os dois recebessem pepinos ou uvas, seria como qualquer outro estudo comportamental com animais, eles seriam reforçados e continuariam a realizar a tarefa. Entretanto, quando um macaco recebia uma uva, enquanto o outro recebia um pepino, o que recebia o pepino se rebelava, parava de realizar a tarefa ou se recusava a comer seu prêmio. Este comportamento dito irracional é chamado de “aversão à iniqüidade”, e é considerado uma virtude entre seres humanos. Alimentos que contém mais açúcares, como uvas, são mais valorizados que outros com menores quantidades, como pepinos. Os macacos que recebiam pepinos consideravam-se injustiçados, e recusavam-se a realizar as tarefas até que a divisão de recompensas melhorasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez estejamos antropomorfizando os pobres coitados, mas acho que vale lembrar que macacos também elaboram Teorias da Mente (em outras palavras, são capazes de interpretar e tentar prever o comportamento de semelhantes), e que eles são mais inteligentes do que o senso comum supõe. Assim sendo, é bonito ver que não somos apenas nós que desenvolvemos um senso de justiça no reino animal, e que pelo menos algumas espécies de macacos também o fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frans de Waal faz um alerta: “Se os macacos já têm problemas em aceitar a desigualdade de renda, pode-se imaginar o que ela faz conosco; cria grandes tensões dentro de uma sociedade, e sabemos que tensões afetam o bem estar psicológico e físico.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não nos voltemos para os procariontes, mas para os primatas com certeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-435555570770507563?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/435555570770507563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=435555570770507563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/435555570770507563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/435555570770507563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/05/senso-de-justia-em-primatas.html' title='Senso de Justiça em Primatas'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-4511456130393609354</id><published>2008-04-24T12:05:00.000-07:00</published><updated>2008-04-24T12:15:23.910-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amoladores de Facas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>Rats Capable Of Reflecting On Mental Processes</title><content type='html'>e as fronteiras vão caindo... Como diria Jorjão, olharemos para qual lado, o dos Deuses ou dos Procariontes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rats Capable Of Reflecting On Mental Processes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ScienceDaily (Mar. 9, 2007) &lt;br /&gt;Let's say a college student enters a classroom to take a test. She probably already has an idea how she will do on the test,  before she even takes out a pencil. But do animals possess the&lt;br /&gt;same ability to think about what they know or don't know?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A new study by researchers from the University of Georgia, just published in the journal Current Biology, shows that laboratory rats do. It's the first demonstration that any non-primate knows when it doesn't know something, and it could open the way to more in-depth studies about how animals--and humans--think.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"This kind of research may change how we think about cognition and memory in animals," said Jonathon Crystal, an associate professor of psychology in UGA's Franklin College of Arts and Sciences. Crystal's co-author on the paper is Allison Foote, a graduate student in the department of psychology at UGA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Researchers have believed for some time that people and non-human primates are capable of metacognition"--reasoning or thinking about one's own thinking. There have been studies on birds about this kind of thinking process, but results thus far have been inconclusive. The new study is the first that shows a non-primate species has metacognition--a proposal that may well be controversial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The study involved what is called a "duration-discrimination" test--offering rats rewards for classifying a signal as either short or long. As in most such tests, the "right" answer led to a large food reward, while a "wrong" answer led to no reward at all. The twist, however, is that before taking the duration test, the rats were given the chance to decline the test completely. If they made that choice, they got a small reward anyway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"If rats have knowledge about whether they know or don't know the answer to the test, we would expect them to decline most frequently on difficult tests," said Crystal. "They would also show the lowest accuracy on difficult&lt;br /&gt;tests that they can't decline. Our data showed both to be true, suggesting the rats have knowledge of their own cognitive states."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It's easy to find out when humans believe they know or don't know the answer to a task or test. You just ask them. With non-verbal animals, it is necessary to used experimental conditions in which a subject can demonstrate&lt;br /&gt;knowledge of a cognitive state through its behavior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The tests asked the rats to discriminate among a number of responses. Sometimes, the choices were relatively easy, and the rats were able to make a choice that generated a large reward. But often, the choices were quite&lt;br /&gt;difficult, and the animals faced a dilemma: Should they continue and take a&lt;br /&gt;chance on the test with the risk of no food reward, or should they just bai=&lt;br /&gt;l&lt;br /&gt;out and take the small, but guaranteed reward?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;One part of the problem, for example, was presenting the rats with a sound and asking them to determine if it was "short" or "long." When the sounds were near the extremes of either end, discriminating was easy. But for sounds with durations in the mid-range, the rats found it extremely hard to know if they were "short" or "long." So what should they do: Guess and possibly be wrong, or simply refuse to take the test and get a small reward?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Our research showed that the rats know when they don't know the answer to a question," said Crystal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The results of the just-published study present a dilemma for those who had previously believed that only primates could achieve metacognition. But it also presents a rodent model that should allow researchers to understand better what animals are "cognitively sophisticated" and why. The research will also open new lines of inquiry about the underlying neural mechanisms of this ability. Reflecting on one's own mental experiences is a defining feature of human existence, and the demonstration of metacognition in rats suggests that this type of cognition may be widespread among animals. Does it mean, for example, that rats are "conscious," and could that also be true of other non-primates?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The research was supported by a grant from the National Institute of Mental Health.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-4511456130393609354?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/4511456130393609354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=4511456130393609354' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4511456130393609354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4511456130393609354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/04/rats-capable-of-reflecting-on-mental.html' title='Rats Capable Of Reflecting On Mental Processes'/><author><name>jeffbass</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09304832032403642185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-7013067345669837115</id><published>2008-04-12T22:06:00.001-07:00</published><updated>2008-04-12T22:06:49.620-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia Positiva'/><title type='text'>A Missão da Psicologia</title><content type='html'>Carl Rogers, o primeiro psicólogo de formação a formular uma teoria psicoterápica e brilhante expoente da Psicologia Humanista, dizia que seria muito mais produtivo e econômico pararmos de treinar psicoterapêutas e nos focarmos em identificá-los. Estaria Rogers sendo determinista, declarando que é inútil treinarmos pessoas que não nasceram terapeutas? Qualquer um que tenha lido algo escrito por ele dirá que não. O que Rogers quis dizer com isso é que a formação psicoterápica (pelo menos de seu tempo) era falha, e que bons psicólogos e psiquiatras clínicos eram bons apesar de seu treinamento, e graças aos seus talentos pessoais. Esta crença foi corroborada por pesquisas realizadas muito tempo depois de Rogers ter partido, em especial a análise feita por Martin Seligman baseado nos dados coletados pela revista Consumer Reports. Basicamente, os dados revelavam que não havia diferença palpável entre as escolas de terapia utilizadas. Ademais, a maioria dos psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais depois contatados definiram-se como sendo “ecléticos”, ao invés de presos por juramento a uma teoria específica. Com base nestes dados, podemos pensar que as teorias atuais de psicologia e psiquiatria diferem apenas em um nível muito superficial, e que todas sustentam-se sob uma base comum – coisas que todo bom psicoterapeuta faz em terapia, independente de sua filiação intelectual. Esses hábitos mais profundos são senso comum entre bons clínicos, mas não o é entre muitos professores universitários, que, pressionados pelo clima de guerra intelectual, focam-se em diferenças epistemológicas e ontológicas bobocas uns contra os outros, e que na melhor das hipóteses esquecem de ensinar o óbvio, e na pior, as abominam e repreendem estudantes que as buscam ou praticam (o que, mais uma vez, mostra que selecionar psicoterapeutas talvez fosse melhor do que treiná-los).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que são essas boas práticas comuns para os bons clínicos, que escapam a visão mais ampla dos acadêmicos? Coisas absolutamente bobas, que qualquer pessoa de bom coração já faz: demonstrar empatia, escutar com atenção, construir relações de confiança e honestidade, e reforçar as qualidades dos pacientes. Martin Seligman chama estas práticas “estratégias profundas”. Pode parecer bobice isso que eu disse, mas mais bobice ainda é o fato de que, por mais necessárias que estas qualidades sejam para um bom psicoterapeuta, os professores dos cursos de graduação e pós-graduação em Psicologia as ignorem. Por que isso acontece? Basicamente, quando a Psicologia foi estabelecida como ciência da saúde, depois da Segunda Guerra Mundial, ela adotou o modelo médico-psiquiátrico de clínica e pesquisa – procure uma doença, encontre e cure. Este modelo funciona muito bem para doenças mais palpáveis, como cardiopatias e dores musculares, mas não é tão eficaz com os elusivos problemas do ramo da psicopatologia. Eu posso identificar a etiologia de um infarto (fumo, bebida, sedentarismo, propensão genética), mas eu posso fazer o mesmo com a depressão? O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR) da American Psychiatric Association mostra que isso não é possível ainda, já que limita-se a descrever a sintomatologia. Esta lacuna dá espaço para muitas teorizações diversas e frequentemente conflitantes, o que permite que não exista contradição para um estudante de Psicologia ter na faculdade aulas de neurofisiologia, psicanálise lacaniana e análise experimental do comportamento. E aqui, volto para o problema das guerras teóricas entre acadêmicos, completando um ciclo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que o modelo médico-psiquiátrico não obteve os mesmos progressos que obteve na cardiologia no campo da psicologia? Pega o DSM e lê algumas páginas. Além de ser surpreendentemente hilariante (como no caso do Transtorno de Pica), é possível perceber um padrão claro no que lá está escrito. Sendo meio ingênuo, só tem coisa ruim. O DSM é um manual incrivelmente útil e um progresso na prática diagnóstica, mas é severamente limitado por focar-se apenas em consertar o que está quebrado ao invés de fortalecer o que há de bom. E é esta a tese que Martin Seligman, ex-presidente da American Psychological Association e um dos precursores do movimento da Psicologia Positiva propõe. Segundo ele, e muitos outros pesquisadores importantes, a Psicologia obteve progressos consideráveis utilizando-se do modelo patológico (encontre o problema e o conserte), tanto que hoje em dia é possível atenuar enormemente os problemas de 14 transtornos mentais. Entretanto, esse modelo por si só está esgotado. A Psicologia tinha três missões antes da Segunda Guerra: curar as doenças mentais, fazer as vidas das pessoas mais felizes e estimular as habilidades de gênios e prodígios. Entretanto, pela doença ter se tornado o problema mais urgente naquela época, e o dinheiro de financiamento para pesquisas ter ido todo para quem buscava consertar doenças mentais, as outras duas foram sumariamente negligenciadas. Entretanto, os clínicos continuaram tacitamente a cultivar as virtudes dos pacientes, apesar de não o perceberem (ou aprovarem conscientemente tais práticas). O exemplo mais óbvio disto vem do próprio Freud. Em 1892, ele tratou e curou Elisabeth von R., uma jovem histérica que apaixonara-se pelo viúvo de sua irmã, e que por isso desenvolveu um problema psicogênico para caminhar. Freud originalmente concluiu que o êxito do tratamento devia-se a sua técnica psicanalítica, mas ao revisar suas anotações sobre o caso, percebeu que suas técnicas terapêuticas nada adicionaram de relevante ao tratamento, o que o levou a concluir que foi um “milagre”. Entretanto, se lermos o caso todo (como Irvin Yalom), veremos que Freud não se limitou ao seu consultório: falou com a mãe da paciente para que esta desse apoio emocional para a filha, constantemente tranqüilizou a paciente de que ela não era uma imoral, bem pelo contrário, que só uma pessoa muito honrada e nobre poderia sentir-se culpada por seus pensamentos, e quando Elisabeth estava curada, Freud foi vê-la dançar em um baile. O brilhante pai da psicanálise fez tudo o que um bom terapeuta faria: estabeleceu uma relação de confiança e honestidade com a paciente, foi um bom ouvinte e fortaleceu o que havia de bom em Elisabeth. Mas apesar de seu sucesso, ele foi incapaz de perceber a mágica que fizera, e preferiu ir chafurdar em sua nihilsta teoria da psicodinâmica e do Complexo de Édipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante quase todo o século XX, a Psicologia tentou imitar a Medicina, e deixou de lado as qualidades humanas, com as notáveis exceções dos psicólogos humanistas Carl Rogers, Abraham Maslow e William James, homens notáveis que cometeram o erro de nascerem em épocas em que suas teorias positivas a respeito da natureza humana não seriam valorizadas, preteridas em benefício de outras, que consideram as pessoas amontoados de emoções negativas e falsidade, ou o tracinho entre um estímulo e uma resposta. Mas suas obras estão sendo retomadas agora com grande ímpeto por milhares de pesquisadores, não só clínicos, mas também sociólogos, antropólogos, economistas e pesquisadores. Um dos mais notáveis esforços de pesquisa empreendidos até o momento foi a criação de um manual taxonômico de qualidades e valores, em moldes parecidos com o DSM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os proponentes da Psicologia Positiva não a imaginam como uma “revolução paradigmática” de que Thomas Kuhn falava (aliás, Seligman admite estar um pouco de saco cheio dessa abordagem histórica), pois não buscam destruir a antiga Psicologia “Negativa”. Na verdade, pretendem apenas complementá-la, e estudar o que até então fora negligenciado, utilizando-se das mesmas ferramentas metodológicas atualmente empregadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Psicologia é ao mesmo tempo ciência da saúde e humana, o que implica que ela, ao mesmo tempo que busca tornar as vidas de todos os seres humanos mais saudáveis, também transcende o sistema de saúde, pois busca tornar nossas vidas mais do que meramente assintomáticas expressões de vida; até então, ela buscou apenas nos tirar de um nível -5 de felicidade para um nível 0. A Psicologia Positiva propõe irmos do 0 para o +5 em felicidade, e não só isso: que esta vida seja produtiva e que tenha um significado. Martin Seligman diz que, tornar a vida das pessoas melhor em todos os seus aspectos é o direito e a missão da Psicologia. Agora é a hora de tomá-la de volta em nossas mãos, e fazê-la acontecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-7013067345669837115?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/7013067345669837115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=7013067345669837115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7013067345669837115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7013067345669837115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/04/misso-da-psicologia.html' title='A Missão da Psicologia'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-7398359257740117517</id><published>2008-04-04T08:13:00.000-07:00</published><updated>2008-04-05T15:48:10.308-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Cambridge, MA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Abstract:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O texto redigido aqui consiste em reproduzir de maneira verbal a minha experiência de presenciar uma aula com o Prof. Steven Pinker em Harvard.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Participantes: R. S. Kreitchmann, Prof. Steven Pinker, e aproximadamente 100 outros seres humanos insignificantes durante a história.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O Ambiente&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para aqueles que não sabem, Harvard localiza-se numa cidade chamada Cambridge, que fica próxima a Boston, apenas sendo separada por um rio. Para chegar nesta cidade, basta entrar em um metrô (lá eles chamam de "T") da linha vermelha, em sentido Alewife, e descer na estação Harvard Square. É interessante comentar que neste percurso passamos também pelo MIT.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eeLsp9i79jY/R_clgAS9ciI/AAAAAAAAAD4/lkQcERf3vVQ/s1600-h/DSC02275.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185654727705981474" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eeLsp9i79jY/R_clgAS9ciI/AAAAAAAAAD4/lkQcERf3vVQ/s320/DSC02275.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegando na quadra da universidade, podemos ver prédios razoavelmente antigos (de 1800, pelo que parecem), mas imitando estilos ainda mais antigos. Há esquilos correndo na grama e restos de neve varrida aos cantos dos muros que cercam a universidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No meio desses prédios antigos há um grande prédio moderno, de vidro e concreto, no qual está escrito "Science Center", e é lá onde estudam ou estudaram alguns dos psicólogos mais citados no meio científico, longe de estar perto da nossa querida UFRGS. Devo dizer que no hall desse prédio&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eeLsp9i79jY/R_ckwQS9chI/AAAAAAAAADw/00d6288FiY8/s1600-h/DSC02277.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185653907367227922" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_eeLsp9i79jY/R_ckwQS9chI/AAAAAAAAADw/00d6288FiY8/s320/DSC02277.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; há vários computadores disponíveis para o acesso dos estudantes e uma fórmula da Etanolamina pairando acima das escadas, significando a origem da vida (diferente dos que defendem a existência de uma alma como origem da vida).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sala onde ocorreu a aula chamava-se "Conference Room B", tinha visual próximo ao de uma sala de cinema, com fileiras de cadeiras estofadas organizadas em patamares. Na frente da sala havia uma tela que aparentava ter uns milhares de polegadas, onde foram projetados os slides do Prof. Pinker.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eeLsp9i79jY/R_cnEwS9cjI/AAAAAAAAAEA/VEC17zoKt1c/s1600-h/DSC02267.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185656458577801778" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eeLsp9i79jY/R_cnEwS9cjI/AAAAAAAAAEA/VEC17zoKt1c/s320/DSC02267.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A Aula&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A aula apresentada pelo Professor Pinker tinha como tema as principais teorias da psicologia (assim consideradas pelo prof.), sendo elas a Psicanálise, o Behaviorismo e o Cognitivismo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Foram trazidas então as principais características de cada teoria, como era de se esperar. No entanto, além do conteúdo básico, Pinker ainda enriqueceu a aula com piadas e críticas (bem fundamentadas) às duas primeiras teorias citadas acima.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Também foi apresentada a utilização dessas teorias no cotidiano dos EUA, através da linguagem, em frases do tipo "He drives that Corvette cause it's really phallic." ou "He's fat because he was brought up to associate food with love."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Porém, diferentemente das aulas dadas na UFRGS, após a apresentação de cada teoria, ainda era apresentada uma avaliação científica da eficácia da terapia dessa mesma teoria. Algo que traz um pouco de cientificidade até mesmo à Psicanálise.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Só fiquei impressionado que em nenhum momento das apresentações foi apresentado um enfoque à pesquisa, e apenas à clínica.