Editorial da Folha de S.Paulo: RAZÃO E PRECONCEITO
Enviesada e precipitada: é o mínimo que se deve dizer da nota de repúdio de uma centena de psicólogos, advogados, antropólogos e educadores contra estudo biológico sobre comportamento violento de 50 jovens infratores no Rio Grande do Sul. O projeto nem foi submetido a um comitê de ética em pesquisa, mas os signatários já lhe atribuem "velhas práticas de exclusão e de extermínio" e "retrógradas práticas eugenistas".
O grupo da PUC-RS e da UFRGS planeja comparar jovens sob custódia do Estado que cometeram homicídios antes dos 18 anos com outros sem registro de violência. Entram na comparação histórico familiar e educacional, psicodiagnóstico, imagens do funcionamento do cérebro e variações genéticas, entre outros aspectos.
O protocolo da pesquisa prevê obtenção de consentimento dos jovens estudados, de familiares e até do Poder Judiciário. Nada garante que identifique correlações significativas. Excluí-las de antemão, contudo, só ocorre a quem nega a priori que eventos cerebrais sejam relevantes para explicar o comportamento. A um determinismo biológico opõem outro, o do ambiente social.
A censura é uma reação estereotipada à associação de biologia com comportamento. No século 19 e no início do 20, de fato, a suposição atabalhoada de uma relação causal entre características físicas (inclusive "raça") e capacidade mental, sem base real, produziu monstruosidades. Essa pseudociência foi demolida com argumentos teóricos e resultados empíricos, como convém. Não é o que se observa agora.
Nas "Regras para a Direção do Espírito", Descartes alertava já em 1628 que prevenção e precipitação são as grandes fontes do erro. Ao estigmatizar o estudo com noções preconcebidas, os autores da nota advogam proibição incompatível com a busca do conhecimento.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
Naturalismo científico
Para realizar a investigação científica, são necessários alguns pressupostos: a Natureza é material, e, portanto, mensurável objetivamente e passível de ser conhecida através de um método controlado. Pode ser que a realidade não se limita à Natureza ou à matéria, e então existiriam realidades sobrenaturais que transcendem a matéria e não se limitam ao observável. Mas como isso tornaria muito difícil de se confirmar e validar qualquer conhecimento como verdadeiro, para a utilização do método científico nós assumimos que só o que existe é a Natureza composta de matéria.
Para estudarmos alguma coisa, então, ela tem que ser feita de matéria, e temso que ter evidências de que ela existe. Por isso que não dá pra estudar Deus, anjos ou fantasmas. As pessoas também estudam conceitos puramente abstratos, como lógica ou epistemologia. Mas isso é filosofia, e não ciência. A lógica não é uma caixinha ou um palitinho.
Desde Darwin, e com os avanços nas neurociências, passamos a superar a idéia de Kant e Descartes de que a mente é de uma natureza diferente da matéria e não pode ser estudada. A natureza da mente ainda é controversa, mas já é consenso entre os estudiosos mais avançados de que ela é produto do cérebro. Acaba a arrogância humana de se considerar com uma mente perfeita e racional, que transcende aos limites do mundo natural e nos coloca como superiores ao imenso restante do reino animal. Entretanto, nem todos os psicólogos agem como naturalista, apresentando idéias dualistas e outros preconceitos religiosos.
Muitos se sentem ofendidos de serem feitos de carne, ou de terem alguns comportamentos matematicamente previsíveis, e muitos ainda acham que isso estigmatiza, imaginandoque biológico é igual a imutável, a exemplo de preconceitos respaldados com teorias biológicas que já foram falseados.
Eu, no entanto, sempre achei essa idéia muito linda. Sempre tive um rlativo contato com idéias de religiões pagãs e filosofias orientais, que nos consideram como parte integrante e harmônica da Natureza. A minha predileção por ciência e pela busca da verdade faz com que eu me emocione ao saber que eu não sou diferente de crianças, mulheres, golfinhos e sapinhos, e faz eu me sentir responsável por eles também, a exemplo dessas religiões não-abraamânicas. Sem contar que saber de forma confiável sobre a natureza humana é muito útil, além de bonito.
