Também na "Sala de Imprensa" do site da PUCRS, há um vídeo da reportagem exibida no dia 23 de janeiro de 2008 na Record. Assista só se gostar de ser tratado feito idiota (as expressões faciais da âncora que introduz a matéria lembram as das tias do pré-primário). Em todo caso, está feito o registro aqui.
Record - canal 2
Rio Grande Record: Mapeamento do cérebro
sábado, 2 de fevereiro de 2008
A Pesquisa Maldita - Debate no programa "Conversas Cruzadas" da TV COM
No dia 23 de janeiro deste ano, a TV COM apresentou o programa "Conversas Cruzadas" com um debate sobre a pesquisa neurológica com os meninos da FASE, com a participação do professor de Genética da UFRGS Renato Zamora Flores, o secretário estadual de saúde e mestrando em neurociências Osmar Terra, a representante do CRP-RS e doutoranda em Psicologia Martha Narvaz e o responsável pela Comissão de Direitos Humanos da OAB e professor de Direito na Feevale, Ricardo Breier. Abaixo estão os links que a PUCRS disponibilizou em sua "Sala de Imprensa".
Acredito que este debate retrata de forma magistral como o debate em torno dessa pesquisa tem sido. Vale a pena assistir.
TV COM - canal 36
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 1)
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 2)
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 3)
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 4)
Acredito que este debate retrata de forma magistral como o debate em torno dessa pesquisa tem sido. Vale a pena assistir.
TV COM - canal 36
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 1)
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 2)
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 3)
Conversas Cruzadas: Pesquisa Polêmica (parte 4)
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A Pesquisa Maldita - A Opinião de Renato Zamora Flores
Feudalismo acadêmico nas ciências sociais
Renato Zamora Flores - publicado na Folha de São Paulo em 21/01/2008
"No Brasil, devido a um indiscutível feudalismo científico, a maioria dos cursos de ciências sociais e de psicologia simplesmente ignora o que ocorre em outras áreas do conhecimento e forma profissionais que não conseguem entender o que ocorre na seara alheia”.
Renato Zamora Flores é professor de genética da UFRGS. Artigo publicado na “Folha de SP”:
Talvez o maior desafio da interdisciplinaridade seja a necessidade de entendermos como funcionam outras áreas do conhecimento, além do eventual arcabouço teórico em que acreditamos.
O problema parece ser especialmente grave entre cientistas e psicólogos sociais que, de modo geral, desconhecem o conjunto de áreas do conhecimento denominadas de neurociências e que incluem, desde a bioquímica e a genética, até a neurologia e a psiquiatria.
Estas áreas progrediram muito nas três últimas décadas e, para se estar minimamente informado sobre os seus avanços, é necessário uma ampla quantidade de leitura e estudos.
No Brasil, devido a um indiscutível feudalismo científico, a maioria dos cursos de ciências sociais e de psicologia simplesmente ignora o que ocorre em outras áreas do conhecimento e forma profissionais que, apesar de competentes em seus assuntos específicos, não conseguem entender o que ocorre na seara alheia.Assim, quando propusemos um estudo sobre adolescentes violentos, descrito com propriedade em matéria da Folha (26.nov., pág A15), fomos surpreendidos com uma estapafúrdica nota de repúdio que, sob a capa de estímulo à discussão, qualificava o empreendimento, entre outras ofensas e agressões, de eugênico e vinculado a práticas de extermínio.
Os críticos parecem acreditar que fenômenos mentais e sociais ocorrem independentemente dos cérebros dos indivíduos. Para eles, estudos biológicos do comportamento são irrelevantes pois os efeitos da cultura e do ambiente social afetam a mente, que deve estar em algum lugar que não o cérebro, talvez em uma estrutura etérea como a alma. Para piorar, parecem confundir "biológico" com implacável e imutável.
Como a nota de repúdio explica, por exemplo, o vínculo com o conceito de "eugenia"? Esse é um termo criado por Francis Galton (1822-1911), que o definiu como "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja fisica ou mentalmente".
Tal prática foi utilizada por norte-americanos e alemães na primeira metade do século 20, sem qualquer resultado relevante. Por exemplo, o regime nazista eliminou mais de 80% dos deficientes e doentes mentais sem qualquer impacto epidemiológico no número de afetados por estas enfermidades na geração seguinte.
Nenhum biólogo minimamente informado proporia tal prática. Apenas os que desconhecem esse aspecto da história vinculariam o estudo proposto a uma prática tão ineficiente e cruel.O que decorreu deste documento equivocado foi uma ampla crítica da comunidade científica aos autores da nota. Como bem disse Jairo Eduardo Borges-Andrade, professor de psicologia social da UnB, "a nota de repúdio "prega" uma visão de mundo (teoria) e uma forma de fazer pesquisa (método) e não somente julga, mas condena e propõe penalidades para aqueles que não seguem a teoria e o método que considera apropriados".
Por que fazer uso da defesa dos direitos humanos e das crianças como escudo para fundamentar a pregação de uma única forma de fazer pesquisa?
Fonte: Jornal da Ciência.