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De qualquer modo, essa única aula equivaleu a quase que 1 semestre inteiro de introdução à Psicologia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ah, os slides da aula do Pinker eu posso emprestar caso alguem queira...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Link interessante:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aqui tá o link do MBB (Mind, Brain and Behavior) de Harvard: &lt;a href="http://mbb.harvard.edu/"&gt;http://mbb.harvard.edu/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-7398359257740117517?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/7398359257740117517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=7398359257740117517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7398359257740117517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7398359257740117517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/cambridge-ma.html' title='Cambridge, MA'/><author><name>R.S. Kreitchmann</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00013664270477555989</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eeLsp9i79jY/R_clgAS9ciI/AAAAAAAAAD4/lkQcERf3vVQ/s72-c/DSC02275.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-3680985582811911521</id><published>2008-03-30T10:21:00.001-07:00</published><updated>2008-03-30T10:36:14.311-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Discussão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reforma Psiquiátrica'/><title type='text'>Reforma Psiquiátrica e Política 2 - Um Diálogo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:85%;" &gt;[Discussão feita a partir do texto previamente publicado "A Reforma Psiquiátrica - Verdades, Mitos e Política".]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Mas então, o que tu fez nesse texto foi questionar os argumentos favoráveis à reforma, ou pelo menos favoráveis à reforma tal como ela aí está.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Questionamento que nunca é feito por quem é favorável à reforma psiquiátrica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Tu não chegou a apontar o dedo para coisas mais específicas, até porque tu não conhece o CAPS por experiência e nem o sistema psiquiátrico muito bem. Mas sim, o questionamento é válido. Este ano minha geração de Amoladores foi toda para a rua. Todos os malucos foram fazer AT, que é um xodó da reforma psiquiátrica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Foram para a rua no sentido de irem para o "mundo real"?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Exato. O Bruno inclusive está no São Pedro. E me falou que vai passar essa semana inteira estudando sobre crack. Porque deu merda com um dos moradores lá do Morada e ninguém sabe muito sobre crack. Então ele tem o nobre dever de estudar sobre algo que realmente será convertido em ajuda real para alguém.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Algo incomum em Psicologia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Certamente. Mas então, eu entendo que tu esteja irritado com as argumentações supérfluas e enviesadas dos nossos caríssimos amigos psicólogos. However, antes de mais nada, me diga tu tem algum argumento interessante para fazer diretamente contra o CAPS e seu contexto? Não precisa ser nada de mais, só quero entender de onde vem o teu raciocínio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Na verdade, não tenho nenhum argumento contra o CAPS, até por que só sei o básico do básico a respeito dele. Meu raciocínio vem daquela discussão sobre "política tudo é".&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Será que o serviço do sistema substitutivo não melhoraria se a política fosse deixada um pouco de lado? Tá, tem o SIMERS e o CREMERS em cima da Câmara dos Deputados sempre tentando reverter a reforma, o que obriga os mentaleiros a formar uma tropa de choque contra esses ataques. Mas nessa lenga-lenga toda, não jogaram o bebê junto com a água do banho, e se esqueceram que a missão deles não é instituir &lt;i style=""&gt;la revolución&lt;/i&gt; psiquiátrica, mas atender bem aqueles que procuram ajuda?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Pois é. Vocês não têm psicologia escolar ainda, não é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Acho que Processos Institucionais "engoliu" Escolar e Trabalho. Mas não tenho muita certeza. Vamos dizer que não tivemos Escolar ainda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Ah. Bom, com sorte vocês ainda verão, então, que muita coisa de TODOS os sistemas seria melhorada se deixássemos a política de lado. A rede de educação municipal é uma folha ao vento das políticas governamentais rotativas. É uma loucura. E deixar isso de lado é muito tentador. A tecnocracia sempre esteve presente nas utopias dos romancistas. Só que isso é meio difícil de fazer, pra não dizer impossível. O problema dessas coisas é que não existe uma resposta certa. Não existe um método "bom". Então tu tem que escolher e aí entra a política. Sempre que tiver escolha, vai ter política. Não vai ter política quando tu puder impor as coisas. E mesmo assim tem política pra fazer os outros aderirem. Ainda mais nessas coisas intimamente governamentais, como educação e saúde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Agora, quanto à reforma em si, eu já fui no CAIS mental centro, que é um CAPS. Algumas coisas que se fazem lá são bem criticáveis. E eu não duvido nada que os mentalmente transtornados morrendo na rua lá não sejam por culpa dos CAPS, em algum grau. E que isso seja ruim. Mas no geralzão da coisa eu ainda penso por um outro ângulo: o mérito do CAPS por enquanto é que alguns que se salvam vão viver uma vida decente. Ou no mínimo razoável, digna de alguma forma. Tem gente que morre na rua, tem gente que morre nos hospitais. Perdas haverá igual. Mas no hospital fica todo mundo chapado andando em círculos. - Ou não! - Eu também não tenho certeza se é assim. Mas é assim que se costuma retratar. E no CAIS eles jogam futebol com o Luciano. Tsc tsc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Eu ia fazer um comentário sobre pessoas chapadas andando em círculos no Instituto de Psicologia...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;HEASHEHASHESA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;Jogar futebol com o Luciano pode não ser taaaão melhor. Mas é um pouco melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;O que eu questiono é esse enfoque exclusivo sobre a política. "Já que não existe uma atitude certa, todas estão erradas, e portanto a minha é melhor porque é minha".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;É, isso é obviamente uma porcaria. Política exclusiva não ajuda muito. Eu to ligado no que tu tá querendo dizer. Tem gente que tá esquecendo a saúde pra defender uma bandeira. À lá MST ou algo assim. Vira uma massa de manobra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Às vezes eu acho que nós somos essa massa de manobra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Marcelo Duarte diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;"Vamos defender os CAPS porque os psiquiatras são maus e ponto" Claro que não dá pra ser assim. E eu te apóio na tua crítica. É muito fácil tu ficar emburrado com a classe médica e deixar a crítica morrer aí. Até porque, eu sou obrigado a te dizer que os médicos são foda MESMO. Eles fazem por merecer as críticas que recebem. Mas mesmo assim, não dá pra fechar os olhos e sair chutando. Right?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Palatino Linotype&amp;quot;; color: rgb(64, 0, 0);"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 3.6pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: rgb(84, 84, 84);"&gt;Andarilho diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg&amp;quot;; color: black;"&gt;Right-o.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0.9pt 0.0001pt 13.85pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-3680985582811911521?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/3680985582811911521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=3680985582811911521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3680985582811911521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3680985582811911521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/reforma-psiquitrica-e-poltica-2-um.html' title='Reforma Psiquiátrica e Política 2 - Um Diálogo'/><author><name>Marcelo Duarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14328810238952961871</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-864952513580578268</id><published>2008-03-29T19:45:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.585-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reforma Psiquiátrica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>A Reforma Psiquiátrica - Verdades, Mitos e Política</title><content type='html'>&lt;p&gt;Estava pensando um dia desses sobre o que vejo na faculdade, e o tema da Reforma Psiquiátrica e do Movimento Antimanicomial vieram-me instantaneamente à mente. Tive aulas de Psicologia Social e Políticas Públicas com Simone Paulon, uma das principais pesquisadoras da área, compareci à terceira edição do Mental Tchê em São Lourenço do Sul e muito ouvi meus veteranos falarem a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, os princípios que norteiam a luta antimanicomial são os da humanização dos serviços de saúde mental, e por uma maior descentralização do poder dentro destes serviços, agora concentrados nas mãos dos psiquiatras. O ideal da reforma psiquiátrica é, em outras palavras, garantir que seus usuários sejam tratados como os seres humanos que são, e não como os internos de hospícios tem sido historicamente tratados, como animais. Neste ponto, acho que todos, desde psiquiatras até psicólogos concordariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não consigo parar de me questionar se a reforma psiquiátrica até agora empreendida conseguiu fazer o que se propôs. Ela está dando certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certa freqüência, vejo notícias de jornais falando sobre como usuários de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que deveriam de certa forma “substituir” os hospitais psiquiátricos, são mau atendidos, não recebem seus remédios, que vivem um constante “entra-e-sai” do CAPS. Estes jornais frequentemente defendem que isto não pode continuar desta maneira, e que a única solução seria restabelecer os manicômios. Vários colegas de curso, ao se depararem com tais reportagens, saem bradando que a mídia é “reacionária” e que foi “comprada” pelos psiquiatras. Poderia pensar assim também, e não ter que agoniar-me com as dúvidas que agora me afligem, e ser aceito como mais um feliz estudante de Psicologia com pensamento crítico, mas prefiro ser levemente reacionário e ignorante, e questionar se o que estes jornais afirmam (o mau atendimento de usuários de CAPS) é verdadeiro ou não. E, usando um pouco do abominado senso comum, não vejo o que a mídia teria a ganhar fabricando notícias sobre o sistema substitutivo. Nenhum jabá corporativo valeria a sua credibilidade se este sistema funcionasse perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admito minha ignorância a respeito deste assunto, pois não conheço nenhum CAPS por dentro, e as poucas coisas que conheci a respeito da reforma psiquiátrica me foram apresentadas por seus defensores, o que torna seu testemunho um tanto quanto suspeito. Sempre que ouvimos um psiquiatra criticar a reforma psiquiátrica, dizemos que ele é “enviesado” e tem “motivações políticas”, pois seu poder com esta reforma esta se esvaindo. Mas por que não dizemos o mesmo quando um psicólogo defende a reforma, pois ele está ganhando poder com ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma questão complicada. Ouço dizer bastante que por trás de toda teoria técnica há um discurso político. Que os psiquiatras defendem os hospitais psiquiátricos por que nestes eles detêm poder absoluto. Mas isto torna a eficácia das técnicas psiquiátricas nulas, meros epifenômenos do sistema político da saúde mental? Sei que, historicamente, pacientes psiquiátricos foram simplesmente empilhados em prédios sujos e escuros e lá esquecidos, mas será que foi (e é) assim mesmo? Mais uma vez, admito minha ignorância, pois nunca conheci um hospital psiquiátrico de verdade. Fui no São Pedro uma vez, mas acho que não posso tomá-lo como modelo, já que, por ter sido o primeiro do estado, ele é um símbolo da força dos psiquiatras, e portanto é um alvo preferencial dos ataques reformistas. Acho que a Clínica Paulo Guedes de Caxias do Sul seria um melhor exemplo, por ser um tanto quanto ignorada no plano político estadual (nunca me falaram nada a respeito dela. É só São Pedro na cabeça).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi um e-mail uma vez, através da lista do COREP, falando sobre uma dessas reportagens “reacionárias” que saiu n’O Globo do Rio de Janeiro, sobre pacientes psiquiátricos morrendo na rua. Não lembro direito dos detalhes, mas lembro que o autor da mensagem conclamava a todos nós a repudiar a tal da reportagem, e a trabalhar rapidamente para “conter os danos causados” por ela. Por “contenção de danos” neste contexto, imagino que fosse convencer a opinião pública de que a reportagem não refletia a realidade. Não sei se reflete, e confio que meus colegas mais experientes esclareçam este tópico. Mas fico pensando... por que a mensagem deste e-mail era sobre “conter os danos causados” pela reportagem, e não “impedir que mais mortes aconteçam” por causa das falhas do sistema substitutivo? Os argumentos de que não há dados estatísticos sobre as mortes dentro de hospitais psiquiátricos, e que se mantivermos o apoio da opinião pública, a reforma poderá continuar, e a condição geral dos usuários do sistema de saúde mental melhorará foram os primeiros que eu usaria em defesa da contenção de danos e de uma publicidade eficiente. Mas um mestre de Karatê me perguntou durante um treino: o que é melhor: ser eficiente ou parecer eficiente? É uma posição filosófica bem diversa da máxima maquiavélica de que parecer é mais importante do que ser. Além disso, devo admitir que Artes Marciais e Políticas Públicas são domínios bem diversos, e que muitas coisas que se aplicam à uma, não se aplicam á outra. Mas será que parecer é mais importante do que ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que a melhor forma de propaganda é o boca-a-boca: alguém usa seu serviço, gosta, e recomenda para os amigos e conhecidos. Desta maneira, se você for bom no que faz, logo terá uma clientela cativa. Não sei se há estudos confirmando este fenômeno, mas casos anedotais a respeito disto existem por toda parte. Seria demais supor que a melhor publicidade para a reforma psiquiátrica é seu funcionamento eficaz? Cansei de ouvir que “político, tudo é”, para citar ainda outro e-mail que recebi sobre estas pendengas. A parte técnica, prática e funcional não quer dizer absolutamente nada? É só um mal necessário, como o extintor de incêndio obrigatório em todos veículos automotores (que diga-se de passagem, não serve para muita coisa)? Utilizando-me desta lógica, é possível defender a substituição da Psicologia e da Psiquiatria no tratamento de transtornos mentais, e colocar Terapia de Florais em seus lugares. Afinal, não é tudo política? Se eu for um terapeuta floral muito eficiente no campo da política, eu posso passar por cima de todas as pesquisas empíricas irrelevantes e fazer do meu discurso mais importante que todos os outros. Certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero questionar não são os objetivos da Luta Antimanicomial, muito nobres, mas seus meios, que, pelo que me parecem, não são lá grande coisa. Claro, os seus defensores conseguiram transformar a reforma psiquiátrica em lei, e isso demonstra grande habilidade e força, especialmente quando se pensa que o adversário principal da reforma seja o cartel médico. Impedir que as freqüentes ondas de ataque vindas do “outro lado” derrubem a lei é outra prova de poder. Mas e os pacientes psiquiátricos, como ficam? Não tenho a menor dúvida de que há milhares de psicólogos, enfermeiros, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e outros tantos profissionais que trabalham com saúde mental preocupados com as condições daqueles que procuram sua ajuda. Mas as reportagens que vira e mexe aparecem, falando sobre pacientes de CAPS morrendo feito moscas, por mais questionáveis que possam ser, trazem à tona algo que pode ser verdadeiro: o sistema substitutivo não está dando conta do recado. Isto é verdadeiro realmente? Não sei. De novo devo admitir minha ignorância sobre este assunto, já que não conheço o “front”, e passo (por enquanto) todo meu tempo atrás de livros e polígrafos xerocados. Mas se simplesmente refutarmos estas afirmações como sendo “descabidas”, ou mesmo “reacionárias” e “mentirosas”, sem discutir criticamente o que acontece, vamos tirar os psiquiatras de seus locais de poder, e colocar os psicólogos em outro.E chamar quem é contra isso de desalmado ou coisa pior.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-864952513580578268?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/864952513580578268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=864952513580578268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/864952513580578268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/864952513580578268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/reforma-psiquitrica-verdades-mitos-e.html' title='A Reforma Psiquiátrica - Verdades, Mitos e Política'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-1858469056819752422</id><published>2008-03-26T22:05:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.587-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>Para além da Política e Opinião</title><content type='html'>Em um processo científico, a crítica é fundamental. Primeiramente, por que ela permite que o pesquisador seja privilegiado com informações advindas de outros campos, e desse modo, pode enriquecer seu delineamento experimental. Segundo, por que alguns erros óbvios não são tão óbvios quando olhamos muito perto, e alguém mais distanciado pode apontá-los. Portanto, é sempre salutar quando um cientista promove debates sobre pesquisas alheias, pois isto potencializa o progresso. Mas entrar na justiça para proibir uma pesquisa, com a desculpa de “discutir com a sociedade” não é só desonesto, é covarde e mesquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um assunto antigo, tanto aqui, quanto no Amoladores de Facas. Já cansei de falar a respeito das posições adotadas por muitos dos críticos da pesquisa que será (ou não) realizada por neurocientistas da UFRGS e da PUCRS com meninos internos da FASE, utilizando-se de técnicas como Pet Scan, Eletroencefalograma e Ressonância Magnética. Mas através das discussões de que participei sobre ela, pude notar várias incongruências no discurso destes “campeões dos direitos humanos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel Foucault, importante filósofo e sociólogo francês, através de suas pesquisas, concluiu que, por trás do discurso psiquiátrico de várias épocas havia um discurso político, que era mais significativo do que o discurso técnico. Por exemplo, era comum que mendigos, bêbados e outros moradores de rua incômodos fossem internados em hospícios, para que não incomodassem a “boa sociedade” com sua visão asquerosa. Por chocante que possa parecer, isto ocorre até hoje. Basta apenas visitar um hospital como o “glorioso” São Pedro, ou o Instituto Psiquiátrico Forense. Foucault apontou algo incômodo, porém verdadeiro, uma verdadeira mancha em nossa sociedade. Mas, como bom guru que se tornou (duvido que por desejo próprio), teve seus ensinamentos devidamente postos no Altar da Certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das primeiras discussões em que me envolvi sobre essa pesquisa, reclamei que os críticos estavam focando-se exclusivamente na política, deixando de lado as questões técnicas. Recebi como resposta “político, sempre é”. Tirei do contexto, o que pode ter desvirtuado seu sentido original, que dizia que posicionar-se contra ou a favor de uma pesquisa é um posicionamento político, mas representa bem o que quero demonstrar. No agora famoso debate da TVCOM sobre este mesmo assunto, Martha Narvaz começou sua parte dizendo exatamente isto aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;A gente sabe que existem diferenças de discurso teórico, que são os discursos da biologia, discursos da genética, discursos da psicologia, e dentro da psicologia, tem a psicologia experimental, que pensa diferente de outras linhas teóricas. &lt;strong&gt;E a gente sabe que todos esses discursos vão disputar no meio acadêmico a sua condição de verdade&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;(grifo meu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este debate deveria ser exibido para todos os calouros de Ciências Humanas da UFRGS, com o título “Como não fazer ao se posicionar em um debate”. Ela é tão ruim debatedora que foi uma dor ter que voltar o vídeo várias vezes para pegar a parte que eu queria. Destaquei a última frase da citação, que considero paradigmática. Em outras palavras, ela diz “nossos discursos valem a mesma coisa, não importa qual seja mais útil, ou empiricamente validada. O que conta é opinião”. Ao longo de todo o debate, diversas vezes ela diz coisas do tipo “é uma opinião minha, pessoal, mas essa pesquisa é eugenista!” Não acredita? Vai lá e olha todos os quatro vídeos. Não sou masoquista pra ficar olhando tudo de novo. Mas enfim, o que ela faz é colocar coisas bem diversas, desde Terapia Cognitivo-Comportamental até Terapia de Florais no mesmo balaio, joga fora todos os experimentos que atestam a eficiência da primeira e colocam em dúvida a da segunda, e diz que o que importa é o discurso político. Quem tiver mais muque é quem está certo (um discurso legitimamente nazista). Peguei pesado, admito, primeiramente por que ela não falou de TCC e de Florais, e muito menos defenderia esta última, mas com este exemplo, pretendo demonstrar o sofisma que ela utilizou como argumento. Se eu quisesse defender que a Terapia de Florais é superior à Terapia Cognitivo-Comportamental, eu utilizaria argumentos muito semelhantes aos da doutoranda Martha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprezar a parte técnica da ciência, e focar-se apenas nos aspectos políticos que envolvem a teoria é perigoso. A História, para quem a Martha apelou quando falou no mr. Hitler, dá um bom exemplo do que aconteceu quando a técnica foi ignorada: &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trofim_Lysenko"&gt;Trofim Lysenko&lt;/a&gt;. Para quem não conhece esta figura e não está com paciência para ler o artigo da Wikipédia, Lysenko foi um geneticista soviético que decidiu ignorar as descobertas de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mendel"&gt;Gregor Mendel&lt;/a&gt; no campo da genética, tirou uma teoria própria do ar, convenceu Stalin que não existia coisa melhor no mundo, expurgou seus rivais teóricos do país,e aplicou suas teorias nas plantações de trigo da União Soviética. O que aconteceu em seguida foi uma queda espantosa na produtividade, falta de alimentos e fome generalizada. O lado que ficou com o velho Mendel conheceu destino mui diferente, a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Green_revolution"&gt;Revolução Verde&lt;/a&gt;, o maior salto em produtividade de colheitas. Imaginem se, lá nos idos de 1940, geneticistas ocidentais influenciados por Lysenko começassem a falar que tudo é discurso, e convencessem os presidentes de seus respectivos países a proibirem pesquisas em genética mendeliana, só na lábia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um campo como as Ciências da Saúde, isto é tão ou mais perigoso. As Neurociências tem se mostrado extremamente promissoras nos últimos dez anos, trazendo benefícios concretos para a humanidade, e não para o conceito abstrato de “progresso científico”. Elas têm beneficiado pessoas. Se existe um discurso político por trás das neurociências, da Terapia Cognitivo-Comportamental? Certamente. Estes discursos políticos influenciam os rumos da pesquisa? Qualquer um que trabalha com pesquisa sabe que sim. É o discurso político o fator mais importante por trás da ciência? Não. O fator mais importante é o bem-estar de todos os seres humanos, estejam eles envolvidos ou não no processo científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei apenas um extremo da discussão e ampliei-o para tornar meus argumentos mais claros por contraste, mas nem de longe as posições aqui criticadas representam a opinião da maioria. Muitos de meus colegas são contrários a esta pesquisa, por temerem que os meninos envolvidos fossem tratados como absorventes (ignorados depois da pesquisa), que os procedimentos envolvidos acarretassem mal físico ou psicológico, ou que as vias políticas pelas quais os pesquisadores caminharam para ter acesso à FASE fossem duvidosas. Mas nunca endossaram seu boicote. O palestrante do último seminário em pesquisa em psicologia levantou justamente o problema do discurso positivista por trás desta pesquisa, mas rechaçou a idéia de apelar para a Justiça proibir sua realização. Questionou a teoria e os métodos. Baseou-se em opinião e política, mas foi muito além delas. Foi um verdadeiro cientista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-1858469056819752422?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/1858469056819752422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=1858469056819752422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1858469056819752422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1858469056819752422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/para-alm-da-poltica-e-opinio.html' title='Para além da Política e Opinião'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-7002437171260691823</id><published>2008-03-24T12:09:00.000-07:00</published><updated>2008-03-24T12:12:22.354-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ciência'/><title type='text'>Leis da Natureza</title><content type='html'>Frases...&lt;br /&gt;“Gravity. It isn’t just a good idea. It’s the law.”&lt;br /&gt;“Everything in our world is purely mathematical — including you”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;An article in Science Times on Tuesday about the laws of physics and nature misstated the time in which Plato was forming his idea of a higher realm of ideal forms. It was in the fourth century B.C.; it was not “a few hundred years” after the fifth century B.C., when the Greek mathematician and philosopher Pythagoras and his followers proclaimed that nature was numbers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.nytimes.com/2007/12/18/science/18law.html?_r=2&amp;pagewanted=all&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-7002437171260691823?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/7002437171260691823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=7002437171260691823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7002437171260691823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7002437171260691823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/leis-da-natureza.html' title='Leis da Natureza'/><author><name>jeffbass</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09304832032403642185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-6752901740979130615</id><published>2008-03-15T12:32:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.587-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Naturalismo'/><title type='text'>Sobre o Naturalismo Científico</title><content type='html'>Baseado no texto que o Lobo da Estepe escreveu, farei o meu comentário sobre o Naturalismo Científico. Concordo em grande parte com o que o amiguinho disse, tirando algumas questões pontuais. Primeiramente, discordo da afirmação de que "a mente é produto do cérebro", pois está incompleta. Outros fatores também influenciaram nosso pensamento, como nosso ambiente, sociedade e cultura, nossa biologia, a evolução e talvez fatores extraterrenos que ainda desconhecemos e/ou não temos como quantificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me vejo aqui na posição de defender os tais dos "bonecos de palha franceses" e suas filosofias derrotistas (que situação!). Concordo com o Lobo quando ele diz que a posição dos "destruidores de paradigmas" é derrotista, e não poderia ter dito isto de forma melhor. Mas o que me incomoda com a posição deles não é a negação da Verdade Única, pois afinal, não sabemos se ela realmente existe. O que me incomoda é como, usando este argumento de que a Verdade não existe, eles relativizam tudo, colocando todas as pesquisas, úteis e inúteis, boas e ruins, no mesmo patamar. Através dessa falácia argumentativa, eu posso justificar as pesquisas realizadas na Alemanha nazista que "comprovaram" a inferioridade dos judeus e outras etnias perante os Arianos. Para ver esta falácia sendo usada na prática, não precisamos voltar muito no tempo, no máximo até novembro do ano passado, e ver as reações de antropólogos, psicólogos, advogados e outros profissionais sobre a pesquisa ainda por ser realizada pelo Laboratório de Neurociências da PUCRS sobre Neurologia Comportamental com meninos com histórico de comportamentos agressivos. O Jeffbass colocou aqui o &lt;a href="http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/01/editorial-da-folha-de-so-paulo-razo-e.html"&gt;editorial da Folha de São Paulo&lt;/a&gt; sobre este assunto, e já falamos os suficiente a respeito disso aqui. Por enquanto, falemos de Naturalismo Científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, como bem falou o Lobo, o Naturalismo Científico foi crucial para o progresso das Ciências Naturais nos últimos três séculos. Só o fato de eu estar escrevendo este texto no meu computador e colocando-o a disposição de milhares de pessoas ao mesmo tempo* através desta coisa maravilhosa (mas nem tanto) chamada internet é prova disto. As pesquisas de Química e Física tornaram isto possível. As Ciências Biológicas também avançaram a passos largos com esta metodologia, e a Medicina está aí para provar isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e as Ciências Humanas? A Antropologia, a Sociologia e principalmente a Psicologia: qual foi o progresso destas disciplinas, se comparadas com suas irmãs mais velhas (Física, Química, Biologia)? Como estudante de Psicologia, não exito em dizer que foi nulo. Em nossa missão para melhor compreendermos o ser humano através, ainda estamos engatinhando, tanto que não foram poucos indivíduos que afirmaram que há mais Psicologia nos livros dos romances do que nos manuais da APA (&lt;em&gt;American Psychological Association&lt;/em&gt;). Por quê é assim? Por que não aplicamos de maneira rigorosa o suficiente a metodologia naturalista em nossas pesquisas? Acredito que é justamente o contrário: para as Ciências Humanas, o Naturalismo Científico é de pouca valia. Como bem disse o Lobo, conceitos abstratos, não visíveis e não quantificáveis são deixados de lado na pesquisa naturalista. E os pensamentos**, os sentimentos e as motivações humanas caem justamente nesta classificação, pois ainda não conseguimos desenvolver nenhum instrumento que quantifique satisfatoriamente estes construtos. E mesmo que um dia consigamos fazer isto, eles serão de pouco uso se utilizados isoladamente (pretendo escrever sobre isso futuramente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou dizendo que o Naturalismo Científico seja inútil para a pesquisa em Ciências Humanas, apenas que seu uso é limitado. Veja por exemplo as Neurociências: de certa forma, técnicas como o MRI (Magnetic Resonance Imaging) e o EEG (Eletroencéfalograma) tornaram possível ver a mente em atividade ("é uma foto da mente!"). 50 anos atrás isto seria impensável, mas graças à tenacidade e criatividade de muitos cientistas, que seguiram os princípios do Naturalismo, isto tornou-se não só possível como muito comum. Entretanto, se fossem utilizados apenas os equipamentos para a pesquisa neurocientífica, teríamos apenas um amontoado de dados e figurinhas bonitas e brilhantes do cérebro em atividade. O finado &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Francisco_Varela"&gt;Franscisco Varela&lt;/a&gt;, biólogo, filósofo e neurocientista da mais fina cepa identificou esse problema, e resolveu-o. Segundo ele a pesquisa em neurociências divide-se em três pessoas: a terceira pessoa são os equipamentos e seus resultados, a segunda pessoa é o pesquisador analisando os dados coletados e a primeira pessoa é o relato da pessoa sendo examinada. Varela chamou a técnica de terceira pessoa de "Neurofenomenologia". Sem estas três pessoas envolvidas ativamente na pesquisa, não teríamos progredido quase nada: sem o equipamento não há meio de avaliar o funcionamento cerebral; sem o pesquisador não há quem seja capaz de interpretar os dados; e sem o sujeito da pesquisa não há como dar significado aos dados. É o sujeito quem irá dizer o que e como ele está pensando e sentindo. Sem esta informação, as figurinhas bonitas são insignificantes (sem significado). Por isso que em suas pesquisas Varela tentou investigar o funcionamento cerebral de mestres em meditação, que tem maior prática em descrever seus estados internos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Amolador de Facas que sou, acredito que o Naturalismo Científico foi e ainda é essencial para o progresso científico e da humanidade como um todo, e abomino relativismos extremados e irracionais. Entretanto, também abomino absolutismos, e sei que, um dia, o próprio Naturalismo Científico irá dar lugar para outros pressupostos, mais abrangentes e eficazes. Talvez isto já esteja acontecendo em alguns campos de pesquisa nas Ciências Humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Não que milhares de pessoas ao mesmo tempo irão lê-lo, mas a possibilidade existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Antes que alguém venha me dizer que pensamentos não existem e citar Skinner, já digo: vai ler de novo. A posição de que os pensamentos são uma ilusão vem do Behaviorismo Metafísico, proposto por John B. Watson, que afirmava que eles eram apenas movimentos imperceptíveis da traquéia. A posição de Skinner é muito mais sofisticada. Segundo ele, os comportamentos internos (termo que ele dava para "atividade mental" e similares) existem, pois qualquer um pode observar os seus próprios pensamentos. O que ele questionava era a relevância desta introspecção para a Psicologia e a influência destes nos comportamentos externos das pessoas (posição que garantirá muitas discussões futuras).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-6752901740979130615?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/6752901740979130615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=6752901740979130615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6752901740979130615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6752901740979130615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/sobre-o-naturalismo-cientfico.html' title='Sobre o Naturalismo Científico'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-3138124660844097315</id><published>2008-03-13T19:05:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.588-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Citações'/><title type='text'>Divindades</title><content type='html'>&lt;em&gt;Quando a Psicologia e a Sociologia degeneram em ciências totalitárias, manifestam-se estranhos fenômenos entre seus adeptos. O desejo de poder domina o desejo de verdade. O conhecimento que se tem do homem passa a ser mais importante que o próprio homem. Adota-se por vezes, atitude de singular superioridade, como a de quem possuísse conhecimento absoluto, capaz de tudo penetrar e de tudo esclarecer. Dessas alturas, olha-se para as misérias humanas. Toma-se a posição de Ser Superior, que domina espiritualmente o mundo - o que se torna de um ridículo todo particular, quando se é pessoalmente um pigmeu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;-Karl Jaspers&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que lembrei-me ao ler este parágrafo do livro "Introdução ao Pensamento Filosófico" de Jaspers foi da atitude de certos representantes do CRP-RS e de certa doutoranda da UFRGS, que provavelmente diriam que não concordam com a obra deste filósofo, o que a invalida automaticamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-3138124660844097315?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/3138124660844097315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=3138124660844097315' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3138124660844097315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3138124660844097315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/03/divindades.html' title='Divindades'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-8925113294385638401</id><published>2008-02-02T08:42:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.589-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A Série</title><content type='html'>Pesquisadores de duas grandes universidades de Porto Alegre propuseram uma pesquisa com meninos infratores internos na Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (FASE-RS), sobre comportamento violento e neurologia. Seria uma pesquisa como outra qualquer, se não fosse a grata infelicidade de um dos participantes do projeto ser secretário estadual de saúde, e de terem dado uma entrevista para um jornal. Se não fosse por essa conjuntura, provavelmente só ficariamos sabendo desta pesquisa quando o artigo final fosse publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como provavelmente vocês já sabem do que eu estou falando serei breve: a pesquisa, nem ao menos iniciada, foi alvo de muitas críticas, vindas de psicólogos sociais, antropólogos, educadores e outros profissionais, que a acusaram de dar novo rosto para práticas antigas de extermínio e eugenia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coletei na internet todo tipo de texto, favorável, contrário e neutro à pesquisa, vídeos e documentos para fazer uma cronologia dessa farra toda. Poderia ter apenas feito uma síntese dos argumentos mais usados e/ou fortes de cada lado da discussão, mas imaginei que os leitores deste blog prefeririam ir até a fonte das informações, então, coloquei aqui todos os textos que encontrei na íntegra, e com o link para o site onde encontrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitem o catatau de textos sobre o assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-8925113294385638401?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/8925113294385638401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=8925113294385638401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8925113294385638401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8925113294385638401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-srie.html' title='A Pesquisa Maldita - A Série'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-2714058819892256305</id><published>2008-02-02T08:40:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.591-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A Opinião de David Coimbra</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Pesquisa e Preconceito&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;01/02/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estive em vários presídios. Porém como visitante. Repórteres de polícia volta e meia têm de ir a presídios, e muito já militei em editorias de polícia, e muito apreço tenho por histórias policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No de Criciúma havia uma saleta pouco maior do que um banheiro de empregada que o administrador do presídio chamava, o orgulho içando-lhe o queixo, de biblioteca. De fato, no lugar empilhavam-se revistas e livros, e mais: faziam retumbante sucesso. Os presos os requisitavam duas ou três vezes ao dia! Fiquei encantado com o interesse dos detentos pela literatura. Seriam os criminosos do sul catarinense os mais intelectualizados do Brasil? Depois de breve diligência, descobri que não. Ocorria que o fornecimento de papel higiênico aos presos era escasso, e eles equacionavam o problema arrancando as páginas centrais dos livros a fim de empregá-las na limpeza pessoal, objetivo menos nobre do que a leitura, mas mais premente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci presídios gaúchos, também. E não poucas vezes fui a unidades da Fase para dar palestras aos internos. Nesses casos, o que mais chamou minha atenção foram os depoimentos dos meninos infratores sobre suas relações pessoais. Quase 100% deles possuem um só vínculo emocional, um único liame que os mantém em contato afetivo com outros seres humanos: a mãe. É pela mãe que eles querem mudar de vida, salvar-se, sair da Fase e integrar-se à comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedia-me desses locais, dos presídios, das unidades da Fase, pensando que pouco se sabe dessa gente e no quanto seria útil saber mais. A sociedade, informada das necessidades básicas dos presidiários, como essa tão básica de papel higiênico, talvez se movimentasse para supri-las. E as mães dos meninos da Fase, será que elas não poderiam ser utilizadas com mais inteligência na regeneração dos próprios filhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta-nos pesquisa, foi o que sempre pensei. Falta-nos informação.Agora, cientistas gaúchos anunciaram a realização de uma pesquisa a respeito da violência justamente dentro das unidades da Fase. O que parece bastante lógico - lá estão adolescentes infratores, afinal. Seria proveitoso identificar suas motivações, traçar seu perfil, saber do que precisam, o que os fez se apartar da sociedade. Conhecê-los, enfim. Para ajudá-los.No entanto, um grupo politicamente correto tenta impedir a pesquisa, tachando-a de "prática de extermínio e exclusão".O que concluir desses protestos? Que os cientistas interessados na pesquisa são asseclas do Doutor Mengele, nazistas sanguinários preparando o próximo Reich? Ou que os protestantes são obscurantistas, herdeiros do Santo Ofício, inimigos do Saber? Nem uma coisa, nem outra. Os primeiros são profissionais das mais bem conceituadas universidades do Estado, cientistas sérios, eivados de boas intenções. Os segundos são professores, advogados, psicólogos, gente de alguma ilustração, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está o problema, então? Na vaidade. Tudo é vaidade debaixo do sol, ensina o Eclesiastes. Só que, na Academia, a vaidade é mais corrosiva do que qualquer modalidade com a qual se poderia esbarrar há 29 séculos, quando o Eclesiastes foi escrito. O grupo que se manifesta contra a pesquisa sabe que ela não é nociva. Mais: sabe que a pesquisa só pode acrescentar conhecimento, e o conhecimento não ceva o preconceito; ao contrário, o enfraquece. Trata-se de mera discussão acadêmica. Pequenas tolices de grupos rivais. Vaidade intelectual, acredite, perplexo leitor. Mas acredite, também, nas palavras daquele antigo escritor, Celine, que dizia em francês, e assim fica muito mais bonito: "Não existe vaidade inteligente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.fase.rs.gov.br/portal/index.php?menu=noticia_viz&amp;amp;cod_noticia=579"&gt;FASE&lt;/a&gt;, Zero Hora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-2714058819892256305?