É essencial a postura naturalista para o conhecimento científico da mente humana, e isso não significa que se 'naturaliza', no sentido de considerar como dado, certo e imutável, fenômenos sociais. Pelo contrário, o pensamento científico problematiza tudo isso e levanta hipóteses. E até a etologia lança grandes luzes sobre a política, muito mais do que preconceitos filosóficos de franceses preocupados apenas em quebrar paradigmas, sem se importar se é real ou não.
Para estudarmos alguma coisa, então, ela tem que ser feita de matéria, e temso que ter evidências de que ela existe. Por isso que não dá pra estudar Deus, anjos ou fantasmas. As pessoas também estudam conceitos puramente abstratos, como lógica ou epistemologia. Mas isso é filosofia, e não ciência. A lógica não é uma caixinha ou um palitinho.
Desde Darwin, e com os avanços nas neurociências, passamos a superar a idéia de Kant e Descartes de que a mente é de uma natureza diferente da matéria e não pode ser estudada. A natureza da mente ainda é controversa, mas já é consenso entre os estudiosos mais avançados de que ela é produto do cérebro. Acaba a arrogância humana de se considerar com uma mente perfeita e racional, que transcende aos limites do mundo natural e nos coloca como superiores ao imenso restante do reino animal. Entretanto, nem todos os psicólogos agem como naturalista, apresentando idéias dualistas e outros preconceitos religiosos.
Muitos se sentem ofendidos de serem feitos de carne, ou de terem alguns comportamentos matematicamente previsíveis, e muitos ainda acham que isso estigmatiza, imaginandoque biológico é igual a imutável, a exemplo de preconceitos respaldados com teorias biológicas que já foram falseados.
Eu, no entanto, sempre achei essa idéia muito linda. Sempre tive um rlativo contato com idéias de religiões pagãs e filosofias orientais, que nos consideram como parte integrante e harmônica da Natureza. A minha predileção por ciência e pela busca da verdade faz com que eu me emocione ao saber que eu não sou diferente de crianças, mulheres, golfinhos e sapinhos, e faz eu me sentir responsável por eles também, a exemplo dessas religiões não-abraamânicas. Sem contar que saber de forma confiável sobre a natureza humana é muito útil, além de bonito.
É essencial a postura naturalista para o conhecimento científico da mente humana, e isso não significa que se 'naturaliza', no sentido de considerar como dado, certo e imutável, fenômenos sociais. Pelo contrário, o pensamento científico problematiza tudo isso e levanta hipóteses. E até a etologia lança grandes luzes sobre a política, muito mais do que preconceitos filosóficos de franceses preocupados apenas em quebrar paradigmas, sem se importar se é real ou não.
Apresentação
Eu, sinceramente, não se ente isso não passa de um comportamento imitativo dos mais patéticos, mas é também uma forma de exercitar a escrita pra quem está de férias e um pouco destreinado.
Devo dizer que sinto-me honrado de receber a alcunha de 'amolador de facas', embora eu tenha demorado para ser aceito no grupo, sob a alegação de ter 'um bom coração'. De fato, eu tenho essa fama, mas a minha etiqueta e posições políticas não deveriam ser motivo para eu não pertencer ao grupo. Como argumentei em meu outro blog, um vegetariano pode até fazer um epistemólogo chorar. Meus colegas sabem disso.
Além do mais, eu também sou avesso a interpretaços psicanalíticos e bonecos de palha pós-modernos, e ainda mais com o discurso derrotista de que a Verdade não existe. Gosto um monte de ciências biológicas, política e filosofia moral. Admiro Darwin, Bowlby, Bandura, Piaget, Kohlberg, Foucault(acreditem), Lapassade, Baremblitt, Dawkins, Dennett e autoras feministas como a Andrea Dworkin. Meus filósofos favoritos são Sócrates, Platão, Kant e o Buda. Não gosto de sofistas. Recomendo a leitura de Os Super-Heróis e a Filosofia, de Tom Morris. Nerdismos também me interessam. HQ ou mangá.