Renato Zamora Flores - publicado na Folha de São Paulo em 21/01/2008
"No Brasil, devido a um indiscutível feudalismo científico, a maioria dos cursos de ciências sociais e de psicologia simplesmente ignora o que ocorre em outras áreas do conhecimento e forma profissionais que não conseguem entender o que ocorre na seara alheia”.
Renato Zamora Flores é professor de genética da UFRGS. Artigo publicado na “Folha de SP”:
Talvez o maior desafio da interdisciplinaridade seja a necessidade de entendermos como funcionam outras áreas do conhecimento, além do eventual arcabouço teórico em que acreditamos.
O problema parece ser especialmente grave entre cientistas e psicólogos sociais que, de modo geral, desconhecem o conjunto de áreas do conhecimento denominadas de neurociências e que incluem, desde a bioquímica e a genética, até a neurologia e a psiquiatria.
Estas áreas progrediram muito nas três últimas décadas e, para se estar minimamente informado sobre os seus avanços, é necessário uma ampla quantidade de leitura e estudos.
No Brasil, devido a um indiscutível feudalismo científico, a maioria dos cursos de ciências sociais e de psicologia simplesmente ignora o que ocorre em outras áreas do conhecimento e forma profissionais que, apesar de competentes em seus assuntos específicos, não conseguem entender o que ocorre na seara alheia.Assim, quando propusemos um estudo sobre adolescentes violentos, descrito com propriedade em matéria da Folha (26.nov., pág A15), fomos surpreendidos com uma estapafúrdica nota de repúdio que, sob a capa de estímulo à discussão, qualificava o empreendimento, entre outras ofensas e agressões, de eugênico e vinculado a práticas de extermínio.
Os críticos parecem acreditar que fenômenos mentais e sociais ocorrem independentemente dos cérebros dos indivíduos. Para eles, estudos biológicos do comportamento são irrelevantes pois os efeitos da cultura e do ambiente social afetam a mente, que deve estar em algum lugar que não o cérebro, talvez em uma estrutura etérea como a alma. Para piorar, parecem confundir "biológico" com implacável e imutável.
Como a nota de repúdio explica, por exemplo, o vínculo com o conceito de "eugenia"? Esse é um termo criado por Francis Galton (1822-1911), que o definiu como "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja fisica ou mentalmente".
Tal prática foi utilizada por norte-americanos e alemães na primeira metade do século 20, sem qualquer resultado relevante. Por exemplo, o regime nazista eliminou mais de 80% dos deficientes e doentes mentais sem qualquer impacto epidemiológico no número de afetados por estas enfermidades na geração seguinte.
Nenhum biólogo minimamente informado proporia tal prática. Apenas os que desconhecem esse aspecto da história vinculariam o estudo proposto a uma prática tão ineficiente e cruel.O que decorreu deste documento equivocado foi uma ampla crítica da comunidade científica aos autores da nota. Como bem disse Jairo Eduardo Borges-Andrade, professor de psicologia social da UnB, "a nota de repúdio "prega" uma visão de mundo (teoria) e uma forma de fazer pesquisa (método) e não somente julga, mas condena e propõe penalidades para aqueles que não seguem a teoria e o método que considera apropriados".
Por que fazer uso da defesa dos direitos humanos e das crianças como escudo para fundamentar a pregação de uma única forma de fazer pesquisa?
Fonte: Jornal da Ciência.
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A Pesquisa Maldita - Sobre a nota de repúdio
Psicólogos tentam impedir pesquisa com homicidas
21/01/2008 - 08h26
RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo
Um grupo de mais de cem pessoas, que inclui psicólogos, advogados, antropólogos e educadores, quer tentar impedir a realização de um projeto de pesquisa que pretende mapear o cérebro de 50 adolescentes homicidas em Porto Alegre (RS). A reação contra os cientistas que lideram a proposta cresceu a partir de dezembro passado, quando um abaixo-assinado acompanhado de uma nota de repúdio de autoria coletiva começou a circular.
A versão mais atual do documento está assinada por 101 pessoas, incluindo integrantes do CFP (Conselho Federal de Psicologia) e de conselhos regionais. Baseada em reportagem publicada pela Folha em 26 de novembro último, a nota compara a pesquisa a "práticas de extermínio" e de motivação "eugenista".
Dois dos líderes do projeto que está sendo criticado são o neurocientista Jaderson da Costa, da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), e o geneticista Renato Zamora Flores, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Um aluno de mestrado no grupo é o secretário da Saúde do Estado, Osmar Terra, deputado federal licenciado pelo PMDB.
A intenção dos cientistas é analisar em uma mesma pesquisa aspectos neurobiológicos, psicológicos e sociais do comportamento violento, tendo como foco de pesquisa um grupo de internos da Fase (antiga Febem gaúcha).
O projeto de pesquisa ainda não foi protocolado no comitê de ética da PUC-RS, que vai avaliá-lo, mas alguns signatários da nota de repúdio já estão organizando uma reação.
"A gente pretende evitar que ele se realize", diz Ana Luiza Castro, psicóloga do Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre. "Entendemos que ele fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e fere os direitos humanos porque parte desse princípio: liga a violência a um determinado grupo social."
Castro, que foi diretora da Fase no governo Olívio Dutra (PT), diz que pretende tentar barrar a pesquisa recorrendo à própria PUC-RS e, se não der certo, estuda ir ao juizado o ou ao Ministério Público.