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/2714058819892256305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=2714058819892256305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/2714058819892256305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/2714058819892256305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-opinio-de-david.html' title='A Pesquisa Maldita - A Opinião de David Coimbra'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-7266700215562545108</id><published>2008-02-02T08:27:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.593-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - Helio Schwartsman Strikes Again</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Ciência sob ataque&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;31/01/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse exagerado, diria que a ciência brasileira está sob ataque. Como não sou, parece mais adequado afirmar que ela vem enfrentando percalços imprevistos. Há duas semanas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou de um evento criacionista e, em seguida, defendeu o &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2001200802.htm"&gt;ensino&lt;/a&gt; de teorias "alternativas" ao darwinismo. Poucos dias depois, reportagem da &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2101200801.htm"&gt;Folha&lt;/a&gt; (só para assinantes) mostrava que cerca de uma centena psicólogos, advogados, antropólogos e educadores procurava, através de um abaixo-assinado, impedir um grupo de neurocientistas de levar a cabo pesquisa que pretende esquadrinhar o cérebro de 50 adolescentes homicidas de Porto Alegre em busca de marcadores biológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investidas anticientíficas não são propriamente uma novidade, que o digam Giordano Bruno e Galileu Galilei. Mesmo em tempos de maior liberdade intelectual, como a Grécia Antiga, experimentadores do quilate de Eratóstenes e Arquimedes enfrentavam um certo desdém de filósofos puramente especulativos, então mais afinados com o "Zeitgeist". O inquietante no caso brasileiro é que os ataques partam, senão de aliados, ao menos de grupos e instituições que deveriam em tese apoiar a ciência. Afinal, Marina Silva, na condição de ministra, representa o Estado brasileiro. Já psicólogos, antropólogos e pedagogos, embora não costumem militar nas fileiras da "hard science", são --ou deveriam ser-- aquilo que antigamente chamávamos de "Geistwissenschaftler", ou seja, simplificando um pouco, cientistas sociais, os quais deveriam, pelo menos etimologicamente, estar comprometidos com o método científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pelo caso mais gritante, que é o dos patrulheiros epistemológicos. De minha parte, considero a neurociência um campo fértil e promissor, do qual tem emergido muito material interessante para "insights" e reflexões. Admito, entretanto, que nem todo mundo precisa pensar como eu. É perfeitamente possível tachar sociobiologia, psicologia evolutiva e genética como "reducionistas" --o que quer que isso signifique. Mais até, é legítimo preocupar-se com o efeito que determinadas descobertas possam ter sobre a sociedade. Imagine-se, por hipótese, que se desenvolva um método de diagnosticar, ainda antes do nascimento, indivíduos mais propensos a tornar-se criminosos quando adultos. Tais embriões poderiam ser abortados? Se sim, por decisão de quem? Do Estado? Dos pais? São questões apaixonantemente controversas. E, por mais intransigentes que possamos ser na defesa da vida e da pluralidade humanas, nada justifica deixar de realizar um estudo cujos protocolos éticos se mostrem adequados, como é o caso do experimento gaúcho. Ele não implica nenhum risco ponderável para as "cobaias" e só ocorrerá se os pesquisadores obtiverem o consentimento esclarecido dos jovens e de seus pais ou responsáveis e também a autorização da Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é porque os nazistas cometeram atrocidades evocando a genética --equivocadamente, ressalte-se-- que devemos renunciar a compreendê-la. Se um dia investigações nesse campo levarem a tecnologias eugênicas, precisaremos discutir caso a caso a moralidade de sua aplicação. De minha parte, como princípio geral, acho que pais devem poder escolher se vão ou não ter filhos com determinadas doenças incapacitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer que seja nossa posição pessoal, quer acreditemos que a vida é um dom de Deus, quer a consideremos o encontro inopinado de átomos de carbono com um pouco hidrogênio e oxigênio, não faz muito sentido que um cientista social --ou qualquer outra pessoa minimamente ilustrada-- se oponha à realização de um experimento capaz de ampliar nosso conhecimento por temor das implicações que tal conhecimento possa ter. Se os nossos solertes "Geistwissenschaftler" estão tão certos de que a empreitada dos neurocientistas dará com os burros n'água --possibilidade bastante real-- que critiquem, como convém ao método científico, os resultados do experimento, não sua realização. Se estão tão certos de que a neurociência encerra o ovo da serpente, que o demonstrem com base em evidências e encadeamentos lógicos, não com ilações e palavras de ordem. Minha sensação é a de que essa gente, ao defender a proibição pura e simples, repete os argumentos com os quais a Igreja Católica impedia a dissecação de cadáveres e promovia outros vetos francamente obscurantistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos agora ao mais delicado caso do criacionismo ministerial. Marina Silva tem, como cidadã, o direito de professar a fé que bem desejar. Mais até, não é porque se tornou ministra de um Estado nominalmente laico que precisaria deixar de comparecer aos cultos de sua igreja, a Assembléia de Deus. Ela, entretanto, avançou o sinal quando participou do 3º Simpósio sobre Criacionismo e Mídia, promovido pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, e, à saída, ainda deu uma entrevista na qual, no melhor estilo dos "neocons" dos EUA, sustentou que visões de mundo criacionistas devem ser ensinadas nas escolas, para que os alunos possam decidir por si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos aqui diante de dois problemas. Em primeiro lugar, Marina deveria ter-se recusado a participar do evento, pela simples razão de que não foi convidada para falar na condição de simples fiel da Assembléia, ou teóloga, mas sim por ser ministra do Meio Ambiente, ou seja, uma representante do Estado. E, nos termos do artigo 19 da Constituição, é vedado ao Estado "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança". Essa, entretanto, é a falta menos grave, que seria facilmente perdoável, se a ministra não tivesse em suas declarações abraçado também a pedagogia ultraconservadora, que pretende transformar fatos comprováveis em comprovados em questões abertas a escrutínio religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheço as opiniões hidrostáticas do papa, mas não importa o que ele pense ou decrete acerca da fervura da água, o fato é e será que, em condições normais de temperatura e pressão, ela ferve a 100ºC. De modo análogo, independentemente do discurso religioso, as bases gerais da teoria evolutiva mais ou menos como postulada por Charles Darwin no século 19 estão cabalmente comprovadas. Falácias criacionistas não vão mudar isso. O rol de evidências pró-Darwin é extenso. Vai da totalidade do registro fóssil até aqui coletado --e nunca falseado por nenhum despojo geologicamente impossível_ até a capacidade de fazer previsões sobre o futuro, como o surgimento de cepas de bactérias resistentes a novas classes de antibióticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O criacionismo em sua mais nova roupagem --o tal do design inteligente-- sustenta que a evolução é "apenas" uma teoria e cheia de supostas dificuldades, como se tudo em ciência não fosse "apenas uma teoria", aí incluída a teoria da gravidade. Seu argumento básico é o de que seres vivos são complexos demais para ter surgido "por acaso": se eu encontro um relógio, a sutileza e a precisão das roldanas e engrenagens, me autoriza a supor um relojoeiro; de modo análogo a arquitetura de estruturas como asas e olhos permitiria inferir um Criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Non sequitur", que, em bom português, significa: é pura bobagem, coisa de quem não entendeu (ou fingiu que não entendeu) o bê-á-bá do darwinismo. Embora mutações nos seres vivos de fato ocorram aleatoriamente, a seleção subseqüente --que conserva o que é útil e despreza o que não o é-- nada tem a ver com acaso. Ela é, se quisermos, o avesso do acaso. Trata-se, na verdade, de um dos poucos processos naturais que conseguem simular o trabalho de projetistas. Só que funciona ao contrário. Ao preservar traços mesmo que milimétricos de utilidade e descartar todas as mutações que não servem para nada (a maioria delas resulta em cânceres, é oportuno lembrar), a seleção consegue, ao longo de inúmeras gerações, produzir estruturas que passam por entidades concebidas por uma inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o criacionismo faz é, apoiando-se nessa ilusão, impingir raciocínios capengas que soarão convincentes a alunos com pouco treinamento epistemológico e já socialmente orientados a "aceitar a palavra de Deus". Admitir que padres e pastores profiram tais sandices em epistemológicas em seus templos é uma necessidade democrática. Mas não faz nenhum sentido repeti-las nas salas de aula de um Estado laico. Fatos sobre o mundo não são matéria que se decida com base em convicções pessoais ou maiorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, infelizmente, os neocriacionistas não se contentam em acreditar em Deus. Querem, sabe-se lá por qual motivo, revestir seu delírio de vestes científicas. Só que estas não lhe cabem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande erro da comunidade científica norte-americana foi ter esperado tempo demais antes de reagir às investidas criacionistas, deixando que o discurso pseudocientífico e aparentemente democrático prosperasse e ganhasse terreno. Infelizmente, nós, no Brasil, estamos repetindo esse equívoco. Vale lembrar que o pio casal Garotinho já introduziu o ensino do criacionismo nas escolas da rede pública do Rio de Janeiro. Consertar as coisas agora será um deus-nos-acuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixa de ser irônico que os mesmos sociólogos, advogados e psicólogos que até há pouco se erigiam em defensores máximos das liberdades agora propugnem pela censura a pesquisas, e os mesmos religiosos criacionistas que poucos séculos atrás queimavam livros e pessoas agora recorram à liberdade de pensamento para apregoar tolices na escola pública. Não acredito em deuses, mas, é forçoso reconhecer que eles têm um senso de humor infernal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u368285.shtml"&gt;Folha de São Paulo&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-7266700215562545108?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/7266700215562545108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=7266700215562545108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7266700215562545108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7266700215562545108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-helio-schwartsman.html' title='A Pesquisa Maldita - Helio Schwartsman Strikes Again'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-7979422730331407147</id><published>2008-02-02T07:50:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.594-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A Opinião de Moacyr Scliar</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A ciência em debate&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Moacyr Scliar - 29/01/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biopsicossocial é uma expressão muito usada. E significativa. Para começar, observem a ordem dos três componentes. Primeiro vem o biológico, que é a coisa mais básica, aquilo que partilhamos com um réptil ou um inseto: os órgãos, as funções corporais. Depois vem o psíquico, que é a introdução à nossa humanidade: o pensamento, as crenças, os sentimentos. E por último o social, que coroa a nossa evolução histórica e cultural. Entre o biológico e o social está o psíquico. Freqüentemente numa posição desconfortável, como já veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada um debate surgido em Porto Alegre propagou-se pelo país. Trata-se da proposta de uma pesquisa científica, que começará com jovens delinqüentes e que tem por objetivo investigar as raízes da criminalidade. A investigação inclui mapeamento cerebral, uma técnica atualmente muito utilizada e que, aparentemente desencadeou a polêmica. Resumindo: o estudo foi criticado porque privilegiaria os aspectos biológicos, enveredando assim por um caminho que, no passado, levou ao racismo e à eugenia, ou seja à seleção (às vezes pelo simples assassinato) de indivíduos mais sadios. Teorias mais recentes, como a sociobiologia, popularizada nos anos setenta pelo pesquisador americano Edward O. Wilson, também tentam explicar o comportamento humano e social com base na evolução biológica e na genética. Estas idéias foram contestadas por Richard Lewontin e Stephen Jay Gould. Surgiu daí a idéia de que os defensores do biológico são de "direita" (com muitas aspas), enquanto que aqueles que valorizam o social são de "esquerda" (idem). Mas nem sempre foi assim. Tomem o caso de Darwin, por exemplo, em quem Wilson se baseou. O cientista inglês era considerado um radical contestador, inclusive e principalmente porque contrariava a doutrina do criacionismo. Mais tarde, a tese da sobrevivência do mais apto passou a ser utilizada por ideólogos neoliberais. Resultado: darwinismo social é uma expressão execrada pela esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso dos estudos do cérebro, a polêmica é outra. De um lado a idéia segundo a qual é no cérebro (na química cerebral) que devemos procurar a origem de problemas mentais e emocionais, tratando-os com medicamentos, se for o caso - uma idéia que tem o poderoso apoio do seguro-saúde norte-americano e da indústria farmacêutica. De outro, estão aqueles que defendem a psicoterapia como um tipo de relação humana capaz de ajudar as pessoas. De novo, é o psicológico entre o biológico e o social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora: notem que estas coisas não são excludentes. Uma discussão mais serena, mais desapaixonada, pode mostrar os limites do biológico, do psicológico e do social. O importante é avaliar os fatos, não as conotações. No caso da pesquisa científica, e exatamente por causa das barbaridades cometidas pela ciência nazista, temos hoje os comitês de ética, cuja atividade é importante e não raro decisiva. Mas o debate que o assunto suscitou foi e é útil. Da discussão sempre nasce a luz; ruim é o apagão da intolerância. Como disse Darwin numa carta a seu admirador Karl Marx: "I believe that we both earnestly desire the extension of knowledge", "Acredito que nós dois honestamente desejamos a ampliação do conhecimento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Notícias do &lt;a href="http://www.crp07.org.br/"&gt;CRP-RS&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-7979422730331407147?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/7979422730331407147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=7979422730331407147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7979422730331407147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/7979422730331407147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-opinio-de-moacyr.html' title='A Pesquisa Maldita - A Opinião de Moacyr Scliar'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-3168412739425016219</id><published>2008-02-02T07:49:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.595-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A Opinião de uma Antropóloga Social e uma Educadora</title><content type='html'>No dia 5 de janeiro, submetemos à apreciação da Folha de S.Paulo o artigo que se segue, a respeito de discussões inspiradas na reportagem de Rafael Garcia sobre uma pesquisa no Rio Grande do Sul com "adolescentes homicidas". Dois dias depois recebemos uma manifestação de interesse de Rafael Garcia, repórter do setor "Ciência", dizendo que "não tinha idéia de que o assunto tivesse repercutido tanto, já que esta é a primeira carta que nós recebemos aqui na editoria de ciência sobre essa reportagem". No dia 10, fomos convidadas a submeter uma versão abreviada de nosso texto (3.800 toques) para ser publicada no Caderno Mais do próximo domingo, junto com outros artigos sobre o tema. Aceitamos fazer a redução solicitada. Sábado, dia 19, o repórter entrou em contato para dizer que o artigo sairia só na segunda-feira, e – devido a um anúncio que tinha entrado na página – devíamos cortar imediatamente mais 10 linhas. Não querendo agir de forma leviana, e considerando que uma das autoras estava em viagem, informamos que não seria possível efetuar os cortes nesse curto prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com grande interesse que acompanhamos a publicação das matérias na segunda, dia 21 de janeiro. Contudo, estranhamos o editorial de 22/1 em que a FSP ataca um grupo de pesquisadores e ativistas que se assustaram com os termos da pesquisa tal como foi retratada pela Folha. Sem fazer referência ao artigo original que fala em mapear o cérebro de "adolescentes homicidas" para descobrir "como se produz uma mente criminosa", o editorial descreveu a pesquisa já em termos mais sofisticados. Falou em "jovens sob custódia do Estado que cometeram homicídios"; entrou Descartes, saiu "a mente criminosa". Com isso, os editores eximiram-se de qualquer responsabilidade pelo tom acalorado do "repúdio". Em vez de mediar um debate necessário, a Folha optou por acirrar a celeuma criticando um bate-boca que ela mesma criou.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Acompanhando o andamento da ciência, para além do consentimento informado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claudia Fonseca - Doutora em Antropologia, Professora do PPGAS/UFRGS&lt;br /&gt;Carmem Maria Craidy - Doutora em Educação, Professora do PPG-EDU/UFRGS&lt;br /&gt;28/01/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu no dia 26 de novembro uma matéria na Folha de São Paulo sobre uma pesquisa envolvendo cientistas universitários e representantes da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul que se propõem a mapear os cérebros de 50 adolescentes homicidas (a serem comparados com os cérebros de 50 adolescentes não-infratores) e, assim, descobrir como se produz uma mente criminosa. Desde então, circula na Internet, na grande imprensa e em outros fóruns públicos uma discussão acalorada, a favor e contra a proposta. Defensores do projeto, sublinhando as respeitáveis credenciais de seus autores, expressam o receio de que ataques precipitados acabem por cercear a autonomia da ciência. Críticos sugerem que o princípio de autonomia jamais exime o pesquisador da responsabilidade de avaliar as implicações morais e éticas de seus procedimentos. Devemos lembrar que a maioria de nós não conhece a proposta original. Mas é justamente por causa das idéias que estão sendo veiculadas pela mídia que cabe certo trabalho de esclarecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pesquisa sobre adolescentes homicidas levanta inquietações de diversas ordens. Em primeiro lugar, o foco em infratores institucionalizados arrisca reforçar preconceitos que supõem uma relação intrínseca entre cor, classe e comportamento anti-social. Sabemos, por exemplo, que no Rio e em outras metrópoles a polícia é responsável por boa parte das mortes violentas. Porém, a maioria de nós acharia absurdo fazer ressonância magnética para checar tendências violentas nos cérebros desses profissionais. Além disso, é pouco provável que eles ou seus superiores institucionais aceitassem participar de tal pesquisa. Saberiam que a simples notícia dessa investigação com sua premissa de uma tendência fisio-biológica à violência bastaria para reforçar preconceitos contra a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que aceitar essa pesquisa tão facilmente entre adolescentes privados de liberdade? Porque nos abrigos, como nas cadeias, concentram-se as pessoas que menos têm voz, não por causa de alguma tendência inata, mas porque quanto mais pobre e escuro for o acusado de qualquer crime, maiores serão suas chances de ser detido, condenado e encarcerado. O próprio funcionamento do sistema cria dentro das instituições uma amostra questionável mais representativa de pobres e discriminados do que de qualquer inclinação criminosa. Daí a segunda inquietação: esses indivíduos estão em condições de negociar os termos de sua participação numa pesquisa acadêmica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da Segunda Guerra Mundial e da constatação de atrocidades perpetradas por cientistas do regime nazista, a comunidade científica mundial se viu incumbida -- em Genebra, Nuremberg, Helsinque -- de estabelecer as bases éticas de sua prática. No alto na lista de prioridades constava o princípio de que nenhum sujeito humano deveria ser incluído numa investigação sem ter compreendido e assentido, livre de qualquer coerção, aos riscos e objetivos da pesquisa. Num primeiro momento, reinava uma crença ingênua de que regimes autoritários tinham o monopólio da má ciência. O espírito crítico, a transparência e a neutralidade, vistos como atributos típicos das democracias ocidentais, seriam os ingredientes necessários e suficientes para o bom desenvolvimento científico. Foi um médico da Universidade de Harvard, Henry Beecher, o primeiro a levantar suspeitas quanto à ética de pesquisa no seio da democracia. Em 1966, ele publicou um levantamento de 22 projetos desenvolvidos por cientistas qualificados e bem-intencionados em que os seres humanos examinados tinham sido, de alguma forma, prejudicados pela pesquisa. Uma das críticas mais alarmantes era que os sujeitos pesquisados faziam parte de populações que não tinham condições de recusar participação: recrutas militares, portadores de deficiência mental, idosos... Seguindo nessa linha de reflexão, a investigação científica envolvendo adultos ou adolescentes privados de liberdade seria ainda mais preocupante. Pergunta-se: esses indivíduos estão em condições de negociar os termos de sua participação numa pesquisa acadêmica? Trata-se de uma questão ética que vai muito além da assinatura em um formulário de consentimento informado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, é do interesse de adolescentes privados de liberdade receber todos os benefícios de tratamento e terapia que o aparelho estatal tenha a oferecer. O problema não é aplicar testes para realizar programas voltados para o bem-estar dos indivíduos em questão. O perigo surge quando projetamos generalizações a partir de casos individuais, usando estereótipos que envolvem aspectos de cor e de classe para formular as hipóteses e orientar as interpretações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, por ventura, fosse constatada uma desproporção de jovens com problemas neurológicos no grupo de adolescentes homicidas, caberia então localizar, como grupo de controle, adolescentes não-infratores com problemas semelhantes. Investigar os fatores que levaram ao relativo sucesso destes últimos apontaria para as condições sociais (terapêuticas e outras) relevantes para a realização individual e o entrosamento na vida social. Sem esse cuidado metodológico, o problema da pesquisa se transforma em tautologia, garantindo de antemão conclusões que ligam patologia médica com comportamento anti-social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há no Brasil inúmeros centros de estudos interdisciplinares que reúnem pesquisadores para tentar entender o fenômeno da violência. Já demonstraram, com farta ilustração empírica, o impacto de fatores tais como qualidade de educação, possibilidades de renda, atividades de lazer e cultura, acesso ao consumo e busca de visibilidade social. Sem dúvida, concordariam que a violência é um problema de saúde pública, mas insistiriam que a saúde envolve muito mais do que eventuais problemas cerebrais. Preocupados com as conseqüências políticas e éticas da pesquisa, eles evitariam termos reducionistas (adolescente homicida, mente criminosa) que arriscam reforçar o estigma contra as pessoas pesquisadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o saber científico não se constrói em termos maniqueístas. Pesquisadores de todas as áreas lidam com dilemas éticos que não são de fácil solução. A presente polêmica, ao relevar as inevitáveis facetas políticas e morais de qualquer pesquisa, tem o efeito salutar de ampliar o círculo de interlocutores, alertando inclusive os leigos para a necessidade de acompanhar de mais perto o andamento da ciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-3168412739425016219?