Queria dizer também que acho o nome 'Amoladores de Facas' muito bonitinho. Ele pode significar as 'another brick in the wall' relatadas na Cidade dos Sábios, mas também o nosso espírito crítico e busca pelo aperfeiçoamento e pela verdade. Ou também o fato de usarmos a Navalha de Occam. Se vocês procurarem na internet vão descobrir que precisa ser muito habilidoso pra ser um amolador de facas. São raros.
Enfim, falaremos de ciência e epistemologia e criticaremos bastante. Leitores estão livres para isso também.
Devo dizer que sinto-me honrado de receber a alcunha de 'amolador de facas', embora eu tenha demorado para ser aceito no grupo, sob a alegação de ter 'um bom coração'. De fato, eu tenho essa fama, mas a minha etiqueta e posições políticas não deveriam ser motivo para eu não pertencer ao grupo. Como argumentei em meu outro blog, um vegetariano pode até fazer um epistemólogo chorar. Meus colegas sabem disso.
Além do mais, eu também sou avesso a interpretaços psicanalíticos e bonecos de palha pós-modernos, e ainda mais com o discurso derrotista de que a Verdade não existe. Gosto um monte de ciências biológicas, política e filosofia moral. Admiro Darwin, Bowlby, Bandura, Piaget, Kohlberg, Foucault(acreditem), Lapassade, Baremblitt, Dawkins, Dennett e autoras feministas como a Andrea Dworkin. Meus filósofos favoritos são Sócrates, Platão, Kant e o Buda. Não gosto de sofistas. Recomendo a leitura de Os Super-Heróis e a Filosofia, de Tom Morris. Nerdismos também me interessam. HQ ou mangá.
Queria dizer também que acho o nome 'Amoladores de Facas' muito bonitinho. Ele pode significar as 'another brick in the wall' relatadas na Cidade dos Sábios, mas também o nosso espírito crítico e busca pelo aperfeiçoamento e pela verdade. Ou também o fato de usarmos a Navalha de Occam. Se vocês procurarem na internet vão descobrir que precisa ser muito habilidoso pra ser um amolador de facas. São raros.
Enfim, falaremos de ciência e epistemologia e criticaremos bastante. Leitores estão livres para isso também.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Apresentação
Inspirado pelo amiguinho Rockeiro Alcoólatra, aliás, citado por ele em seu comentário, resolvi fazer minha pequena apresentação. Tenho 27 anos, estou espalhado nos primeiros anos da Psicologia (e provavelmente continuarei assim, por enquanto :) e sou engenheiro eletricista e mestrando em ciência da computação. O que essa atividades têm em comum é tema para outro post... Também tenho meu próprio blog, Filosofias Diversas [1], o qual eu atualizo uma vez na vida, outra na morte...
O texto do meu amiguinho me deprimiu (parapsicologia foi f*...) mas esse fato é freqüente na psicologia... Não me acho um amolador "paradoxal", nem "ortodoxo", mas realmente preciso por critérios epistemológicos claros. Uma coisa que particularmente me irrita na psicologia é a utilização da palavra "ciência" (deixaremos o tema "física quântica" para outra oportunidade :) Mas esse é só uma apresentação, então ainda não será destilado todo o veneno que corre nessas veias amoladoras.
Não me esforço tanto em ser tolerante, até porque a maior parte da psicologia não merece sequer esse esforço... Mas também não sou partidário de generalizações, então não acho que nenhuma linha teórica mereça ser desconsiderada a priori. Claro que, pragmaticamente falando, algumas áreas têm tendências altamente anti-científicas e seus ilustres membros ainda pretendem que as mesmas sejam encaradas como ciência. Também não gosto de donos da verdade e de abordagens "ou eu ganho, ou você perde", presentes em alto grau na psicologia. Aliás, a falácia é a principal forma de expressão dos amiguinhos (futuros) psicólogos.
Gosto bastante do evolucionismo e suas implicações filosóficas, psicológicas e, claro, biológicas. Aliás, a minha visão de santíssima trindade atual para amoladores é Dennett-Dawkins-Pinker. Observando o velho testamento, encontraremos nomes como William James, Charles Darwin, Karl Popper... Aprecio também todos os rótulos normalmente distribuídos para amoladores (reducionista, biologizante, cientificista, etc), sendo que os considero elogios sinceros :) Em termos mais aplicados, me interesso por neurociências, psicologia evolucionista, teoria computacional da mente e psicologia cognitiva (comportamental).