"O estatuto fala de garantias, de reeducação e de reinserção social dos adolescentes", diz a psicóloga. "Nós não entendemos em que medida esse tipo de estudo pode ajudar nisso."
Para Jaderson da Costa, os signatários do abaixo-assinado aderiram ao movimento por desinformação ou por não compreenderem a reportagem sobre a pesquisa.
"O que eles assimilaram foi que nós estaríamos sendo reducionistas, procurando simplesmente uma base neurobiológica e desprezando qualquer outro fator", diz Costa. "Na realidade, é um projeto que visa mesmo ver bases neurobiológicas, neurológicas e genéticas, mas não descuida dos aspectos neuropsicológicos, psiquiátricos, emocionais e sociais."
Segundo o neurocientista, a reação contrária à pesquisa se deve a uma vertente acadêmica que rejeita a incorporação da neurobiologia no estudo do comportamento humano. "Existe uma corrente retrógrada, que quer manter o conhecimento como está", diz. "Mas o foro para resolver essas coisas não é esse bate-boca com abaixo-assinado. O foro é a academia, a discussão acadêmica."
Fonte: Folha de São Paulo.
21/01/2008 - 08h26
RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo
Um grupo de mais de cem pessoas, que inclui psicólogos, advogados, antropólogos e educadores, quer tentar impedir a realização de um projeto de pesquisa que pretende mapear o cérebro de 50 adolescentes homicidas em Porto Alegre (RS). A reação contra os cientistas que lideram a proposta cresceu a partir de dezembro passado, quando um abaixo-assinado acompanhado de uma nota de repúdio de autoria coletiva começou a circular.
A versão mais atual do documento está assinada por 101 pessoas, incluindo integrantes do CFP (Conselho Federal de Psicologia) e de conselhos regionais. Baseada em reportagem publicada pela Folha em 26 de novembro último, a nota compara a pesquisa a "práticas de extermínio" e de motivação "eugenista".
Dois dos líderes do projeto que está sendo criticado são o neurocientista Jaderson da Costa, da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), e o geneticista Renato Zamora Flores, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Um aluno de mestrado no grupo é o secretário da Saúde do Estado, Osmar Terra, deputado federal licenciado pelo PMDB.
A intenção dos cientistas é analisar em uma mesma pesquisa aspectos neurobiológicos, psicológicos e sociais do comportamento violento, tendo como foco de pesquisa um grupo de internos da Fase (antiga Febem gaúcha).
O projeto de pesquisa ainda não foi protocolado no comitê de ética da PUC-RS, que vai avaliá-lo, mas alguns signatários da nota de repúdio já estão organizando uma reação.
"A gente pretende evitar que ele se realize", diz Ana Luiza Castro, psicóloga do Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre. "Entendemos que ele fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e fere os direitos humanos porque parte desse princípio: liga a violência a um determinado grupo social."
Castro, que foi diretora da Fase no governo Olívio Dutra (PT), diz que pretende tentar barrar a pesquisa recorrendo à própria PUC-RS e, se não der certo, estuda ir ao juizado o ou ao Ministério Público.
"O estatuto fala de garantias, de reeducação e de reinserção social dos adolescentes", diz a psicóloga. "Nós não entendemos em que medida esse tipo de estudo pode ajudar nisso."
Para Jaderson da Costa, os signatários do abaixo-assinado aderiram ao movimento por desinformação ou por não compreenderem a reportagem sobre a pesquisa.
"O que eles assimilaram foi que nós estaríamos sendo reducionistas, procurando simplesmente uma base neurobiológica e desprezando qualquer outro fator", diz Costa. "Na realidade, é um projeto que visa mesmo ver bases neurobiológicas, neurológicas e genéticas, mas não descuida dos aspectos neuropsicológicos, psiquiátricos, emocionais e sociais."
Segundo o neurocientista, a reação contrária à pesquisa se deve a uma vertente acadêmica que rejeita a incorporação da neurobiologia no estudo do comportamento humano. "Existe uma corrente retrógrada, que quer manter o conhecimento como está", diz. "Mas o foro para resolver essas coisas não é esse bate-boca com abaixo-assinado. O foro é a academia, a discussão acadêmica."
Fonte: Folha de São Paulo.