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/3168412739425016219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=3168412739425016219' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3168412739425016219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3168412739425016219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-opinio-de-uma.html' title='A Pesquisa Maldita - A Opinião de uma Antropóloga Social e uma Educadora'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-2423851331102072189</id><published>2008-02-02T07:24:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.596-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - Reportagem no Fantástico</title><content type='html'>Como uma pessoa inteligente pode perceber, se um assunto vira reportagem do Fantástico, é porque está chamando a atenção no Brasil inteiro. E foi o que aconteceu com a polêmica dessa pesquisa neurológica com os meninos da FASE, na edição de 27 de janeiro de 2008 do Fantástico. Não que a reportagem em si seja boa, bem pelo contrário: é uma porcaria extremamente superficial. Mas como saiu no Fantástico, tá na boca do povo, e provavelmente influenciou a opinião de muita gente por aí. Repasso uma transcrição da reportagem, que encontrei no site do CRP-RS, e o vídeo da reportagem. Só recomendo o vídeo para quem era no ensino médio o pirralho que só olhava as figuras dos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pesquisa polêmica é abordada no Fantástico&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;* Vinicius Donola, repórter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passa na cabeça de um ser humano que é capaz de tirar a vida do outro? Será que os atos de extrema violência e barbárie são cometidos por mentes que nascem doentias? Ou não? São as mentes que adoecem com os traumas da vida, com a violência em casa, na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esse cérebro desse delinqüente, ele sofreu, ele mudou, ele é diferente? Vamos investigar", diz Mirna Portuguez, neuropsicóloga da PUCRS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a proposta dos cientistas de duas grandes universidades do Rio Grande do Sul. Usar exames de alta tecnologia para mapear o cérebro de um grupo de jovens. Todos envolvidos em ações violentas."O objetivo é conhecer um pouco melhor como a estrutura cerebral pode, eventualmente, estar envolvida nesses processos que geram violência", explica Jaderson Costa, pesquisador também da PUCRS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a reação da comunidade científica foi imediata."Estamos tratando de pessoas. Adolescentes. Não são ratos, não são macacos. São pessoas”, acusa Ana Luiza de Souza Castro, psicóloga, do juizado de menores do Rio Grande do Sul. Sociólogos, educadores, advogados também assinaram um manifesto. Afirmam que a pesquisa mascara o que chamam de "velhas práticas de extermínio e exclusão". Os idealizadores do estudo se defendem."É lamentável, porque nós não estamos fazendo nada além do que ampliar a informação sobre o assunto. A quem interessa proibir isso?", Osmar Terra, secretário de Saúde do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, o Fantástico conheceu o lugar onde vivem os jovens que podem ser alvo da pesquisa. A antiga Febem, na capital gaúcha, onde há 680 internos. Menores que foram detidos por roubo, tráfico e homicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pesquisadores de Porto Alegre querem examinar 50 jovens, entre 15 e 21 anos, numa máquina que faz a ressonância magnética funcional. Ela mostra o cérebro em funcionamento. Com este exame, o grupo de cientistas espera descobrir o que há de diferente no cérebro de um jovem homicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da máquina, os jovens serão submetidos a seqüências de imagens e sons violentos. Usando a ressonância, os neurocientistas esperam comprovar uma suspeita. A de que os homicidas têm partes do cérebro atrofiadas, reduzidas de tamanho. A mais importante delas é o lobo-frontal. É ele que controla os nossos impulsos.Na teoria, uma pessoa com atrofia do lobo-frontal tem mais dificuldade para conter seus instintos. Um traço que seria típico do comportamento assassino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, vem a crítica:"Bom, se for identificado no cérebro do sujeito que ele tem lá uma tendência para um comportamento violento, como que nós vamos controlar isso? Nós vamos medicar essa pessoa? Nós vamos colocar ele dentro de algum lugar?", questiona Karen Eidelwein, do Conselho de Psicologia do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós vamos usar essa informação para procurar alternativas de prevenção e até curativas, se possível, tratar esses indivíduos. Repor essas necessidades que eles têm no momento", diz Mirna Portuguez, neuropsicóloga da PUCRS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro passo da pesquisa também está gerando polêmica. Especialistas em genética querem colher amostras de sangue dos jovens que mataram, para exames de DNA. A pergunta é: será que alguns de nós nasceram predispostos para a violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pessoas violentas, talvez, um bom número delas, apresentam variações nos genes que as tornaram frágeis. Elas sofrem mais, e, como resposta ao sofrimento, acabam desenvolvendo comportamentos mais violentos em função do que sofreram", é o que diz o geneticista da UFRGS, Renato Flores. "A história sabe como tem acabado esse tipo de ciência. De alguma forma, me lembra os tipos criminosos de Cesare Lombroso", diz Ana Luiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lombroso foi um médico italiano que viveu no século 19. Ele acreditava que determinadas medidas do corpo, como o tamanho da mandíbula e os contornos do crânio indicavam se uma pessoa nascia com propenção para a delinqüência. Mais tarde, os nazistas se apropriaram da obra de Lombroso e mandaram milhares de pessoas para campos de concentração, com base nas medições cranianas."Não podemos utilizar alguns argumentos do passado sobre erros cometidos, ou de interpretação, ou de atuação, de terapêutica, etc. Misturar isso com essa pesquisa", rebate Jaderson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa só pode começar depois de a proposta ser analisada por uma comissão científica de professores universitários e por um comitê de ética.O Juizado de Menores ainda não informou se vai ou não permitir o estudo com os jovens da antiga Febem. Só serão examinados voluntários, com autorização dos pais."Acho que tem implicações éticas que merecem uma discussão, que é o que está acontecendo", finaliza Ana Luiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vídeo --&gt; &lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM782124-7823-CIENTISTAS+QUEREM+PESQUISAR+MENTES+CRIMINOSAS,00.html"&gt;AQUI&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-2423851331102072189?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/2423851331102072189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=2423851331102072189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/2423851331102072189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/2423851331102072189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-reportagem-no.html' title='A Pesquisa Maldita - Reportagem no Fantástico'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-1319646940606203894</id><published>2008-02-02T05:44:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.597-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - Outro Debate: Zero Hora</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Pesquisa com adolescentes gera debate&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira dois artigos que debatem o projeto de pesquisa com adolescentes da Fase, publicados no jornal Zero Hora, edição de 26 de janeiro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Miséria social, pseudociência e arrivismo, por Luis Guilherme Streb*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;*Psiquiatra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhei quase três anos na Fase. Diariamente atendia 10 a 15 internos. Conheci centenas de jovens, cada um com várias consultas. Felizmente havia pouquíssimos homicidas. No início, eu mesmo me intimidava um pouco, mas controlei meus sentimentos e conseguia conversar com eles. Seus crimes aconteceram nas mais variadas circunstâncias, sempre relacionadas com tráfico e uso de drogas, vingança, roubo ou alguma doença cerebral prévia, como epilepsia ou retardo mental. Todos vinham de famílias desintegradas e violentas, e viviam há anos sob as mais difíceis condições psicossociais. O cenário geral confirma várias pesquisas em muitos lugares: existe uma relação causal direta entre privação afetiva ou abuso na infância e condutas sociopáticas na adolescência. Além disso, existe um agravante social importante no Brasil: a falta de cultura, ou seja, nos falta um conjunto de crenças e práticas comuns que promovam o desenvolvimento pessoal e a coesão social, e que estimulem a educação e a segurança dos indivíduos. Prova eloqüente disto é o número enorme de servidores públicos, políticos, administradores e cidadãos comuns presos todos os dias por conduta criminosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo sem conhecer o projeto de pesquisa recentemente noticiado, envolvendo adolescentes da Fase (fica a sugestão de disponibilizá-lo em algum site, se ainda não está, principalmente se for financiado por dinheiro público). Como um bom projeto de pesquisa, deve apresentar uma hipótese. Qual é? Depreendo que esta hipótese possibilite encontrar correlações estatisticamente significantes entre genética e neurologia e comportamento violento, segundo o texto da reportagem na ZH de 24 de janeiro. A julgar pela notícia no site da Associação Paulista de Medicina, existe grande confusão conceitual entre os envolvidos, além de uma situação política, o que aliás complica deveras uma pesquisa que pretende ser ciência isenta. Termos como "políticas públicas" e "prevenção" já são usados antes mesmo dos resultados da pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for assim, a idéia, cientificamente, é obtusa e bizarra (seus aspectos políticos merecem análise mais detalhada). É como chover no molhado ou reinventar a roda. Os determinantes psicossociais do comportamento agressivo já são sobejamente conhecidos através dos inúmeros trabalhos já publicados, aqui e mundo afora. Fatores orgânicos, genéticos e neurológicos também já são conhecidos, verificados em amostras de indivíduos muito mais adequadas do que esta em questão. Previsivelmente, revelaram-se com peso ínfimo e desprezível em comparação com os fatores familiares e psicossociais no contexto populacional geral. Introduzir adolescentes em tubos de ressonância nuclear para ver seus cérebros, ou determinar seu genoma, é um disparate em nosso contexto de carência de recursos; principalmente diante das histórias de vida desses guris que não tiveram nada de bom na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que os cientistas professores doutores políticos encontrem lesões cerebrais ou defeitos genéticos em seus probandos. Como avaliar? Como entender? Como "pesar"? Explicaria a epidemia assassina e sociopática em que vivemos? Isto deve estar detalhado no projeto.Diante do sarcasmo de um sábio geneticista local, só nos resta concluir que alguns cientistas têm, sim, sua função mental no pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Resistência à ciência, por Homero Dewes*&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;*Professor do Instituto de Biociências, UFRGS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto um neurobiologista brasileiro que trabalha nos Estados Unidos tem seu feito científico celebrado mundialmente, ao expressar processos mentais em movimentos robóticos, dois neurobiologistas brasileiros que trabalham em universidades de Porto Alegre estão tendo suas pesquisas execradas por um grupo de profissionais do campo das ciências sociais que repudiam os avanços da neurobiologia no estudo do comportamento humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os signatários da nota de repúdio aos estudos da atividade neurológica de adolescentes infratores, proposta por pesquisadores da PUCRS e da UFRGS, aparentemente, as questões científicas relativas ao comportamento juvenil brasileiro já foram todas resolvidas pela legislação em vigor, a qual determina que a violência juvenil seja resultado das vicissitudes sociais, políticas e econômicas da sociedade brasileira injusta e que nada tem a ver com a atividade cerebral dos indivíduos envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem pouco tempo ou interesse tem de acompanhar os avanços científicos, seja nas disciplinas do seu próprio campo de trabalho, seja em outros campos, pode ser novidade saber que um dos temas de pesquisa apontados pela comunidade científica internacional dentre os mais dinâmicos e promissores para este século é o estudo e o entendimento das bases biológicas da consciência. Nesta fronteira científica está o entendimento dos processos neurológicos associados aos sentidos, aos sentimentos e ao instinto da moral. Com as tecnologias de ressonância hoje disponíveis, a cada dia mais se aprende sobre o que se passa no cérebro, a cada memória, a cada desejo e a cada ação. Obstruir no país a pesquisa em neurobiologia comportamental é pretender banir das nossas universidades a pesquisa científica contemporânea e de vanguarda, condenar a ciência social brasileira à marginalidade e o profissional social brasileiro ao obscurantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num país em que organizações não-governamentais destroem campos experimentais impunemente e em que laboratórios científicos são queimados criminosamente, a emergência de oposição fanática e organizada à neurobiologia comportamental no país é um processo muito sério e potencialmente catastrófico para a ciência, para os cientistas e para o povo brasileiro. Melhor seria, para todos nós, se abríssemos nossas cabeças para novos conhecimentos e aprendêssemos a celebrar com orgulho os feitos dos cientistas brasileiros, enquanto realizados na sua própria terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Notícias do &lt;a href="http://www.crp07.org.br/"&gt;CRP-RS&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-1319646940606203894?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/1319646940606203894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=1319646940606203894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1319646940606203894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1319646940606203894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-outro-debate-zero-hora.html' title='A Pesquisa Maldita - Outro Debate: Zero Hora'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-5442133509076893250</id><published>2008-02-02T05:43:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.598-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A opinião de Karen Eidelwein</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pesquisa "cerebral" com adolescentes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;25/01/2008 - Direitos Humanos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crescimento dos discursos sobre violência e criminalidade anda de mãos dadas com uma cultura biologizada que desloca a atenção da necessidade de reformas sociais para o âmbito individual, com o argumento de proteger a população "normal" dos "indivíduos ameaçadores", como se a criminalidade estivesse inscrita no corpo dos sujeitos. A questão que deveria nos ocupar seriamente é o que essa população chamada "normal" tem feito pelos ditos "indivíduos perigosos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso, vimos por meio deste manifestar nosso repúdio ao projeto de pesquisa a ser desenvolvido por pesquisadores de duas instituições de Ensino Superior da capital gaúcha que propõe mapear o cérebro de adolescentes que cumprem medida socioeducativa devido a homicídios praticados, tendo como objetivo investigar "a base biológica da violência". Questionamos os efeitos e as possíveis conseqüências do referido estudo em função de sustentar e fomentar um entendimento maniqueísta, reducionista e individualista das questões que envolvem o tema da criminalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inscrever a questão da violência no cérebro desses adolescentes traz ainda uma ameaça de afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pois, na medida em que se biologiza a questão, que tipos de alternativas ou tratamentos serão propostos para "controlar" esses indivíduos? O que será feito daqueles que, submetidos aos poderes e técnicas científicas, tiverem uma condição biológica que os coloca como "inimigos da sociedade"? Para além de reeditar aspectos de um controle biológico da população, do século passado, criando subpopulações de pessoas propensas ao crime, os discursos atuais da manipulação biológica podem ostentar uma promessa de segurança pública pautada no controle e alteração dessa condição pela utilização de técnicas que poderão facilmente envolver o aumento da utilização de psicofármacos, de eletroconvulsoterapias e de medidas cada vez mais punitivas e repressivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos ir além de dicotomias sobre achar causas biológicas ou sociais para entender as relações de poder, éticas e políticas que estão envolvidas na questão da violência e da criminalidade. Diante do tipo de estudo que está sendo proposto e dos resultados que dele poderão advir, é imprescindível questionar quais os benefícios e os beneficiários da pesquisa; quais as ameaças e ganhos advindos e quem sofrerá seus efeitos; quais os custos e quem arcará com os mesmos. Enfim, é necessário discutir, para além das capacidades técnicas e metodológicas da ciência, as questões políticas e éticas que devem orientar qualquer pesquisa, principalmente quando envolve pessoas já tão violentadas na sua dignidade. Um dos questionamentos viáveis neste contexto é sobre a escolha dessa população como "os" responsáveis pela violência contemporânea, utilizando critérios meramente jurídico-penais ou até mesmo raciais e morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditamos que a questão criminal na contemporaneidade deva ser tratada na sua complexidade, sendo impossível chegar a certezas absolutas, objetivas e observáveis, tanto química quanto biologicamente, sobre a subjetividade humana, através da utilização de métodos exclusivos das ciências naturais a fim de produzir "verdades" unilaterais para algo que é de outra ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Karen Eidelwein&lt;br /&gt;Presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Notícias do &lt;a href="http://www.crp07.org.br/"&gt;CRP-RS&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-5442133509076893250?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/5442133509076893250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=5442133509076893250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5442133509076893250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5442133509076893250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/25012008-direitos-humanos-pesquisa.html' title='A Pesquisa Maldita - A opinião de Karen Eidelwein'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-6581509113606247162</id><published>2008-02-02T05:39:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.599-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A Opinião de Ivan Izquierdo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Infância de jovens homicidas será foco de pesquisa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Matéria publicada no jornal Zero Hora, em 25 de janeiro de 2008.