Prazer, eu sou o jeffbass e deixo uma frase amoladora abaixo.
“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.” Thomas H. Huxley
1 - Blog Filosofias Diversas
O texto do meu amiguinho me deprimiu (parapsicologia foi f*...) mas esse fato é freqüente na psicologia... Não me acho um amolador "paradoxal", nem "ortodoxo", mas realmente preciso por critérios epistemológicos claros. Uma coisa que particularmente me irrita na psicologia é a utilização da palavra "ciência" (deixaremos o tema "física quântica" para outra oportunidade :) Mas esse é só uma apresentação, então ainda não será destilado todo o veneno que corre nessas veias amoladoras.
Não me esforço tanto em ser tolerante, até porque a maior parte da psicologia não merece sequer esse esforço... Mas também não sou partidário de generalizações, então não acho que nenhuma linha teórica mereça ser desconsiderada a priori. Claro que, pragmaticamente falando, algumas áreas têm tendências altamente anti-científicas e seus ilustres membros ainda pretendem que as mesmas sejam encaradas como ciência. Também não gosto de donos da verdade e de abordagens "ou eu ganho, ou você perde", presentes em alto grau na psicologia. Aliás, a falácia é a principal forma de expressão dos amiguinhos (futuros) psicólogos.
Gosto bastante do evolucionismo e suas implicações filosóficas, psicológicas e, claro, biológicas. Aliás, a minha visão de santíssima trindade atual para amoladores é Dennett-Dawkins-Pinker. Observando o velho testamento, encontraremos nomes como William James, Charles Darwin, Karl Popper... Aprecio também todos os rótulos normalmente distribuídos para amoladores (reducionista, biologizante, cientificista, etc), sendo que os considero elogios sinceros :) Em termos mais aplicados, me interesso por neurociências, psicologia evolucionista, teoria computacional da mente e psicologia cognitiva (comportamental).
Prazer, eu sou o jeffbass e deixo uma frase amoladora abaixo.
“O maior pecado contra a mente humana é acreditar em coisas sem evidências. A ciência é somente o supra-sumo do bom-senso – isto é, rigidamente precisa em sua observação e inimiga da lógica falaciosa.” Thomas H. Huxley
1 - Blog Filosofias Diversas
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Idéias para um Experimento
Este é um blog científico, tão científico quanto a Psicologia pode ser. Não é muita coisa, mas já é um começo. Levando isto em conta, pensei que seria apropriado escrever as idéias para experimentos psicológicos que forem surgindo na minha mente, como exercício lógico. Os leitores podem criticar possíveis fraquezas das pesquisas e dar sugestões para cobrí-las.
Tive a presente idéia durante um almoço em família, e envolve habilidades gustativas. A dúvida que me ocorreu foi: todos os refrigerantes de cola tem o mesmo gosto? As pessoas são capazes de diferenciar entre um e outro? Para responder esta pergunta, primeiro compraríamos três garrafas de refrigerantes de cola: Coca-Cola, Pepsi-Cola e Fruki-Cola, por exemplo. Depois, colocaríamos os líquidos em garrafas diferentes e atribuiríamos números a cada uma delas (Coca 01, Pepsi o2 e Fruki 03). Depois, aplicaríamos um teste Duplo-Cego, pedindo para que um colaborador, que não saiba quais são as marcas envolvidas, desse pequenas doses para pessoas experimentarem das três garrafas. Depois de provar cada uma delas, o entrevistado (ou sujeito) diria que marca ele acabou de consumir. Para evitar possíveis distorções, não informaríamos se ele acertou ou errou. Depois de coletados os dados, faríamos uma análise estatística dos erros e acertos, e conferiríamos nossas hipóteses.
Este procedimento pode ser utilizado para testar qualquer tipo de bebida, especialmente cerveja, que pra mim tem tudo o mesmo gosto.