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A Pesquisa Maldita - Quem assinou a nota de repúdio
Achei uma lista, ainda incompleta, dos signatários da nota de repúdio à Pesquisa Maldita. Pode parecer uma atitude persecutória, mas quem assinou, concordou em colocar seu nome na rede. Quando achar os 31 que faltam, atualizarei este post. Lá vai:
1. Ana Maria Falcão de Aragão Sadalla - Departamento de Psicologia Educacional Faculdade de Educação Universidade Estadual de Campinas;
2. Angel Pino - psicólogo e criminólogo, professor da Unicamp;
3. Antonio Carlos Amorim - Faculdade de Educação/Unicamp;
4. Antonio Miguel - Professor da FE-UNICAMP;
5. Associação Excola;
6. Áurea M. Guimarães - F.E. – Unicamp;
7. Carlos Eduardo Albuquerque Miranda - Professor da FE – UNICAMP;
8. Carlos Eduardo Millen Grosso - Mestre em História pela PUC-RS;
9. Carmen Lucia Soares- Professora da FE e FEF-UNICAMP;
10. Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância - CIESPI;
11. Childhope Brasil- Dayse Tozzato (Diretora-Presidente);
12. Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro – CDH/CRP-05;
13. Comissão de Direitos Humanos do CRP 06 (São Paulo);
14. Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia – CNDH/CFP;
15. Cristina Rauter – Professora da Universidade Federal Fluminense / UFF;
16. Curso de Especialização em Psicologia Jurídica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ;
17. Daniel Damiani - 1° Diretor de Assistência Estudantil da UNE;
18. Dario Fiorentini - Professor da FE-UNICAMP;
19. Des. Siro Darlan de Oliveira – Presidente do CEDCA/RJ;
20.Edgard de Assis Carvalho- Professor; Coordenador do Núcleo de Estudos da Complexidade da PUC/SP;
21. Ezequiel Theodoro da Silva – Unicamp;
22. Fernanda Rodrigues da Guia - Acadêmica de Psicologia da UFF -Estagiária da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio deJaneiro;
23. Gaudêncio Frigotto – Professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. PPFH/UERJ;
24. Grupo Atitude! Protagonismo Juvenil;
25. Helena Costa Lopes de Freitas - Profa. Aposentada UNICAMP;
26. Heloísa Helena Pimenta Rocha FE-UNICAMP;
27. Janne Calhau Mourão – Psicóloga – Projeto Clínico-Grupal TNM- RJ;
28. Jeferson Pereira, ONG Orselit – Porto Alegre;
29. José Claudinei Lombardi - Professor da FE UNICAMP; Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas HISTEDBR;
30. Késia D’Almeida – Pedagoga da Creche da Fundação Oswaldo Cruz;
31. Klelia Canabrava Aleixo. Professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais;
32. Lenir Nascimento da Silva – Pediatra da Creche da Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ;
33. Luci Banks Leite-Professora FE-UNICAMP;
34. Luciene Naiff – UNIVERSO;
35. Luís Gustavo Franco, advogado e professor de Direito da Criança e do Adolescente da UNDB - São Luís/MA;
36. Luiz Fernandes de Oliveira - CAp UERJ, FAETEC e PUC-Rio;
37. Lygia Santa Maria Ayres - psicóloga, pesquisadora da UFF e conselheira presidente da Comissão de Orientação e Etica do CRP RJ;
38. Marcelo Cafrune, advogado, mestrando em Direito na UFSC;
39. Marcelo Dalla Vecchia - Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS);
40. Márcia Badaró – Conselheira do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-05);
41. Margareth Silva Rodrigues Alves – Historiadora - Diretora do Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Cabo Frio – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. PPFH/UERJ;
42. Maria da Conceição Xavier de Almeida- Professora; Coordenadora do Grupo de Estudos da Complexidade da UFRN;
43. Maria das Graças de Carvalho Henriques Áspera – Psicóloga da FUNDAC – Fundação da Criança e do Adolescente (Bahia);
44. Maria Helena Salgado Bagnato;
45. Maria Helena Zamora - Professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro / PUC-Rio;
46. Marília Denardin Budó - RG 1063484909 - Mestrado em Direito - UFSCIsis de Jesus Garcia - Mestranda UFSC Direito;
47. Mônica Lins – Colégio de Aplicação da UERJ;
48. Nuances – grupo pela livre expressão sexual – Porto Alegre;
49. Núcleo de Pesquisas Políticias que produzem educação (NUPE) da UERJ;
50. Patrícia Trópia Professora da PUC-Campinas;
51. Pedro Paulo Gastalho de Bicalho – Vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-05) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro/ UFRJ;
52. Programa Cidadania e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - PCDH/UERJ;
53. Programa Pró-Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ;
54. Rafael L. F. da C. Schincariol - mestrando em direito pela UFSC;
55. Raquel de Almeida Moraes - Doutora em Educação pela Unicamp - Professora da Universidade de Brasília - Programa de Pós-Graduação em Educação;
56. Regina Maria Bastos Ferreira - Professora da Universidade Comunitária Regional de Chapecó/SC;
57. Regina Maria de Souza - docente da Faculdade de Educação da UNICAMP;
58. Rita de Cássia Fagundes - Educadora - Agente Jovem - Cascavel/PR;
59. Simone Brandão Souza – Coordenação de Serviço Social – SEAP – RJ;
60. Tatiana Machado – Marcha Mundial de Mulheres;
61. Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero – Porto Alegre;
62. Conselho Regional de Psicologia do RS;
63. Maria Theresa da Costa Barros – Pós-Doutoranda do Instituto de Medicina Social da UERJ – Grupo de Pesquisa – Juventudes, Violências e Subjetivações sob patrocínio da FAPERJ;
64. Ceniriani Vargas da Silva - MNLM - Movimento Nacional de Luta pela Moradia;
65. André de Jesus - MHHOB - Movimento Hip Hop Organizado Brasileiro;
66. Sabrina Santos Brum - Circulando Informação e Arte Urbana;
67. João Paulo Pontes - Conselheiro Temática Cultura - Orçamento Participativo - Porto Alegre Rede Juventudes de Porto Alegre;
68. Lindomar Expedito Silva Darós (CRP-RJ coordenador regional do CREPOP e psicólogo concursado do quadro do TJRJ-VIJI/São Gonçalo);
69. Estela Scheinvar, UERJ/UFF;
70. Grupo Tortura Nunca Mais, Rio de Janeiro - GTNM/RJ
Fontes: Notícias do CRP-RS; Movimento Nacional de Direitos Humanos - MNDH.