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a proposta de exame do cérebro tenha levantado polêmica nacional sobre um projeto de pesquisa gaúcho com jovens homicidas, especialistas esclarecem que são os cuidados na infância que formam um dos pontos cruciais do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das hipóteses que deverão ser testadas é a de que o estresse continuado durante os primeiros anos de vida predispõe à agressividade.Se aprovada pelos comitês de ética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica - apesar da avaliação de um grupo de psicólogos, advogados e representantes de ONGs expressa em abaixo-assinado de que a iniciativa estigmatiza os infratores - , a pesquisa vai procurar as origens do comportamento violento de internos homicidas da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Estado (Fase).Um dos responsáveis pelo trabalho, o professor do departamento de Genética da UFRGS Renato Zamora Flores, aposta que uma das conclusões será a importância dos cuidados nos primeiros anos de vida.- Minha hipótese é de que os eventos relacionados com o comportamento violento serão os maus-tratos e o estresse nos primeiros anos de vida. O estresse continuado levanta o nível do hormônio cortisol que, nos primeiros anos, esculhamba o cérebro - avalia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avaliação deverá incluir entrevistas com familiares e testes com 50 internos a fim de avaliar condições sociais, psicológicas, genéticas e psiquiátricas que ajudem a explicar a agressividade juvenil. Se aprovada, a pesquisa deve começar em março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobre a liberdade de pesquisar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vários dos principais pesquisadores em neurociência do comportamento do país, pertencentes à UFRGS e à PUCRS, elaboraram um projeto de pesquisa que visa a estudar aspectos do funcionamento cerebral que possam estar relacionados à violência. Haja visto a enorme incidência desta no Brasil, sabidamente um dos países mais violentos do mundo, e o fato de que a neurociência estudou durante décadas os mecanismos cerebrais vinculados com a violência em animais, o projeto é sem dúvida de grande interesse. O projeto visa também a avaliar a participação de aspectos sociais e socioeconômicos na violência no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama poderosamente a atenção que um reduzido grupo de sociólogos e psicólogos (101 pessoas ao todo) não vinculados à atividade científica tenha emitido publicamente uma forte opinião contrária à realização desse projeto. No melhor estilo da censura prévia da Espanha da Inquisição, da Alemanha de Hitler, da Rússia de Stalin, ou da Romênia de Ceausescu. Se opõem ao projeto em si, e algum deles promete exercer essa oposição "ao nível que for preciso": jurídico, etc. Alegam que o projeto é elitista, talvez porque na sua fase inicial estudará internos da Fase - ex-Febem. Não comentam o fato de que o mesmo prevê o estudo de outros indivíduos numa fase seguinte, inclusive "filhinhos de papai". Alegam que é "triste a universidade que ainda se mobiliza para esse tipo de estudo", ignorando que é justamente a função dela realizá-los; duas universidades, neste caso. Certamente não é função dos leigos opinar sobre o assunto sem ter base para tanto. Os 101 assinantes prevêem conclusões fatídicas desse estudo, que não foi ainda sequer começado. Não o leram em detalhe, porque se o tivessem feito, teriam percebido que o projeto prevê estudos sociológicos e socioeconômicos também, em paralelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um momento em que parece renascer o obscurantismo no Brasil que julgávamos desaparecido com a implantação da República. Ao mesmo tempo em que não-cientistas emitem virulentas declarações sobre ciência, como esta dos 101 assinantes mencionada acima, surgem grupos de antiviviseccionistas, grupos de opositores ao uso de fármacos ou vacinas para o tratamento das doenças etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, a reação da grande imprensa a essas críticas desvairadas e amadorísticas foi rápida no caso do projeto do estudo da violência. A imprensa percebeu que aqui, no caso de um problema de tanta importância, o certo não é proibir "a priori" aquilo que se desconhece, senão investigá-lo. Quanto mais o façam, melhor será a possibilidade da procura de soluções, a diversos níveis. Espero que o projeto dos professores Jaderson da Costa (PUCRS) e Renato Zamora Flores (UFRGS), e do secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, seja bem-sucedido. Trará luz a um problema que deve ser abordado de muitos ângulos, e só assim encontrará solução alguma vez. Evidentemente, já que o cérebro é o órgão que organiza, decide e comanda os atos de violência, é útil saber como o faz. Jogar uma ideologia em cima de semelhante problema será simples, mas não tem trazido resultados até agora; nem no Brasil nem em parte alguma do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"IVAN ANTONIO IZQUIERDO Integrante do Centro de Memória da PUCRS e da Academia Brasileira de Ciências&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Notícias do &lt;a href="http://www.crp07.org.br/"&gt;CRP-RS&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-6581509113606247162?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/6581509113606247162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=6581509113606247162' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6581509113606247162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6581509113606247162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-opinio-de-ivan.html' title='A Pesquisa Maldita - A Opinião de Ivan Izquierdo'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-4099938135029692810</id><published>2008-02-02T05:38:00.001-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.601-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - Outro vídeo: Record</title><content type='html'>Também na "&lt;a href="http://www3.pucrs.br/portal/page/portal/pucrs/Capa/AdministracaoSuperior/ascom/SalaImprensa/siClipping"&gt;Sala de Imprensa&lt;/a&gt;" do site da PUCRS, há um vídeo da reportagem exibida no dia 23 de janeiro de 2008 na Record. Assista só se gostar de ser tratado feito idiota (as expressões faciais da âncora que introduz a matéria lembram as das tias do pré-primário). Em todo caso, está feito o registro aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Record - canal 2&lt;br /&gt;Rio Grande Record: &lt;a href="http://66.49.205.234/tv/janeiro/23012008/23012008-190551-record.wmv" target="_blank"&gt;Mapeamento do cérebro&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-4099938135029692810?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/4099938135029692810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=4099938135029692810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4099938135029692810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4099938135029692810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-outro-vdeo-record.html' title='A Pesquisa Maldita - Outro vídeo: Record'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-153669185108301932</id><published>2008-02-02T05:37:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.602-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - Debate no programa "Conversas Cruzadas" da TV COM</title><content type='html'>No dia 23 de janeiro deste ano, a TV COM apresentou o programa "Conversas Cruzadas" com um debate sobre a pesquisa neurológica com os meninos da FASE, com a participação do professor de Genética da UFRGS Renato Zamora Flores, o secretário estadual de saúde e mestrando em neurociências Osmar Terra, a representante do CRP-RS e doutoranda em Psicologia Martha Narvaz e o responsável pela Comissão de Direitos Humanos da OAB e professor de Direito na Feevale, Ricardo Breier. Abaixo estão os links que a PUCRS disponibilizou em sua "&lt;a href="http://www3.pucrs.br/portal/page/portal/pucrs/Capa/AdministracaoSuperior/ascom/SalaImprensa/siClipping"&gt;Sala de Imprensa&lt;/a&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que este debate retrata de forma magistral como o debate em torno dessa pesquisa tem sido. Vale a pena assistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TV COM - canal 36&lt;br /&gt;Conversas Cruzadas: &lt;a href="http://66.49.205.234/tv/janeiro/23012008/23012008-223700-tvcom.wmv" target="_blank"&gt;Pesquisa Polêmica (parte 1)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Conversas Cruzadas: &lt;a href="http://66.49.205.234/tv/janeiro/23012008/23012008-231322-tvcom.wmv" target="_blank"&gt;Pesquisa Polêmica (parte 2)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Conversas Cruzadas: &lt;a href="http://66.49.205.234/tv/janeiro/23012008/23012008-233117-tvcom.wmv" target="_blank"&gt;Pesquisa Polêmica (parte 3)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Conversas Cruzadas: &lt;a href="http://66.49.205.234/tv/janeiro/23012008/23012008-235225-tvcom.wmv" target="_blank"&gt;Pesquisa Polêmica (parte 4)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-153669185108301932?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/153669185108301932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=153669185108301932' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/153669185108301932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/153669185108301932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-debate-no-programa.html' title='A Pesquisa Maldita - Debate no programa &quot;Conversas Cruzadas&quot; da TV COM'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-5036031379750838123</id><published>2008-02-02T05:31:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.603-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A Opinião de Renato Zamora Flores</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Feudalismo acadêmico nas ciências sociais&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Renato Zamora Flores - publicado na &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt; em 21/01/2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No Brasil, devido a um indiscutível feudalismo científico, a maioria dos cursos de ciências sociais e de psicologia simplesmente ignora o que ocorre em outras áreas do conhecimento e forma profissionais que não conseguem entender o que ocorre na seara alheia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Zamora Flores é professor de genética da UFRGS. Artigo publicado na “Folha de SP”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o maior desafio da interdisciplinaridade seja a necessidade de entendermos como funcionam outras áreas do conhecimento, além do eventual arcabouço teórico em que acreditamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema parece ser especialmente grave entre cientistas e psicólogos sociais que, de modo geral, desconhecem o conjunto de áreas do conhecimento denominadas de neurociências e que incluem, desde a bioquímica e a genética, até a neurologia e a psiquiatria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas áreas progrediram muito nas três últimas décadas e, para se estar minimamente informado sobre os seus avanços, é necessário uma ampla quantidade de leitura e estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, devido a um indiscutível feudalismo científico, a maioria dos cursos de ciências sociais e de psicologia simplesmente ignora o que ocorre em outras áreas do conhecimento e forma profissionais que, apesar de competentes em seus assuntos específicos, não conseguem entender o que ocorre na seara alheia.Assim, quando propusemos um estudo sobre adolescentes violentos, descrito com propriedade em matéria da Folha (26.nov., pág A15), fomos surpreendidos com uma estapafúrdica nota de repúdio que, sob a capa de estímulo à discussão, qualificava o empreendimento, entre outras ofensas e agressões, de eugênico e vinculado a práticas de extermínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os críticos parecem acreditar que fenômenos mentais e sociais ocorrem independentemente dos cérebros dos indivíduos. Para eles, estudos biológicos do comportamento são irrelevantes pois os efeitos da cultura e do ambiente social afetam a mente, que deve estar em algum lugar que não o cérebro, talvez em uma estrutura etérea como a alma. Para piorar, parecem confundir "biológico" com implacável e imutável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a nota de repúdio explica, por exemplo, o vínculo com o conceito de "eugenia"? Esse é um termo criado por Francis Galton (1822-1911), que o definiu como "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja fisica ou mentalmente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal prática foi utilizada por norte-americanos e alemães na primeira metade do século 20, sem qualquer resultado relevante. Por exemplo, o regime nazista eliminou mais de 80% dos deficientes e doentes mentais sem qualquer impacto epidemiológico no número de afetados por estas enfermidades na geração seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum biólogo minimamente informado proporia tal prática. Apenas os que desconhecem esse aspecto da história vinculariam o estudo proposto a uma prática tão ineficiente e cruel.O que decorreu deste documento equivocado foi uma ampla crítica da comunidade científica aos autores da nota. Como bem disse Jairo Eduardo Borges-Andrade, professor de psicologia social da UnB, "a nota de repúdio "prega" uma visão de mundo (teoria) e uma forma de fazer pesquisa (método) e não somente julga, mas condena e propõe penalidades para aqueles que não seguem a teoria e o método que considera apropriados".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que fazer uso da defesa dos direitos humanos e das crianças como escudo para fundamentar a pregação de uma única forma de fazer pesquisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=53819"&gt;Jornal da Ciência&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-5036031379750838123?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/5036031379750838123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=5036031379750838123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5036031379750838123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/5036031379750838123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-opinio-de-renato.html' title='A Pesquisa Maldita - A Opinião de Renato Zamora Flores'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-8198254747031223667</id><published>2008-02-02T05:30:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.604-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - Sobre a nota de repúdio</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Psicólogos tentam impedir pesquisa com homicidas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;21/01/2008 - 08h26&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RAFAEL GARCIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;da Folha de S.Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de mais de cem pessoas, que inclui psicólogos, advogados, antropólogos e educadores, quer tentar impedir a realização de um projeto de pesquisa que pretende &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u348589.shtml"&gt;mapear&lt;/a&gt; o cérebro de 50 adolescentes homicidas em Porto Alegre (RS). A reação contra os cientistas que lideram a proposta cresceu a partir de dezembro passado, quando um abaixo-assinado acompanhado de uma nota de repúdio de autoria coletiva começou a circular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A versão mais atual do documento está assinada por 101 pessoas, incluindo integrantes do CFP (Conselho Federal de Psicologia) e de conselhos regionais. Baseada em reportagem publicada pela Folha em 26 de novembro último, a nota compara a pesquisa a "práticas de extermínio" e de motivação "eugenista".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dos líderes do projeto que está sendo criticado são o neurocientista Jaderson da Costa, da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), e o geneticista Renato Zamora Flores, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Um aluno de mestrado no grupo é o secretário da Saúde do Estado, Osmar Terra, deputado federal licenciado pelo PMDB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intenção dos cientistas é analisar em uma mesma pesquisa aspectos neurobiológicos, psicológicos e sociais do comportamento violento, tendo como foco de pesquisa um grupo de internos da Fase (antiga Febem gaúcha).&lt;br /&gt;O projeto de pesquisa ainda não foi protocolado no comitê de ética da PUC-RS, que vai avaliá-lo, mas alguns signatários da nota de repúdio já estão organizando uma reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A gente pretende evitar que ele se realize", diz Ana Luiza Castro, psicóloga do Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre. "Entendemos que ele fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e fere os direitos humanos porque parte desse princípio: liga a violência a um determinado grupo social."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castro, que foi diretora da Fase no governo Olívio Dutra (PT), diz que pretende tentar barrar a pesquisa recorrendo à própria PUC-RS e, se não der certo, estuda ir ao juizado o ou ao Ministério Público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O estatuto fala de garantias, de reeducação e de reinserção social dos adolescentes", diz a psicóloga. "Nós não entendemos em que medida esse tipo de estudo pode ajudar nisso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Jaderson da Costa, os signatários do abaixo-assinado aderiram ao movimento por desinformação ou por não compreenderem a reportagem sobre a pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que eles assimilaram foi que nós estaríamos sendo reducionistas, procurando simplesmente uma base neurobiológica e desprezando qualquer outro fator", diz Costa. "Na realidade, é um projeto que visa mesmo ver bases neurobiológicas, neurológicas e genéticas, mas não descuida dos aspectos neuropsicológicos, psiquiátricos, emocionais e sociais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o neurocientista, a reação contrária à pesquisa se deve a uma vertente acadêmica que rejeita a incorporação da neurobiologia no estudo do comportamento humano. "Existe uma corrente retrógrada, que quer manter o conhecimento como está", diz. "Mas o foro para resolver essas coisas não é esse bate-boca com abaixo-assinado. O foro é a academia, a discussão acadêmica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u365435.shtml"&gt;Folha de São Paulo&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-8198254747031223667?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/8198254747031223667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=8198254747031223667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8198254747031223667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8198254747031223667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-sobre-nota-de-repdio.html' title='A Pesquisa Maldita - Sobre a nota de repúdio'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-6539176671646274645</id><published>2008-02-02T05:29:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.605-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - Quem assinou a nota de repúdio</title><content type='html'>Achei uma lista, ainda incompleta, dos signatários da nota de repúdio à Pesquisa Maldita. Pode parecer uma atitude persecutória, mas quem assinou, concordou em colocar seu nome na rede. Quando achar os 31 que faltam, atualizarei este post. Lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Ana Maria Falcão de Aragão Sadalla - Departamento de Psicologia Educacional Faculdade de Educação Universidade Estadual de Campinas;&lt;br /&gt;2. Angel Pino - psicólogo e criminólogo, professor da Unicamp;&lt;br /&gt;3. Antonio Carlos Amorim - Faculdade de Educação/Unicamp;&lt;br /&gt;4. Antonio Miguel - Professor da FE-UNICAMP;&lt;br /&gt;5. Associação Excola;&lt;br /&gt;6. Áurea M. Guimarães - F.E. – Unicamp;&lt;br /&gt;7. Carlos Eduardo Albuquerque Miranda - Professor da FE – UNICAMP;&lt;br /&gt;8. Carlos Eduardo Millen Grosso - Mestre em História pela PUC-RS;&lt;br /&gt;9. Carmen Lucia Soares- Professora da FE e FEF-UNICAMP;&lt;br /&gt;10. Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância - CIESPI;&lt;br /&gt;11. Childhope Brasil- Dayse Tozzato (Diretora-Presidente);&lt;br /&gt;12. Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro – CDH/CRP-05;&lt;br /&gt;13. Comissão de Direitos Humanos do CRP 06 (São Paulo);&lt;br /&gt;14. Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia – CNDH/CFP;&lt;br /&gt;15. Cristina Rauter – Professora da Universidade Federal Fluminense / UFF;&lt;br /&gt;16. Curso de Especialização em Psicologia Jurídica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ;&lt;br /&gt;17. Daniel Damiani - 1° Diretor de Assistência Estudantil da UNE;&lt;br /&gt;18. Dario Fiorentini - Professor da FE-UNICAMP;&lt;br /&gt;19. Des. Siro Darlan de Oliveira – Presidente do CEDCA/RJ;&lt;br /&gt;20.Edgard de Assis Carvalho- Professor; Coordenador do Núcleo de Estudos da Complexidade da PUC/SP;&lt;br /&gt;21. Ezequiel Theodoro da Silva – Unicamp;&lt;br /&gt;22. Fernanda Rodrigues da Guia - Acadêmica de Psicologia da UFF -Estagiária da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio deJaneiro;&lt;br /&gt;23. Gaudêncio Frigotto – Professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. PPFH/UERJ;&lt;br /&gt;24. Grupo Atitude! Protagonismo Juvenil;&lt;br /&gt;25. Helena Costa Lopes de Freitas - Profa. Aposentada UNICAMP;&lt;br /&gt;26. Heloísa Helena Pimenta Rocha FE-UNICAMP;&lt;br /&gt;27. Janne Calhau Mourão – Psicóloga – Projeto Clínico-Grupal TNM- RJ;&lt;br /&gt;28. Jeferson Pereira, ONG Orselit – Porto Alegre;&lt;br /&gt;29. José Claudinei Lombardi - Professor da FE UNICAMP; Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas HISTEDBR;&lt;br /&gt;30. Késia D’Almeida – Pedagoga da Creche da Fundação Oswaldo Cruz;&lt;br /&gt;31. Klelia Canabrava Aleixo. Professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais;&lt;br /&gt;32. Lenir Nascimento da Silva – Pediatra da Creche da Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ;&lt;br /&gt;33. Luci Banks Leite-Professora FE-UNICAMP;&lt;br /&gt;34. Luciene Naiff – UNIVERSO;&lt;br /&gt;35. Luís Gustavo Franco, advogado e professor de Direito da Criança e do Adolescente da UNDB - São Luís/MA;&lt;br /&gt;36. Luiz Fernandes de Oliveira - CAp UERJ, FAETEC e PUC-Rio;&lt;br /&gt;37. Lygia Santa Maria Ayres - psicóloga, pesquisadora da UFF e conselheira presidente da Comissão de Orientação e Etica do CRP RJ;&lt;br /&gt;38. Marcelo Cafrune, advogado, mestrando em Direito na UFSC;&lt;br /&gt;39. Marcelo Dalla Vecchia - Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS);&lt;br /&gt;40. Márcia Badaró – Conselheira do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-05);&lt;br /&gt;41. Margareth Silva Rodrigues Alves – Historiadora - Diretora do Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Cabo Frio – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. PPFH/UERJ;&lt;br /&gt;42. Maria da Conceição Xavier de Almeida- Professora; Coordenadora do Grupo de Estudos da Complexidade da UFRN;&lt;br /&gt;43. Maria das Graças de Carvalho Henriques Áspera – Psicóloga da FUNDAC – Fundação da Criança e do Adolescente (Bahia);&lt;br /&gt;44. Maria Helena Salgado Bagnato;&lt;br /&gt;45. Maria Helena Zamora - Professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro / PUC-Rio;&lt;br /&gt;46. Marília Denardin Budó - RG 1063484909 - Mestrado em Direito - UFSCIsis de Jesus Garcia - Mestranda UFSC Direito;&lt;br /&gt;47. Mônica Lins – Colégio de Aplicação da UERJ;&lt;br /&gt;48. Nuances – grupo pela livre expressão sexual – Porto Alegre;&lt;br /&gt;49. Núcleo de Pesquisas Políticias que produzem educação (NUPE) da UERJ;&lt;br /&gt;50. Patrícia Trópia Professora da PUC-Campinas;&lt;br /&gt;51. Pedro Paulo Gastalho de Bicalho – Vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-05) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro/ UFRJ;&lt;br /&gt;52. Programa Cidadania e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - PCDH/UERJ;&lt;br /&gt;53. Programa Pró-Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ;&lt;br /&gt;54. Rafael L. F. da C. Schincariol - mestrando em direito pela UFSC;&lt;br /&gt;55. Raquel de Almeida Moraes - Doutora em Educação pela Unicamp - Professora da Universidade de Brasília - Programa de Pós-Graduação em Educação;&lt;br /&gt;56. Regina Maria Bastos Ferreira - Professora da Universidade Comunitária Regional de Chapecó/SC;&lt;br /&gt;57. Regina Maria de Souza - docente da Faculdade de Educação da UNICAMP;&lt;br /&gt;58. Rita de Cássia Fagundes - Educadora - Agente Jovem - Cascavel/PR;&lt;br /&gt;59. Simone Brandão Souza – Coordenação de Serviço Social – SEAP – RJ;&lt;br /&gt;60. Tatiana Machado – Marcha Mundial de Mulheres;&lt;br /&gt;61. Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero – Porto Alegre;&lt;br /&gt;62. Conselho Regional de Psicologia do RS;&lt;br /&gt;63. Maria Theresa da Costa Barros – Pós-Doutoranda do Instituto de Medicina Social da UERJ – Grupo de Pesquisa – Juventudes, Violências e Subjetivações sob patrocínio da FAPERJ;&lt;br /&gt;64. Ceniriani Vargas da Silva - MNLM - Movimento Nacional de Luta pela Moradia;&lt;br /&gt;65. André de Jesus - MHHOB - Movimento Hip Hop Organizado Brasileiro;&lt;br /&gt;66. Sabrina Santos Brum - Circulando Informação e Arte Urbana;&lt;br /&gt;67. João Paulo Pontes - Conselheiro Temática Cultura - Orçamento Participativo - Porto Alegre Rede Juventudes de Porto Alegre;&lt;br /&gt;68. Lindomar Expedito Silva Darós (CRP-RJ coordenador regional do CREPOP e psicólogo concursado do quadro do TJRJ-VIJI/São Gonçalo);&lt;br /&gt;69. Estela Scheinvar, UERJ/UFF;&lt;br /&gt;70. Grupo Tortura Nunca Mais, Rio de Janeiro - GTNM/RJ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fontes: Notícias do &lt;a href="http://www.crp07.org.br/"&gt;CRP-RS&lt;/a&gt;; Movimento Nacional de Direitos Humanos - &lt;a href="http://www.mndh.org.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=333&amp;amp;Itemid=56"&gt;MNDH&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-6539176671646274645?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/6539176671646274645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=6539176671646274645' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6539176671646274645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6539176671646274645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-quem-assinou-nota-de.html' title='A Pesquisa Maldita - Quem assinou a nota de repúdio'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-8227260263864441666</id><published>2008-02-02T05:28:00.001-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.606-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A nota de repúdio</title><content type='html'>Aqui vai a nota de repúdio contra a pesquisa da PUCRS e da UFRGS com meninos infratores internos da FASE. Ela foi assinada por psicólogos, antropólogos, advogados e educadores, que acusaram os pesquisadores de "eugenistas" e "exterminadores". Leiam a nota e tirem suas próprias conclusões (pessoalmente, aposto que foi alguém da Psicologia Social quem escreveu essa nota). Ainda estou tentando achar a lista de todas as pessoas que assinaram a nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NOTA DE REPÚDIO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É com tristeza e preocupação que recebemos a notícia de que universidades de grande visibilidade na vida acadêmica brasileira estão destinando recursos e investimentos para velhas práticas de exclusão e de extermínio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A notícia de que a PUC-RS e a UFRGS vão realizar estudos e mapeamentos de ressonância magnética no cérebro de 50 adolescentes infratores para analisar aspectos neurológicos que seriam causadores de suas práticas de infração nos remete às mais arcaicas e retrógradas práticas eugenistas do início do século 20.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Privilegiar aspectos biológicos para a compreensão dos atos infracionais dos adolescentes em detrimento de análises que levem em conta os jogos de poder-saber que se constituem na complexa realidade brasileira e que provocam tais fenômenos é ratificar sob o agasalho da ciência que os adolescentes são o princípio, o meio e o fim do problema, identificando-os seja como "inimigo interno" seja como "perigo biológico", desconhecendo toda a luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes, que culminou na aprovação da legislação em vigor, o Estatuto da Criança e do Adolescente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pensar o fenômeno da violência no Brasil de hoje é construir um pensamento complexo, que leve em consideração as redes que são cada vez mais fragmentadas, o medo do futuro cada vez mais concreto e a ausência de instituições que de fato construam alianças com as populações mais excluídas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É falar da corrupção que produz morte e isolamento e da precariedade das políticas públicas, sejam elas as políticas sociais básicas como educação e saúde, sejam elas as medidas sócio-educativas ou de proteção especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a Universidade se colocar como um ente externo que apenas fragmenta, analisa e estuda este real, sem entender e analisar suas reais implicações na produção desta realidade, a porta continuará aberta para a disseminação de práticas excludentes, de realidades genocidas, de estudos que mantêm as coisas como estão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Violência não é apenas o cometimento do ato infracional do adolescente, mas também todas aquelas ações que disseminam perspectivas e práticas que reforçam a exclusão, o medo, a morte.&lt;br /&gt;Triste universidade esta que ainda se mobiliza para este tipo de estudo, esquecendo-se que a Proteção Integral que embasa o ECA compreende a criança e o adolescente não apenas como "sujeito de direitos" mas também como "pessoa em desenvolvimento" -o que por si já é suficiente para não engessar o adolescente em uma identidade qualquer, seja ela de "violento" ou "incorrigível".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A universidade brasileira pode desejar um outro futuro: o de estar à altura de nossas crianças e adolescentes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Notícias do &lt;a href="http://www.crp07.org.br/"&gt;CRP-RS&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-8227260263864441666?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/8227260263864441666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=8227260263864441666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8227260263864441666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8227260263864441666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-nota-de-repdio.html' title='A Pesquisa Maldita - A nota de repúdio'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-8173729194036573942</id><published>2008-02-02T05:18:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.607-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neurociências'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Polêmica'/><title type='text'>A Pesquisa Maldita - A reportagem que começou com toda essa porcaria</title><content type='html'>Diante da grande polêmica gerada em torno da pesquisa com os menores infratores da FASE, a ser realizada em conjunto pela PUCRS e pela UFRGS, decidi fazer uma cronologia de toda a inana. Aqui vai a primeira reportagem que recebi sobre o assunto, e que provavelmente foi o estopim para toda a polêmica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26/11/2007&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Estudo vai mapear cérebro de homicidas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Projeto de universidades gaúchas examinará mais de 50 menores infratores para investigar base biológica da violência&lt;br /&gt;Grupo vai analisar aspectos genético, psicológico, social e cerebral de adolescentes; secretário da Saúde do RS é um dos mentores do projeto&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RAFAEL GARCIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;ENVIADO ESPECIAL A PORTO ALEGRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu estava sozinho na rua. Não tinha recurso. Ninguém queria me dar serviço. O que queriam me dar não dava dinheiro. Comecei a traficar, roubar, matar." A história de D.S., de 17 anos, interno da Fase (Fundação de Atendimento Socio-Educativo, antiga Febem gaúcha) parece ser comum entre as dos mais de 50 adolescentes homicidas que vão ter seus cérebros mapeados por um aparelho de ressonância magnética num estudo em Porto Alegre, no ano que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientistas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e da UFRGS (Universidade Federal do RS) querem saber se o que determina o comportamento de um menor infrator é sua história de vida e se há algo físico no cérebro levando-o à agressividade.&lt;br /&gt;"Algo que sempre foi negligenciado foi o entendimento da violência como aspecto de saúde pública", diz Jaderson da Costa, neurocientista da PUC-RS que coordenará os trabalhos de mapeamento cerebral. A idéia é entender quais pontos são mais relevantes dentro da realidade brasileira na hora de determinar como se produz uma mente criminosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso serão avaliados também aspectos genéticos, neurológicos, psicológicos e sociais de cada pesquisado. Serão examinados dois grupos: um de internos da Fase e outro de meninos sem passado de crime, para efeito de comparação. O projeto vai olhar para questões sociais, mas o foco é mesmo o fundo biológico da questão.&lt;br /&gt;"Estamos nos baseando em trabalhos que já existem mostrando que há um período crítico no início da vida e que se uma criança é maltratada entre o 8º e o 18º mês ela adquire comportamento alterado na idade adulta", diz um dos mentores do projeto, o secretário de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, aluno de mestrado de Costa. "Decidi no ano passado retomar a neurociência como uma opção de vida; minha opção não é fazer política até morrer", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cabeça de agressor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para os cientistas, um ambiente de desenvolvimento inadequado pode mesmo "fabricar" um psicopata: pessoa que despreza regras de convívio social e é desprovida de sentimentos de empatia e afeto. O papel do mapeamento cerebral por ressonância magnética na pesquisa é tentar entender a manifestação física de problemas como esse. O trabalho que inspira Costa nessa área é um artigo do grupo do neurocientista português António Damasio publicado em 1999. O estudo mostra que meninos que sofreram lesões no córtex pré-frontal -região do cérebro próxima à testa- tinham sérios problemas de sociabilidade após crescer. "A aquisição de convenções sociais complexas e de regras morais se estabelece precocemente", diz Costa. "Essas lesões podem resultar mais tarde numa síndrome parecida com a psicopatia." O cientista quer saber se, independentemente de lesões, meninos cronicamente violentos tenham atividade reduzida em alguma região do córtex pré-frontal, área cerebral ligada a tarefas mentais que envolvem juízo moral. "Não queremos que isso sirva como roupa sob medida para explicar todos os casos, mas pode explicar boa parte", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Traumas e psicopatia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na avaliação psicológica que complementará o estudo, três questionários serão aplicados. Um deles avalia se houve traumas na infância dos pesquisados, outro avalia o histórico de vida familiar e escolar. "Um terceiro tenta identificar se há ou não um traço de psicopatia ou comportamento violento extremo", explica Ângela Maria Freitas, psicóloga da PUC-RS que integra o projeto. O DNA dos meninos também será analisado. O projeto de Costa e Terra ainda está sendo analisado por um comitê de ética da PUC-RS, e os cientistas se dizem confiantes de que a aprovação sairá para início dos trabalhos em março de 2008. O custo da empreitada, avaliado por Terra em cerca de R$ 120 mil, será coberto com doações da siderúrgica Gerdau para a pesquisa, afirma o secretário da Saúde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-8173729194036573942?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/8173729194036573942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=8173729194036573942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8173729194036573942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/8173729194036573942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/02/pesquisa-maldita-reportagem-que-comeou.html' title='A Pesquisa Maldita - A reportagem que começou com toda essa porcaria'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-3273311582093159713</id><published>2008-01-29T10:15:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.608-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série - A Pesquisa Maldita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>Da série "Explicando com figuras"</title><content type='html'>&lt;div&gt;Lição do dia: como funcionam as discussões entre psicólogos:&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3-PmKHZEzk8/R59tp0slyQI/AAAAAAAAAW4/FjxyL2OSrEQ/s1600-h/futility+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160964263277611266" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3-PmKHZEzk8/R59tp0slyQI/AAAAAAAAAW4/FjxyL2OSrEQ/s400/futility+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A sensação é mesma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-3273311582093159713?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/3273311582093159713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=3273311582093159713' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3273311582093159713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3273311582093159713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/01/da-srie-explicando-com-figuras.html' title='Da série &quot;Explicando com figuras&quot;'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3-PmKHZEzk8/R59tp0slyQI/AAAAAAAAAW4/FjxyL2OSrEQ/s72-c/futility+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-4282403784636846934</id><published>2008-01-29T09:55:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T09:57:01.866-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>Editorial da Folha de São Paulo: RAZÃO E PRECONCEITO (sobre a pesquisa com os meninos da FASE)</title><content type='html'>Editorial da Folha de S.Paulo: RAZÃO E PRECONCEITO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enviesada e precipitada: é o mínimo que se deve dizer da nota de repúdio de uma centena de psicólogos, advogados, antropólogos e educadores contra estudo biológico sobre comportamento violento de 50 jovens infratores no Rio Grande do Sul. O projeto nem foi submetido a um comitê de ética em pesquisa, mas os signatários já lhe atribuem "velhas práticas de exclusão e de extermínio" e "retrógradas práticas eugenistas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo da PUC-RS e da UFRGS planeja comparar jovens sob custódia do Estado que cometeram homicídios antes dos 18 anos com outros sem registro de violência. Entram na comparação histórico familiar e educacional, psicodiagnóstico, imagens do funcionamento do cérebro e variações genéticas, entre outros aspectos.&lt;br /&gt;O protocolo da pesquisa prevê obtenção de consentimento dos jovens estudados, de familiares e até do Poder Judiciário. Nada garante que identifique correlações significativas. Excluí-las de antemão, contudo, só ocorre a quem nega a priori que eventos cerebrais sejam relevantes para explicar o comportamento. A um determinismo biológico opõem outro, o do ambiente social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A censura é uma reação estereotipada à associação de biologia com comportamento. No século 19 e no início do 20, de fato, a suposição atabalhoada de uma relação causal entre características físicas (inclusive "raça") e capacidade mental, sem base real, produziu monstruosidades. Essa pseudociência foi demolida com argumentos teóricos e resultados empíricos, como convém. Não é o que se observa agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas "Regras para a Direção do Espírito", Descartes alertava já em 1628 que prevenção e precipitação são as grandes fontes do erro. Ao estigmatizar o estudo com noções preconcebidas, os autores da nota advogam proibição incompatível com a busca do conhecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-4282403784636846934?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/4282403784636846934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=4282403784636846934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4282403784636846934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/4282403784636846934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/01/editorial-da-folha-de-so-paulo-razo-e.html' title='Editorial da Folha de São Paulo: RAZÃO E PRECONCEITO (sobre a pesquisa com os meninos da FASE)'/><author><name>jeffbass</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09304832032403642185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-3579634140876978778</id><published>2008-01-26T12:03:00.000-08:00</published><updated>2008-01-26T12:26:20.761-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Naturalismo'/><title type='text'>Naturalismo científico</title><content type='html'>Para realizar a investigação científica, são necessários alguns pressupostos: a Natureza é material, e, portanto, mensurável objetivamente e passível de ser conhecida através de um método controlado. Pode ser que a realidade não se limita à Natureza ou à matéria, e então existiriam realidades sobrenaturais que transcendem a matéria e não se limitam ao observável. Mas como isso tornaria muito difícil de se confirmar e validar qualquer conhecimento como verdadeiro, para a  utilização do método científico nós assumimos que só o que existe é a Natureza composta de matéria.&lt;br /&gt;Para estudarmos alguma coisa, então, ela tem que ser feita de matéria, e temso que ter evidências de que ela existe. Por isso que não dá pra estudar Deus, anjos ou fantasmas. As pessoas também estudam conceitos puramente abstratos, como lógica ou epistemologia. Mas isso é filosofia, e não ciência. A lógica não é uma caixinha ou um palitinho.&lt;br /&gt;Desde Darwin, e com os avanços nas neurociências, passamos a superar a idéia de Kant e Descartes de que a mente é de uma natureza diferente da matéria e não pode ser estudada. A natureza da mente ainda é controversa, mas já é consenso entre os estudiosos mais avançados de que ela é produto do cérebro. Acaba a arrogância humana de se considerar com uma mente perfeita e racional, que transcende aos limites do mundo natural e nos coloca como superiores ao imenso restante do reino animal. Entretanto, nem todos os psicólogos agem como naturalista, apresentando idéias dualistas e outros preconceitos religiosos.&lt;br /&gt;Muitos se sentem ofendidos de serem feitos de carne, ou de terem alguns comportamentos matematicamente previsíveis, e muitos ainda acham que isso estigmatiza, imaginandoque biológico é igual a imutável, a exemplo de preconceitos respaldados com teorias biológicas que já foram falseados.