Tive a presente idéia durante um almoço em família, e envolve habilidades gustativas. A dúvida que me ocorreu foi: todos os refrigerantes de cola tem o mesmo gosto? As pessoas são capazes de diferenciar entre um e outro? Para responder esta pergunta, primeiro compraríamos três garrafas de refrigerantes de cola: Coca-Cola, Pepsi-Cola e Fruki-Cola, por exemplo. Depois, colocaríamos os líquidos em garrafas diferentes e atribuiríamos números a cada uma delas (Coca 01, Pepsi o2 e Fruki 03). Depois, aplicaríamos um teste Duplo-Cego, pedindo para que um colaborador, que não saiba quais são as marcas envolvidas, desse pequenas doses para pessoas experimentarem das três garrafas. Depois de provar cada uma delas, o entrevistado (ou sujeito) diria que marca ele acabou de consumir. Para evitar possíveis distorções, não informaríamos se ele acertou ou errou. Depois de coletados os dados, faríamos uma análise estatística dos erros e acertos, e conferiríamos nossas hipóteses.
Este procedimento pode ser utilizado para testar qualquer tipo de bebida, especialmente cerveja, que pra mim tem tudo o mesmo gosto.
domingo, 30 de dezembro de 2007
Um pouco sobre mim mesmo
Depois de fazer as honras de apresentar nosso clubinho aos nossos leitores (provavelmente imaginários), acho que devo falar um pouco sobre mim mesmo. Tenho 19 anos, estou indo para o Segundo Ano do curso de Psicologia. O nome Andarilho eu escolhi para escrever em outro blog, o Roqueiro & Alcoólatra, onde ainda escrevo (pra caralho), e é. Sou um dos editores do jornalzinho Psiu!, participante ativo do Diretório Acadêmico de Psicologia (DAP), e não me prostitui para o CNPq ou para a Prorext. Ainda. 200 reais a mais no final do mês são sempre bem vindos.
Sou provavelmente o mais paradoxal amolador de faca, pois tenho muitos gostos diferentes e opostos. Digo que sou paradoxal e não contraditório por que paradoxos são harmoniosos apesar de díspares, enquanto contradições sempre envolvem atritos. Pensando bem, talvez eu seja contraditório. Se eu mudar de idéia eu aviso.
Gosto de Neurociências, Ciências do Comportamento, Ciências Sociais (especialmente Antropologia), Psicologia Fenomenológica (como Humanismo e Transpessoal), Psicologia Positiva e Parapsicologia, certamente o item mais controverso desta lista, tanto que por causa dele eu poderia ser tachado de "holista", uma das cinco palavras mais ofensivas para um Amolador de Facas (as outras quatro são "psicanalitico", "foucaultiano", "bobo" e "feio"). Gosto de polêmica, e Parapsicologia é polêmica, além de pesquisar um assunto muito interessante. Sou cético, mas não Cético, pois apesar de considerar muitas pesquisas como bobagens acadêmicas, não sou a favorde cancelá-las. Aliás, espero sinceramente que elas descubram alguma coisa útil (o que geralmente não acontece, mas quem sou eu para definir o que é útil e o que não é?).
Não gosto de donos da verdade, como o pessoal que ficou gritando pelo fim de pesquisas no Rio Grande do Sul estudando o cérebro de meninos deliqüêntes. Cito este caso como exemplo por que foi o que eu mais perdi tempo discutindo, e digo que perdi tempo por que não adiantou nada, pois os argumentos mais fortes que tive de rebater foram as afirmações de que eu era reacionário e fascista. Aliás, nem sei se a pesquisa passou pelo Comitê de Ética. Espero que tenha, mas isso não vem ao caso.
Me esforço em ser tolerante, mas ainda assim, não gosto de Psicanálise e psicanalistas, que muitas vezes mais se assemelham à videntes charlatões do que psicoterapeutas. Aliás, devo dizer que muitos Analistas do Comportamento agem da mesma forma que psicanalistas.
Provavelmente eu poderia falar mais a respeito de mim, mas acho que eu acabaria falando de assuntos que não interessam (neste blog pelo menos). Sei que pelo menos um amiguinho vai ter que tomar um vidro de Prozac inteiro depois de ler este texto (como geralmente ele faz quando deixo links "bonitinhos" em sua página de recados do Orkut), e que vai citar todos os meus holismos, e outro que vai, também enumerar os mentalismos que usei. Os dois são Amoladores, e estou só esperando que eles comecem a escrever aqui também.