1. Ana Maria Falcão de Aragão Sadalla - Departamento de Psicologia Educacional Faculdade de Educação Universidade Estadual de Campinas;
2. Angel Pino - psicólogo e criminólogo, professor da Unicamp;
3. Antonio Carlos Amorim - Faculdade de Educação/Unicamp;
4. Antonio Miguel - Professor da FE-UNICAMP;
5. Associação Excola;
6. Áurea M. Guimarães - F.E. – Unicamp;
7. Carlos Eduardo Albuquerque Miranda - Professor da FE – UNICAMP;
8. Carlos Eduardo Millen Grosso - Mestre em História pela PUC-RS;
9. Carmen Lucia Soares- Professora da FE e FEF-UNICAMP;
10. Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância - CIESPI;
11. Childhope Brasil- Dayse Tozzato (Diretora-Presidente);
12. Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro – CDH/CRP-05;
13. Comissão de Direitos Humanos do CRP 06 (São Paulo);
14. Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia – CNDH/CFP;
15. Cristina Rauter – Professora da Universidade Federal Fluminense / UFF;
16. Curso de Especialização em Psicologia Jurídica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ;
17. Daniel Damiani - 1° Diretor de Assistência Estudantil da UNE;
18. Dario Fiorentini - Professor da FE-UNICAMP;
19. Des. Siro Darlan de Oliveira – Presidente do CEDCA/RJ;
20.Edgard de Assis Carvalho- Professor; Coordenador do Núcleo de Estudos da Complexidade da PUC/SP;
21. Ezequiel Theodoro da Silva – Unicamp;
22. Fernanda Rodrigues da Guia - Acadêmica de Psicologia da UFF -Estagiária da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio deJaneiro;
23. Gaudêncio Frigotto – Professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. PPFH/UERJ;
24. Grupo Atitude! Protagonismo Juvenil;
25. Helena Costa Lopes de Freitas - Profa. Aposentada UNICAMP;
26. Heloísa Helena Pimenta Rocha FE-UNICAMP;
27. Janne Calhau Mourão – Psicóloga – Projeto Clínico-Grupal TNM- RJ;
28. Jeferson Pereira, ONG Orselit – Porto Alegre;
29. José Claudinei Lombardi - Professor da FE UNICAMP; Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas HISTEDBR;
30. Késia D’Almeida – Pedagoga da Creche da Fundação Oswaldo Cruz;
31. Klelia Canabrava Aleixo. Professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais;
32. Lenir Nascimento da Silva – Pediatra da Creche da Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ;
33. Luci Banks Leite-Professora FE-UNICAMP;
34. Luciene Naiff – UNIVERSO;
35. Luís Gustavo Franco, advogado e professor de Direito da Criança e do Adolescente da UNDB - São Luís/MA;
36. Luiz Fernandes de Oliveira - CAp UERJ, FAETEC e PUC-Rio;
37. Lygia Santa Maria Ayres - psicóloga, pesquisadora da UFF e conselheira presidente da Comissão de Orientação e Etica do CRP RJ;
38. Marcelo Cafrune, advogado, mestrando em Direito na UFSC;
39. Marcelo Dalla Vecchia - Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS);
40. Márcia Badaró – Conselheira do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-05);
41. Margareth Silva Rodrigues Alves – Historiadora - Diretora do Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Cabo Frio – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. PPFH/UERJ;
42. Maria da Conceição Xavier de Almeida- Professora; Coordenadora do Grupo de Estudos da Complexidade da UFRN;
43. Maria das Graças de Carvalho Henriques Áspera – Psicóloga da FUNDAC – Fundação da Criança e do Adolescente (Bahia);
44. Maria Helena Salgado Bagnato;
45. Maria Helena Zamora - Professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro / PUC-Rio;
46. Marília Denardin Budó - RG 1063484909 - Mestrado em Direito - UFSCIsis de Jesus Garcia - Mestranda UFSC Direito;
47. Mônica Lins – Colégio de Aplicação da UERJ;
48. Nuances – grupo pela livre expressão sexual – Porto Alegre;
49. Núcleo de Pesquisas Políticias que produzem educação (NUPE) da UERJ;
50. Patrícia Trópia Professora da PUC-Campinas;
51. Pedro Paulo Gastalho de Bicalho – Vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-05) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro/ UFRJ;
52. Programa Cidadania e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - PCDH/UERJ;
53. Programa Pró-Adolescente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ;
54. Rafael L. F. da C. Schincariol - mestrando em direito pela UFSC;
55. Raquel de Almeida Moraes - Doutora em Educação pela Unicamp - Professora da Universidade de Brasília - Programa de Pós-Graduação em Educação;
56. Regina Maria Bastos Ferreira - Professora da Universidade Comunitária Regional de Chapecó/SC;
57. Regina Maria de Souza - docente da Faculdade de Educação da UNICAMP;
58. Rita de Cássia Fagundes - Educadora - Agente Jovem - Cascavel/PR;
59. Simone Brandão Souza – Coordenação de Serviço Social – SEAP – RJ;
60. Tatiana Machado – Marcha Mundial de Mulheres;
61. Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero – Porto Alegre;
62. Conselho Regional de Psicologia do RS;
63. Maria Theresa da Costa Barros – Pós-Doutoranda do Instituto de Medicina Social da UERJ – Grupo de Pesquisa – Juventudes, Violências e Subjetivações sob patrocínio da FAPERJ;
64. Ceniriani Vargas da Silva - MNLM - Movimento Nacional de Luta pela Moradia;
65. André de Jesus - MHHOB - Movimento Hip Hop Organizado Brasileiro;
66. Sabrina Santos Brum - Circulando Informação e Arte Urbana;
67. João Paulo Pontes - Conselheiro Temática Cultura - Orçamento Participativo - Porto Alegre Rede Juventudes de Porto Alegre;
68. Lindomar Expedito Silva Darós (CRP-RJ coordenador regional do CREPOP e psicólogo concursado do quadro do TJRJ-VIJI/São Gonçalo);
69. Estela Scheinvar, UERJ/UFF;
70. Grupo Tortura Nunca Mais, Rio de Janeiro - GTNM/RJ
Fontes: Notícias do CRP-RS; Movimento Nacional de Direitos Humanos - MNDH.