&lt;br /&gt;Eu, no entanto, sempre achei essa idéia muito linda. Sempre tive um rlativo contato com idéias de religiões pagãs e filosofias orientais, que nos consideram como parte integrante e harmônica da Natureza. A minha predileção por ciência e pela busca da verdade faz com que eu me emocione ao saber que eu não sou diferente de crianças, mulheres, golfinhos e sapinhos, e faz eu me sentir responsável por eles também, a exemplo dessas religiões não-abraamânicas. Sem contar que saber de forma confiável sobre a natureza humana é muito útil, além de bonito.&lt;br /&gt;É essencial a postura naturalista para o conhecimento científico da mente humana, e isso não significa que se 'naturaliza', no sentido de considerar como dado, certo e imutável, fenômenos sociais. Pelo contrário, o pensamento científico problematiza tudo isso e levanta hipóteses. E até a etologia lança grandes luzes sobre a política, muito mais do que preconceitos filosóficos de franceses preocupados apenas em quebrar paradigmas, sem se importar se é real ou não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-3579634140876978778?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/3579634140876978778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=3579634140876978778' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3579634140876978778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3579634140876978778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/01/naturalismo-cientfico.html' title='Naturalismo científico'/><author><name>Bruno Graebin de Farias</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-1845065459155914508</id><published>2008-01-26T11:38:00.000-08:00</published><updated>2008-01-26T12:03:00.687-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amoladores de Facas'/><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>Eu, sinceramente, não se ente isso não passa de um comportamento imitativo dos mais patéticos, mas é também uma forma de exercitar a escrita pra quem está de férias e um pouco destreinado.&lt;br /&gt;Devo dizer que sinto-me honrado de receber a alcunha de 'amolador de facas', embora eu tenha demorado para ser aceito no grupo, sob a alegação de ter 'um bom coração'. De fato, eu tenho essa fama, mas a minha etiqueta e posições políticas não deveriam ser motivo para eu não pertencer ao grupo. Como argumentei em meu outro blog, um vegetariano pode até fazer um epistemólogo chorar. Meus colegas sabem disso.&lt;br /&gt;Além do mais, eu também sou avesso a interpretaços psicanalíticos e bonecos de palha pós-modernos, e ainda mais com o discurso derrotista de que a Verdade não existe. Gosto um monte de ciências biológicas, política e filosofia moral. Admiro Darwin, Bowlby, Bandura, Piaget, Kohlberg, Foucault(acreditem), Lapassade, Baremblitt, Dawkins, Dennett e autoras feministas como a Andrea Dworkin. Meus filósofos favoritos são Sócrates, Platão, Kant e o Buda. Não gosto de sofistas. Recomendo a leitura de Os Super-Heróis e a Filosofia, de Tom Morris. Nerdismos também me interessam. HQ ou mangá.&lt;br /&gt;Queria dizer também que acho o nome 'Amoladores de Facas' muito bonitinho. Ele pode significar as 'another brick in the wall' relatadas na Cidade dos Sábios, mas também o nosso espírito crítico e busca pelo aperfeiçoamento e pela  verdade. Ou também o fato de usarmos a Navalha de Occam. Se vocês procurarem na internet vão descobrir que precisa ser muito habilidoso pra ser um amolador de facas. São raros.&lt;br /&gt;Enfim, falaremos de ciência e epistemologia e criticaremos bastante. Leitores estão livres para isso também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-1845065459155914508?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/1845065459155914508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=1845065459155914508' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1845065459155914508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1845065459155914508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/01/apresentao_26.html' title='Apresentação'/><author><name>Bruno Graebin de Farias</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-6025390621561226018</id><published>2008-01-10T08:37:00.001-08:00</published><updated>2008-04-03T19:46:08.393-07:00</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>Inspirado pelo amiguinho Rockeiro Alcoólatra, aliás, citado por ele em seu comentário, resolvi fazer minha pequena apresentação. Tenho 27 anos, estou espalhado nos primeiros anos da Psicologia (e provavelmente continuarei assim, por enquanto :) e sou engenheiro eletricista e mestrando em ciência da computação. O que essa atividades têm em comum é tema para outro post... Também tenho meu próprio blog, Filosofias Diversas [1], o qual eu atualizo uma vez na vida, outra na morte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto do meu amiguinho me deprimiu (parapsicologia foi f*...) mas esse fato é freqüente na psicologia... Não me acho um amolador "paradoxal", nem "ortodoxo", mas realmente preciso por critérios epistemológicos claros. Uma coisa que particularmente me irrita na psicologia é a utilização da palavra "ciência" (deixaremos o tema "física quântica" para outra oportunidade :) Mas esse é só uma apresentação, então ainda não será destilado todo o veneno que corre nessas veias amoladoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me esforço tanto em ser tolerante, até porque a maior parte da psicologia não merece sequer esse esforço... Mas também não sou partidário de generalizações, então não acho que nenhuma linha teórica mereça ser desconsiderada a priori. Claro que, pragmaticamente falando, algumas áreas têm tendências altamente anti-científicas e seus ilustres membros ainda pretendem que as mesmas sejam encaradas como ciência. Também não gosto de donos da verdade e de abordagens "ou eu ganho, ou você perde", presentes em alto grau na psicologia. Aliás, a falácia é a principal forma de expressão dos amiguinhos (futuros) psicólogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto bastante do evolucionismo e suas implicações filosóficas, psicológicas e, claro, biológicas. Aliás, a minha visão de santíssima trindade atual para amoladores é Dennett-Dawkins-Pinker. Observando o velho testamento, encontraremos nomes como William James, Charles Darwin, Karl Popper... Aprecio também todos os rótulos normalmente distribuídos para amoladores (reducionista, biologizante, cientificista, etc), sendo que os considero elogios sinceros :) Em termos mais aplicados, me interesso por neurociências, psicologia evolucionista, teoria computacional da mente e psicologia cognitiva (comportamental).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prazer, eu sou o jeffbass e deixo uma frase amoladora abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.” Thomas H. Huxley&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - &lt;a href="http://filosofiasdiversas.blogspot.com/"&gt;Blog Filosofias Diversas&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-6025390621561226018?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/6025390621561226018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=6025390621561226018' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6025390621561226018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/6025390621561226018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/01/apresentao.html' title='Apresentação'/><author><name>jeffbass</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09304832032403642185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-30911962124662658</id><published>2008-01-01T12:20:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.609-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Idéias de Experimento'/><title type='text'>Idéias para um Experimento</title><content type='html'>Este é um blog científico, tão científico quanto a Psicologia pode ser. Não é muita coisa, mas já é um começo. Levando isto em conta, pensei que seria apropriado escrever as idéias para experimentos psicológicos que forem surgindo na minha mente, como exercício lógico. Os leitores podem criticar possíveis fraquezas das pesquisas e dar sugestões para cobrí-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive a presente idéia durante um almoço em família, e envolve habilidades gustativas. A dúvida que me ocorreu foi: todos os refrigerantes de cola tem o mesmo gosto? As pessoas são capazes de diferenciar entre um e outro? Para responder esta pergunta, primeiro compraríamos três garrafas de refrigerantes de cola: Coca-Cola, Pepsi-Cola e Fruki-Cola, por exemplo. Depois, colocaríamos os líquidos em garrafas diferentes e atribuiríamos números a cada uma delas (Coca 01, Pepsi o2 e Fruki 03). Depois, aplicaríamos um teste Duplo-Cego, pedindo para que um colaborador, que não saiba quais são as marcas envolvidas, desse pequenas doses para pessoas experimentarem das três garrafas. Depois de provar cada uma delas, o entrevistado (ou sujeito) diria que marca ele acabou de consumir. Para evitar possíveis distorções, não informaríamos se ele acertou ou errou. Depois de coletados os dados, faríamos uma análise estatística dos erros e acertos, e conferiríamos nossas hipóteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este procedimento pode ser utilizado para testar qualquer tipo de bebida, especialmente cerveja, que pra mim tem tudo o mesmo gosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-30911962124662658?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/30911962124662658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=30911962124662658' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/30911962124662658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/30911962124662658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2008/01/idias-para-um-experimento.html' title='Idéias para um Experimento'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-313997833352848559</id><published>2007-12-30T07:29:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.610-07:00</updated><title type='text'>Um pouco sobre mim mesmo</title><content type='html'>Depois de fazer as honras de apresentar nosso clubinho aos nossos leitores (provavelmente imaginários), acho que devo falar um pouco sobre mim mesmo. Tenho 19 anos, estou indo para o Segundo Ano do curso de Psicologia. O nome Andarilho eu escolhi para escrever em outro blog, o &lt;a href="http://roqueiroalcoolatra.blogspot.com/"&gt;Roqueiro &amp;amp; Alcoólatra&lt;/a&gt;, onde ainda escrevo (pra caralho), e é. Sou um dos editores do jornalzinho Psiu!, participante ativo do Diretório Acadêmico de Psicologia (DAP), e não me prostitui para o CNPq ou para a Prorext. Ainda. 200 reais a mais no final do mês são sempre bem vindos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou provavelmente o mais paradoxal amolador de faca, pois tenho muitos gostos diferentes e opostos. Digo que sou paradoxal e não contraditório por que paradoxos são harmoniosos apesar de díspares, enquanto contradições sempre envolvem atritos. Pensando bem, talvez eu seja contraditório. Se eu mudar de idéia eu aviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de Neurociências, Ciências do Comportamento, Ciências Sociais (especialmente Antropologia), Psicologia Fenomenológica (como Humanismo e Transpessoal), Psicologia Positiva e Parapsicologia, certamente o item mais controverso desta lista, tanto que por causa dele eu poderia ser tachado de "holista", uma das cinco palavras mais ofensivas para um Amolador de Facas (as outras quatro são "psicanalitico", "foucaultiano", "bobo" e "feio"). Gosto de polêmica, e Parapsicologia é polêmica, além de pesquisar um assunto muito interessante. Sou cético, mas não Cético, pois apesar de considerar muitas pesquisas como bobagens acadêmicas, não sou a favorde cancelá-las. Aliás, espero sinceramente que elas descubram alguma coisa útil (o que geralmente não acontece, mas quem sou eu para definir o que é útil e o que não é?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de donos da verdade, como o pessoal que ficou gritando pelo fim de &lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=52561"&gt;pesquisas no Rio Grande do Sul estudando o cérebro de meninos deliqüêntes&lt;/a&gt;. Cito este caso como exemplo por que foi o que eu mais perdi tempo discutindo, e digo que perdi tempo por que não adiantou nada, pois os argumentos mais fortes que tive de rebater foram as afirmações de que eu era reacionário e fascista. Aliás, nem sei se a pesquisa passou pelo Comitê de Ética. Espero que tenha, mas isso não vem ao caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me esforço em ser tolerante, mas ainda assim, não gosto de Psicanálise e psicanalistas, que muitas vezes mais se assemelham à videntes charlatões do que psicoterapeutas. Aliás, devo dizer que muitos Analistas do Comportamento agem da mesma forma que psicanalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente eu poderia falar mais a respeito de mim, mas acho que eu acabaria falando de assuntos que não interessam (neste blog pelo menos). Sei que pelo menos um amiguinho vai ter que tomar um vidro de Prozac inteiro depois de ler este texto (como geralmente ele faz quando deixo links "bonitinhos" em sua página de recados do Orkut), e que vai citar todos os meus holismos, e outro que vai, também enumerar os mentalismos que usei. Os dois são Amoladores, e estou só esperando que eles comecem a escrever aqui também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-313997833352848559?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/313997833352848559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=313997833352848559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/313997833352848559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/313997833352848559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2007/12/um-pouco-sobre-mim-mesmo.html' title='Um pouco sobre mim mesmo'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-3449061271610602255</id><published>2007-12-30T06:35:00.000-08:00</published><updated>2008-04-03T19:45:59.611-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Amolações'/><title type='text'>O que é um Amolador?</title><content type='html'>Considerando que este blog é completamente novo, sem nada de muito interessante para mostrar, acredito que devo, como primeiro membro a postar algo aqui, falar a respeito do nome do nosso blog: por que "Amoladores de Facas"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começo de conversa, nós amoladores somos muito diferentes uns dos outros, mas temos pelo menos três coisas em comum. A primeira coisa em comum é que todos nós estudamos Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de agora em diante chamada apenas de UFRGS, URGS ou A Grande Mãe Urguis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda coisa que temos em comum é nossa parca paciência com certas linhas teóricas que existem dentro da Psicologia. Não tanto contra suas idéias, mas contra suas atitudes dogmáticas, avessas à mudanças e, mais importante, anticientíficas. Não é uma ou outra linha específica, pois cada um de nós tem um asco pessoal (eu por exemplo, tenho minhas diferenças com a Psicanálise a nós ensinada). Poderíamos chamar este ponto em comum de "Espírito Crítico". Nem por isso somos menos contraditórios, pois, por mais que detestemos discussões epistemológicas vazias, as quais gosto de chamar de "punhetas intelectuais" por apenas jogarem fora células saudáveis no lixo, sempre acabamos caindo nelas, e até criando blogs para facilitar nossas punhetas intelectuais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira coisa em comum é nosso espírito de porco. Nas salas de aula, geralmente escolhemos as mesas do fundo (sim, Amoladores e Turma do Fundão são quase sinônimos), para que tenhamos um local seguro para largar nossas bombas durante as aulas, conversar sobre Pokemons ou simplesmente dormir. Também temos um gosto especial em perder tempo com coisas inúteis, &lt;a href="http://marceloduarte.wordpress.com/2007/11/06/inventario-dos-monstros-para-avaliacao-de-chinelagem-academica/"&gt;como criar escalas psicométricas que medem o nível de chinelagem acadêmica&lt;/a&gt;, desenvolver teorias sobre comportamentos sexuais em filhos únicos e outras bobagens igualmente inúteis. Nesta mesma categoria, posso dizer que não somos muito afeitos ao "bom mocismo" e atitudes politicamente corretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de ter dito que temos pelo menos três coisas em comum, nós temos uma quarta coisa também: geralmente, gostamos e defendemos as Ciências do Comportamento, as Neurociências, Psiquiatria e até as Engenharias. Por que? Por que ninguém além de nós gosta destas disciplinas lá no Instituto de Psicologia da UFRGS. E por que elas são legais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, até agora, falei da nossa personalidade debochada e dos nossos gostos em comum, mas não falei nada sobre o nome do nosso "clubinho". Afinal, por que alguém em sã consciência seria um "Amolador de Facas"? Eu explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro semestre de 2007, primeiro semestre na faculdade para muitos de nós, tivemos a grata satisfação de ler para a disciplina de Psicologia Social I um texto de um senhor considerado muito importante por muita gente, mas obviamente não por mim, considerando que já esqueci seu nome e o título do referido texto. Aliás, esqueci quase tudo o que aquele prolixo senhor dizia nele (não gostamos de gente prolixa, a propósito). Só lembro de uma coisa: que ele detestava as pessoas que ele denominava de "amoladores de facas". Segundo ele, amoladores de faca são os que afiam as facas que a sociedade disciplinar opressiva (ou alguma coisa do gênero) crava na barriga dos fracos. Estes amoladores são Psicólogos Comportamentais, Neurociêntistas, Psiquiátras, engenheiros e pessoas omissas que não fazem nada para impedir os "maudosos", toda essa corja que gosta de ser metódica ao invés de ficar fazendo poesia pra salvar o mundo. Por que pra salvar o mundo tem que ir pro lado "subjetivo" e só. Nada contra a poesia, mas ela sozinha não é capaz de fazer muita coisa, apesar do que nossos amiguinhos (adoramos chamar todo mundo de "amiguinho", igualzinho ao palhaço Gozo) dizem. Acreditamos que só podemos obter algum progresso na Psicologia com métodos rigorosos e disciplinados, sendo críticos em relação a nossas práticas e a nós mesmos, e que qualquer um pode fazer isto (psicanalistas inclusive. Ou já esqueceram do amigo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Bowlby"&gt;John Bowlby&lt;/a&gt;?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, acho que consegui pintar um retrato mais ou menos acurado de nós mesmos e do que gostamos. Não espero que você, leitor desprevinido, goste de nossas opiniões e que volte sempre. Aliás, é muito provável que após ler nossos textos, você deixe um comentário desaforado e nunca mais apareça, exceto quando estiver de muito mau humor e com desejos de nos xingar (o sistema deste blog não permite comentários anônimos, já vou avisando). Aprendi que "debates de alto nível" geralmente não são tão alto nível assim, e que as partes envolvidas quase sempre levam o assunto para o lado pessoal. Mas eu gosto de agir como um idiota, e espero (sentado) que pessoas inteligentes e capazes de diferenciar assuntos teóricos de assuntos pessoais leiam e comentem nossos textos, contribuindo para nosso crescimento intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já estou esperando um comentário listando todos os mentalismos utilizados neste texto, por que fui condicionado para tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-3449061271610602255?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/3449061271610602255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=3449061271610602255' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3449061271610602255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/3449061271610602255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2007/12/o-que-um-amolador.html' title='O que é um Amolador?'/><author><name>Andarilho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11811838079272906603</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3155851457689927258.post-1396713278455103666</id><published>2007-12-24T13:43:00.000-08:00</published><updated>2007-12-24T14:01:26.033-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='início'/><title type='text'>Os Amoladores de Facas</title><content type='html'>Ah, início de blog. Sempre comovente. Ainda mais um blog feito para os Amoladores, para exporem suas idéias sobre o que quer que seja, amolando muitas facas da vida acadêmica. Ceticismos, críticas, hipóteses, testes, polêmicas. Essas coisas divertidas de se fazer em lugares de bons-moços.&lt;br /&gt;A idéia é que a estrutura do blog seja a seguinte: a gente sorteia, levanta ou escolhe temas de tempos em tempos, e todos os amoladores vão dissertar sobre isso livremente. É uma boa ferramenta para expormos nossas idéias e exercitarmos o pensamento crítico, nem que seja superficialmente sobre qualquer coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3155851457689927258-1396713278455103666?l=amoladoresdefacas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/feeds/1396713278455103666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3155851457689927258&amp;postID=1396713278455103666' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1396713278455103666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3155851457689927258/posts/default/1396713278455103666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://amoladoresdefacas.blogspot.com/2007/12/os-amoladores-de-facas.html' title='Os Amoladores de Facas'/><author><name>Sócrates</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07413339441909889483</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