Sou provavelmente o mais paradoxal amolador de faca, pois tenho muitos gostos diferentes e opostos. Digo que sou paradoxal e não contraditório por que paradoxos são harmoniosos apesar de díspares, enquanto contradições sempre envolvem atritos. Pensando bem, talvez eu seja contraditório. Se eu mudar de idéia eu aviso.
Gosto de Neurociências, Ciências do Comportamento, Ciências Sociais (especialmente Antropologia), Psicologia Fenomenológica (como Humanismo e Transpessoal), Psicologia Positiva e Parapsicologia, certamente o item mais controverso desta lista, tanto que por causa dele eu poderia ser tachado de "holista", uma das cinco palavras mais ofensivas para um Amolador de Facas (as outras quatro são "psicanalitico", "foucaultiano", "bobo" e "feio"). Gosto de polêmica, e Parapsicologia é polêmica, além de pesquisar um assunto muito interessante. Sou cético, mas não Cético, pois apesar de considerar muitas pesquisas como bobagens acadêmicas, não sou a favorde cancelá-las. Aliás, espero sinceramente que elas descubram alguma coisa útil (o que geralmente não acontece, mas quem sou eu para definir o que é útil e o que não é?).
Não gosto de donos da verdade, como o pessoal que ficou gritando pelo fim de pesquisas no Rio Grande do Sul estudando o cérebro de meninos deliqüêntes. Cito este caso como exemplo por que foi o que eu mais perdi tempo discutindo, e digo que perdi tempo por que não adiantou nada, pois os argumentos mais fortes que tive de rebater foram as afirmações de que eu era reacionário e fascista. Aliás, nem sei se a pesquisa passou pelo Comitê de Ética. Espero que tenha, mas isso não vem ao caso.
Me esforço em ser tolerante, mas ainda assim, não gosto de Psicanálise e psicanalistas, que muitas vezes mais se assemelham à videntes charlatões do que psicoterapeutas. Aliás, devo dizer que muitos Analistas do Comportamento agem da mesma forma que psicanalistas.
Provavelmente eu poderia falar mais a respeito de mim, mas acho que eu acabaria falando de assuntos que não interessam (neste blog pelo menos). Sei que pelo menos um amiguinho vai ter que tomar um vidro de Prozac inteiro depois de ler este texto (como geralmente ele faz quando deixo links "bonitinhos" em sua página de recados do Orkut), e que vai citar todos os meus holismos, e outro que vai, também enumerar os mentalismos que usei. Os dois são Amoladores, e estou só esperando que eles comecem a escrever aqui também.
O que é um Amolador?
Considerando que este blog é completamente novo, sem nada de muito interessante para mostrar, acredito que devo, como primeiro membro a postar algo aqui, falar a respeito do nome do nosso blog: por que "Amoladores de Facas"?
Para começo de conversa, nós amoladores somos muito diferentes uns dos outros, mas temos pelo menos três coisas em comum. A primeira coisa em comum é que todos nós estudamos Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de agora em diante chamada apenas de UFRGS, URGS ou A Grande Mãe Urguis.
A segunda coisa que temos em comum é nossa parca paciência com certas linhas teóricas que existem dentro da Psicologia. Não tanto contra suas idéias, mas contra suas atitudes dogmáticas, avessas à mudanças e, mais importante, anticientíficas. Não é uma ou outra linha específica, pois cada um de nós tem um asco pessoal (eu por exemplo, tenho minhas diferenças com a Psicanálise a nós ensinada). Poderíamos chamar este ponto em comum de "Espírito Crítico". Nem por isso somos menos contraditórios, pois, por mais que detestemos discussões epistemológicas vazias, as quais gosto de chamar de "punhetas intelectuais" por apenas jogarem fora células saudáveis no lixo, sempre acabamos caindo nelas, e até criando blogs para facilitar nossas punhetas intelectuais!