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A Pesquisa Maldita - A nota de repúdio
Aqui vai a nota de repúdio contra a pesquisa da PUCRS e da UFRGS com meninos infratores internos da FASE. Ela foi assinada por psicólogos, antropólogos, advogados e educadores, que acusaram os pesquisadores de "eugenistas" e "exterminadores". Leiam a nota e tirem suas próprias conclusões (pessoalmente, aposto que foi alguém da Psicologia Social quem escreveu essa nota). Ainda estou tentando achar a lista de todas as pessoas que assinaram a nota.
NOTA DE REPÚDIO
É com tristeza e preocupação que recebemos a notícia de que universidades de grande visibilidade na vida acadêmica brasileira estão destinando recursos e investimentos para velhas práticas de exclusão e de extermínio.
A notícia de que a PUC-RS e a UFRGS vão realizar estudos e mapeamentos de ressonância magnética no cérebro de 50 adolescentes infratores para analisar aspectos neurológicos que seriam causadores de suas práticas de infração nos remete às mais arcaicas e retrógradas práticas eugenistas do início do século 20.
Privilegiar aspectos biológicos para a compreensão dos atos infracionais dos adolescentes em detrimento de análises que levem em conta os jogos de poder-saber que se constituem na complexa realidade brasileira e que provocam tais fenômenos é ratificar sob o agasalho da ciência que os adolescentes são o princípio, o meio e o fim do problema, identificando-os seja como "inimigo interno" seja como "perigo biológico", desconhecendo toda a luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes, que culminou na aprovação da legislação em vigor, o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Pensar o fenômeno da violência no Brasil de hoje é construir um pensamento complexo, que leve em consideração as redes que são cada vez mais fragmentadas, o medo do futuro cada vez mais concreto e a ausência de instituições que de fato construam alianças com as populações mais excluídas.
É falar da corrupção que produz morte e isolamento e da precariedade das políticas públicas, sejam elas as políticas sociais básicas como educação e saúde, sejam elas as medidas sócio-educativas ou de proteção especial.
Enquanto a Universidade se colocar como um ente externo que apenas fragmenta, analisa e estuda este real, sem entender e analisar suas reais implicações na produção desta realidade, a porta continuará aberta para a disseminação de práticas excludentes, de realidades genocidas, de estudos que mantêm as coisas como estão.
Violência não é apenas o cometimento do ato infracional do adolescente, mas também todas aquelas ações que disseminam perspectivas e práticas que reforçam a exclusão, o medo, a morte.
Triste universidade esta que ainda se mobiliza para este tipo de estudo, esquecendo-se que a Proteção Integral que embasa o ECA compreende a criança e o adolescente não apenas como "sujeito de direitos" mas também como "pessoa em desenvolvimento" -o que por si já é suficiente para não engessar o adolescente em uma identidade qualquer, seja ela de "violento" ou "incorrigível".
A universidade brasileira pode desejar um outro futuro: o de estar à altura de nossas crianças e adolescentes.
Fonte: Notícias do CRP-RS.
NOTA DE REPÚDIO
É com tristeza e preocupação que recebemos a notícia de que universidades de grande visibilidade na vida acadêmica brasileira estão destinando recursos e investimentos para velhas práticas de exclusão e de extermínio.
A notícia de que a PUC-RS e a UFRGS vão realizar estudos e mapeamentos de ressonância magnética no cérebro de 50 adolescentes infratores para analisar aspectos neurológicos que seriam causadores de suas práticas de infração nos remete às mais arcaicas e retrógradas práticas eugenistas do início do século 20.