A terceira coisa em comum é nosso espírito de porco. Nas salas de aula, geralmente escolhemos as mesas do fundo (sim, Amoladores e Turma do Fundão são quase sinônimos), para que tenhamos um local seguro para largar nossas bombas durante as aulas, conversar sobre Pokemons ou simplesmente dormir. Também temos um gosto especial em perder tempo com coisas inúteis, como criar escalas psicométricas que medem o nível de chinelagem acadêmica, desenvolver teorias sobre comportamentos sexuais em filhos únicos e outras bobagens igualmente inúteis. Nesta mesma categoria, posso dizer que não somos muito afeitos ao "bom mocismo" e atitudes politicamente corretas.
E apesar de ter dito que temos pelo menos três coisas em comum, nós temos uma quarta coisa também: geralmente, gostamos e defendemos as Ciências do Comportamento, as Neurociências, Psiquiatria e até as Engenharias. Por que? Por que ninguém além de nós gosta destas disciplinas lá no Instituto de Psicologia da UFRGS. E por que elas são legais.
Bem, até agora, falei da nossa personalidade debochada e dos nossos gostos em comum, mas não falei nada sobre o nome do nosso "clubinho". Afinal, por que alguém em sã consciência seria um "Amolador de Facas"? Eu explico.
No primeiro semestre de 2007, primeiro semestre na faculdade para muitos de nós, tivemos a grata satisfação de ler para a disciplina de Psicologia Social I um texto de um senhor considerado muito importante por muita gente, mas obviamente não por mim, considerando que já esqueci seu nome e o título do referido texto. Aliás, esqueci quase tudo o que aquele prolixo senhor dizia nele (não gostamos de gente prolixa, a propósito). Só lembro de uma coisa: que ele detestava as pessoas que ele denominava de "amoladores de facas". Segundo ele, amoladores de faca são os que afiam as facas que a sociedade disciplinar opressiva (ou alguma coisa do gênero) crava na barriga dos fracos. Estes amoladores são Psicólogos Comportamentais, Neurociêntistas, Psiquiátras, engenheiros e pessoas omissas que não fazem nada para impedir os "maudosos", toda essa corja que gosta de ser metódica ao invés de ficar fazendo poesia pra salvar o mundo. Por que pra salvar o mundo tem que ir pro lado "subjetivo" e só. Nada contra a poesia, mas ela sozinha não é capaz de fazer muita coisa, apesar do que nossos amiguinhos (adoramos chamar todo mundo de "amiguinho", igualzinho ao palhaço Gozo) dizem. Acreditamos que só podemos obter algum progresso na Psicologia com métodos rigorosos e disciplinados, sendo críticos em relação a nossas práticas e a nós mesmos, e que qualquer um pode fazer isto (psicanalistas inclusive. Ou já esqueceram do amigo John Bowlby?).
Bem, acho que consegui pintar um retrato mais ou menos acurado de nós mesmos e do que gostamos. Não espero que você, leitor desprevinido, goste de nossas opiniões e que volte sempre. Aliás, é muito provável que após ler nossos textos, você deixe um comentário desaforado e nunca mais apareça, exceto quando estiver de muito mau humor e com desejos de nos xingar (o sistema deste blog não permite comentários anônimos, já vou avisando). Aprendi que "debates de alto nível" geralmente não são tão alto nível assim, e que as partes envolvidas quase sempre levam o assunto para o lado pessoal. Mas eu gosto de agir como um idiota, e espero (sentado) que pessoas inteligentes e capazes de diferenciar assuntos teóricos de assuntos pessoais leiam e comentem nossos textos, contribuindo para nosso crescimento intelectual.
E já estou esperando um comentário listando todos os mentalismos utilizados neste texto, por que fui condicionado para tanto.
Para começo de conversa, nós amoladores somos muito diferentes uns dos outros, mas temos pelo menos três coisas em comum. A primeira coisa em comum é que todos nós estudamos Psicologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de agora em diante chamada apenas de UFRGS, URGS ou A Grande Mãe Urguis.
A segunda coisa que temos em comum é nossa parca paciência com certas linhas teóricas que existem dentro da Psicologia. Não tanto contra suas idéias, mas contra suas atitudes dogmáticas, avessas à mudanças e, mais importante, anticientíficas. Não é uma ou outra linha específica, pois cada um de nós tem um asco pessoal (eu por exemplo, tenho minhas diferenças com a Psicanálise a nós ensinada). Poderíamos chamar este ponto em comum de "Espírito Crítico". Nem por isso somos menos contraditórios, pois, por mais que detestemos discussões epistemológicas vazias, as quais gosto de chamar de "punhetas intelectuais" por apenas jogarem fora células saudáveis no lixo, sempre acabamos caindo nelas, e até criando blogs para facilitar nossas punhetas intelectuais!