Privilegiar aspectos biológicos para a compreensão dos atos infracionais dos adolescentes em detrimento de análises que levem em conta os jogos de poder-saber que se constituem na complexa realidade brasileira e que provocam tais fenômenos é ratificar sob o agasalho da ciência que os adolescentes são o princípio, o meio e o fim do problema, identificando-os seja como "inimigo interno" seja como "perigo biológico", desconhecendo toda a luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes, que culminou na aprovação da legislação em vigor, o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Pensar o fenômeno da violência no Brasil de hoje é construir um pensamento complexo, que leve em consideração as redes que são cada vez mais fragmentadas, o medo do futuro cada vez mais concreto e a ausência de instituições que de fato construam alianças com as populações mais excluídas.
É falar da corrupção que produz morte e isolamento e da precariedade das políticas públicas, sejam elas as políticas sociais básicas como educação e saúde, sejam elas as medidas sócio-educativas ou de proteção especial.
Enquanto a Universidade se colocar como um ente externo que apenas fragmenta, analisa e estuda este real, sem entender e analisar suas reais implicações na produção desta realidade, a porta continuará aberta para a disseminação de práticas excludentes, de realidades genocidas, de estudos que mantêm as coisas como estão.
Violência não é apenas o cometimento do ato infracional do adolescente, mas também todas aquelas ações que disseminam perspectivas e práticas que reforçam a exclusão, o medo, a morte.
Triste universidade esta que ainda se mobiliza para este tipo de estudo, esquecendo-se que a Proteção Integral que embasa o ECA compreende a criança e o adolescente não apenas como "sujeito de direitos" mas também como "pessoa em desenvolvimento" -o que por si já é suficiente para não engessar o adolescente em uma identidade qualquer, seja ela de "violento" ou "incorrigível".
A universidade brasileira pode desejar um outro futuro: o de estar à altura de nossas crianças e adolescentes.
Fonte: Notícias do CRP-RS.
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Série - A Pesquisa Maldita
A Pesquisa Maldita - A reportagem que começou com toda essa porcaria
Diante da grande polêmica gerada em torno da pesquisa com os menores infratores da FASE, a ser realizada em conjunto pela PUCRS e pela UFRGS, decidi fazer uma cronologia de toda a inana. Aqui vai a primeira reportagem que recebi sobre o assunto, e que provavelmente foi o estopim para toda a polêmica:
26/11/2007
Estudo vai mapear cérebro de homicidas
Projeto de universidades gaúchas examinará mais de 50 menores infratores para investigar base biológica da violência
Grupo vai analisar aspectos genético, psicológico, social e cerebral de adolescentes; secretário da Saúde do RS é um dos mentores do projeto
RAFAEL GARCIA
ENVIADO ESPECIAL A PORTO ALEGRE
"Eu estava sozinho na rua. Não tinha recurso. Ninguém queria me dar serviço. O que queriam me dar não dava dinheiro. Comecei a traficar, roubar, matar." A história de D.S., de 17 anos, interno da Fase (Fundação de Atendimento Socio-Educativo, antiga Febem gaúcha) parece ser comum entre as dos mais de 50 adolescentes homicidas que vão ter seus cérebros mapeados por um aparelho de ressonância magnética num estudo em Porto Alegre, no ano que vem.
Cientistas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e da UFRGS (Universidade Federal do RS) querem saber se o que determina o comportamento de um menor infrator é sua história de vida e se há algo físico no cérebro levando-o à agressividade.
"Algo que sempre foi negligenciado foi o entendimento da violência como aspecto de saúde pública", diz Jaderson da Costa, neurocientista da PUC-RS que coordenará os trabalhos de mapeamento cerebral. A idéia é entender quais pontos são mais relevantes dentro da realidade brasileira na hora de determinar como se produz uma mente criminosa.
Para isso serão avaliados também aspectos genéticos, neurológicos, psicológicos e sociais de cada pesquisado. Serão examinados dois grupos: um de internos da Fase e outro de meninos sem passado de crime, para efeito de comparação. O projeto vai olhar para questões sociais, mas o foco é mesmo o fundo biológico da questão.
"Estamos nos baseando em trabalhos que já existem mostrando que há um período crítico no início da vida e que se uma criança é maltratada entre o 8º e o 18º mês ela adquire comportamento alterado na idade adulta", diz um dos mentores do projeto, o secretário de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, aluno de mestrado de Costa. "Decidi no ano passado retomar a neurociência como uma opção de vida; minha opção não é fazer política até morrer", diz.
Cabeça de agressor
Para os cientistas, um ambiente de desenvolvimento inadequado pode mesmo "fabricar" um psicopata: pessoa que despreza regras de convívio social e é desprovida de sentimentos de empatia e afeto. O papel do mapeamento cerebral por ressonância magnética na pesquisa é tentar entender a manifestação física de problemas como esse. O trabalho que inspira Costa nessa área é um artigo do grupo do neurocientista português António Damasio publicado em 1999. O estudo mostra que meninos que sofreram lesões no córtex pré-frontal -região do cérebro próxima à testa- tinham sérios problemas de sociabilidade após crescer. "A aquisição de convenções sociais complexas e de regras morais se estabelece precocemente", diz Costa. "Essas lesões podem resultar mais tarde numa síndrome parecida com a psicopatia." O cientista quer saber se, independentemente de lesões, meninos cronicamente violentos tenham atividade reduzida em alguma região do córtex pré-frontal, área cerebral ligada a tarefas mentais que envolvem juízo moral. "Não queremos que isso sirva como roupa sob medida para explicar todos os casos, mas pode explicar boa parte", diz.
Traumas e psicopatia
Na avaliação psicológica que complementará o estudo, três questionários serão aplicados. Um deles avalia se houve traumas na infância dos pesquisados, outro avalia o histórico de vida familiar e escolar. "Um terceiro tenta identificar se há ou não um traço de psicopatia ou comportamento violento extremo", explica Ângela Maria Freitas, psicóloga da PUC-RS que integra o projeto. O DNA dos meninos também será analisado. O projeto de Costa e Terra ainda está sendo analisado por um comitê de ética da PUC-RS, e os cientistas se dizem confiantes de que a aprovação sairá para início dos trabalhos em março de 2008. O custo da empreitada, avaliado por Terra em cerca de R$ 120 mil, será coberto com doações da siderúrgica Gerdau para a pesquisa, afirma o secretário da Saúde.
26/11/2007
Estudo vai mapear cérebro de homicidas
Projeto de universidades gaúchas examinará mais de 50 menores infratores para investigar base biológica da violência
Grupo vai analisar aspectos genético, psicológico, social e cerebral de adolescentes; secretário da Saúde do RS é um dos mentores do projeto
RAFAEL GARCIA
ENVIADO ESPECIAL A PORTO ALEGRE
"Eu estava sozinho na rua. Não tinha recurso. Ninguém queria me dar serviço. O que queriam me dar não dava dinheiro. Comecei a traficar, roubar, matar." A história de D.S., de 17 anos, interno da Fase (Fundação de Atendimento Socio-Educativo, antiga Febem gaúcha) parece ser comum entre as dos mais de 50 adolescentes homicidas que vão ter seus cérebros mapeados por um aparelho de ressonância magnética num estudo em Porto Alegre, no ano que vem.
Cientistas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e da UFRGS (Universidade Federal do RS) querem saber se o que determina o comportamento de um menor infrator é sua história de vida e se há algo físico no cérebro levando-o à agressividade.
"Algo que sempre foi negligenciado foi o entendimento da violência como aspecto de saúde pública", diz Jaderson da Costa, neurocientista da PUC-RS que coordenará os trabalhos de mapeamento cerebral. A idéia é entender quais pontos são mais relevantes dentro da realidade brasileira na hora de determinar como se produz uma mente criminosa.
Para isso serão avaliados também aspectos genéticos, neurológicos, psicológicos e sociais de cada pesquisado. Serão examinados dois grupos: um de internos da Fase e outro de meninos sem passado de crime, para efeito de comparação. O projeto vai olhar para questões sociais, mas o foco é mesmo o fundo biológico da questão.
"Estamos nos baseando em trabalhos que já existem mostrando que há um período crítico no início da vida e que se uma criança é maltratada entre o 8º e o 18º mês ela adquire comportamento alterado na idade adulta", diz um dos mentores do projeto, o secretário de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, aluno de mestrado de Costa. "Decidi no ano passado retomar a neurociência como uma opção de vida; minha opção não é fazer política até morrer", diz.
Cabeça de agressor
Para os cientistas, um ambiente de desenvolvimento inadequado pode mesmo "fabricar" um psicopata: pessoa que despreza regras de convívio social e é desprovida de sentimentos de empatia e afeto. O papel do mapeamento cerebral por ressonância magnética na pesquisa é tentar entender a manifestação física de problemas como esse. O trabalho que inspira Costa nessa área é um artigo do grupo do neurocientista português António Damasio publicado em 1999. O estudo mostra que meninos que sofreram lesões no córtex pré-frontal -região do cérebro próxima à testa- tinham sérios problemas de sociabilidade após crescer. "A aquisição de convenções sociais complexas e de regras morais se estabelece precocemente", diz Costa. "Essas lesões podem resultar mais tarde numa síndrome parecida com a psicopatia." O cientista quer saber se, independentemente de lesões, meninos cronicamente violentos tenham atividade reduzida em alguma região do córtex pré-frontal, área cerebral ligada a tarefas mentais que envolvem juízo moral. "Não queremos que isso sirva como roupa sob medida para explicar todos os casos, mas pode explicar boa parte", diz.
Traumas e psicopatia
Na avaliação psicológica que complementará o estudo, três questionários serão aplicados. Um deles avalia se houve traumas na infância dos pesquisados, outro avalia o histórico de vida familiar e escolar. "Um terceiro tenta identificar se há ou não um traço de psicopatia ou comportamento violento extremo", explica Ângela Maria Freitas, psicóloga da PUC-RS que integra o projeto. O DNA dos meninos também será analisado. O projeto de Costa e Terra ainda está sendo analisado por um comitê de ética da PUC-RS, e os cientistas se dizem confiantes de que a aprovação sairá para início dos trabalhos em março de 2008. O custo da empreitada, avaliado por Terra em cerca de R$ 120 mil, será coberto com doações da siderúrgica Gerdau para a pesquisa, afirma o secretário da Saúde.
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