A terceira coisa em comum é nosso espírito de porco. Nas salas de aula, geralmente escolhemos as mesas do fundo (sim, Amoladores e Turma do Fundão são quase sinônimos), para que tenhamos um local seguro para largar nossas bombas durante as aulas, conversar sobre Pokemons ou simplesmente dormir. Também temos um gosto especial em perder tempo com coisas inúteis, como criar escalas psicométricas que medem o nível de chinelagem acadêmica, desenvolver teorias sobre comportamentos sexuais em filhos únicos e outras bobagens igualmente inúteis. Nesta mesma categoria, posso dizer que não somos muito afeitos ao "bom mocismo" e atitudes politicamente corretas.
E apesar de ter dito que temos pelo menos três coisas em comum, nós temos uma quarta coisa também: geralmente, gostamos e defendemos as Ciências do Comportamento, as Neurociências, Psiquiatria e até as Engenharias. Por que? Por que ninguém além de nós gosta destas disciplinas lá no Instituto de Psicologia da UFRGS. E por que elas são legais.
Bem, até agora, falei da nossa personalidade debochada e dos nossos gostos em comum, mas não falei nada sobre o nome do nosso "clubinho". Afinal, por que alguém em sã consciência seria um "Amolador de Facas"? Eu explico.
No primeiro semestre de 2007, primeiro semestre na faculdade para muitos de nós, tivemos a grata satisfação de ler para a disciplina de Psicologia Social I um texto de um senhor considerado muito importante por muita gente, mas obviamente não por mim, considerando que já esqueci seu nome e o título do referido texto. Aliás, esqueci quase tudo o que aquele prolixo senhor dizia nele (não gostamos de gente prolixa, a propósito). Só lembro de uma coisa: que ele detestava as pessoas que ele denominava de "amoladores de facas". Segundo ele, amoladores de faca são os que afiam as facas que a sociedade disciplinar opressiva (ou alguma coisa do gênero) crava na barriga dos fracos. Estes amoladores são Psicólogos Comportamentais, Neurociêntistas, Psiquiátras, engenheiros e pessoas omissas que não fazem nada para impedir os "maudosos", toda essa corja que gosta de ser metódica ao invés de ficar fazendo poesia pra salvar o mundo. Por que pra salvar o mundo tem que ir pro lado "subjetivo" e só. Nada contra a poesia, mas ela sozinha não é capaz de fazer muita coisa, apesar do que nossos amiguinhos (adoramos chamar todo mundo de "amiguinho", igualzinho ao palhaço Gozo) dizem. Acreditamos que só podemos obter algum progresso na Psicologia com métodos rigorosos e disciplinados, sendo críticos em relação a nossas práticas e a nós mesmos, e que qualquer um pode fazer isto (psicanalistas inclusive. Ou já esqueceram do amigo John Bowlby?).
Bem, acho que consegui pintar um retrato mais ou menos acurado de nós mesmos e do que gostamos. Não espero que você, leitor desprevinido, goste de nossas opiniões e que volte sempre. Aliás, é muito provável que após ler nossos textos, você deixe um comentário desaforado e nunca mais apareça, exceto quando estiver de muito mau humor e com desejos de nos xingar (o sistema deste blog não permite comentários anônimos, já vou avisando). Aprendi que "debates de alto nível" geralmente não são tão alto nível assim, e que as partes envolvidas quase sempre levam o assunto para o lado pessoal. Mas eu gosto de agir como um idiota, e espero (sentado) que pessoas inteligentes e capazes de diferenciar assuntos teóricos de assuntos pessoais leiam e comentem nossos textos, contribuindo para nosso crescimento intelectual.
E já estou esperando um comentário listando todos os mentalismos utilizados neste texto, por que fui condicionado para tanto.
Assinar:
Postagens (Atom)